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MANEJO DO SOLO Tadeu Coletti - DO SOLO Tadeu... · PDF filePágina 3 - Jose Tadeu Coleti – Manejo do Solo para um novo plantio... Apesar de toda uma alteração de cenário, com

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    MANEJO DO SOLO PARA UM NOVO PLANTIO OU PARA A MANUTENO DE SOCAS.

    Jos Tadeu Coleti

    Engo Agrnomo

    Introduo O que seria o mais agronomicamente correto na linha de uma agricultura sustentvel - quando se aborda o manejo do solo visando novo plantio ou a manuteno das socas aps sucessivas colheitas? Para se tentar responder a esta questo devemos nos reportar origem do termo MANEJO, cuja etimologia (do latim, manus = mo; agere = fazer) j sugere uma dose elevada de CUIDADO, pois se trata de fazer algo com as prprias mos, e ningum vai enfiando suas mos em qualquer lugar e de qualquer maneira! a que entra o CUIDADO, significando toda uma especial ateno nas atitudes, materializadas em operaes manuais, qumicas ou mecnicas, quando se trata de abordar o conjunto solo-planta. Com tais cuidados, racionalmente elaborados, estaremos no caminho da resposta inicialmente colocada sobre o que pode ser considerado agronmicamente correto, dentro do tema sobre o qual nos propusemos refletir. Tudo comeou, ou pelo menos ficou mais explicitado, a partir das concluses da AGENDA-21,1992 (RJ), onde se estabelece um pacto pela mudana do padro de desenvolvimento global para o prximo sculo (que j est presente!). Lembrava-se, ento, a definio de agricultura sustentvel proposta pela FAO, cujo resumo assim poderia ser enunciado: combina tecnologias, polticas e atividades integrando princpios scio-econmicos com preocupaes ambientais, de modo que possa, simultaneamente:

    Manter ou melhorar a produo e os servios (Produtividade) Reduzir o nvel de risco da produo (Segurana) Proteger o potencial de recursos naturais e prevenir a degradao da qualidade

    do solo e da gua (Proteo) Ser economicamente vivel (Viabilidade) Ser socialmente aceitvel (Aceitabilidade)

    Segundo DURAN (1997), a melhor maneira de se avaliar a sustentabilidade de um sistema de produo medir o seu impacto na qualidade do solo. E, mais uma vez, QUALIDADE tem muito a ver com CUIDADO, da porque existe qualidade do solo quando, ao se exercerem as funes de produo biolgica, procura-se manter a qualidade do ambiente e promover a sade de plantas e animais, de maneira sustentvel. Na verdade, o setor sucro-alcooleiro desde h algum tempo vem se preocupando e dando mostras concretas de sua adeso aos apelos da AGENDA-21, seja atravs da adequao aos sistemas formais das diferentes ISOs (9000, 9001,14000, etc), seja atravs de aes concretas no seu sistema de produo, tais como:

    O sistema cana crua A queima controlada A adeso ao Pacto Ambiental (antecipando o PEQ para 2014) A proteo de mananciais (aceiros) O repovoamento da mata ciliar

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    A prtica conservacionista (terraos e carreadores) Uso de resduos da fabricao como fonte orgnica na nutrio O sistema de preparo mnimo (SPM) O sistema de trato cultural direto (TCD) O controle do trfego na colheita mecnica

    Com esta introduo podemos agora aprofundar e situar uma nova agrotecnologia na conduo da lavoura canavieira, no respeito s tendncias de uma agricultura sustentvel, adentrando em novo PARADIGMA, onde o sistema de preparo mnimo (SPM) e o trato cultural direto (TCD) podem ser o grande marco definitrio de uma nova revoluo verde, preocupada com a inter-relao fertilidade, biologia do solo e nutrio mineral de plantas.

    1. PRTICAS HISTORICAMENTE USADAS NO PREPARO DE SOLO Se realizarmos, dentro do perodo compreendido pelos ltimos 30 anos, uma varredura histrica sobre as prticas experimentadas no sistema macro de produo da cana-de-acar, vamos nos deparar com a intensificao mecanicista crescente, onde foi dominante o uso de implementos cada vez mais pesados, demandando, por conseqncia, mquinas com maior potncia. Com o ingresso definitivo da cultura no ritmo de plantation, tudo foi direcionado para altos rendimentos, robustez, eficincia, e alto desempenho. A grande preocupao com o desempenho foi a marca registrada de toda uma gerao de tcnicos e empreendedores do Setor. Algumas crises, como a do petrleo nos anos 80, motivaram alguma alterao, direcionando novas experincias com vistas reduo de custos na atividade como um todo. Mas, com a nova chamada para a produo macia de etanol e a adeso imediata de antigos e novos empreendedores, a grande motivao passou a ser o elevado desempenho, a rapidez em responder aos novos apelos do mercado e com isso, mais uma vez, alguns cuidados ficaram postergados. Entre esses cuidados, poderamos mencionar a pouca ou nenhuma preocupao com a poca da realizao das operaes mecnicas, nem com sua seqncia e o melhor tipo de equipamento, e, muito menos ainda, a preocupao com o aspecto biolgico do solo, a manuteno de seus agregados vitais e toda a inter-relao fertilidade-biologia do solo-nutrio mineral da planta. Herana desta linha de trabalho foi demonstrada por GAZON (2007) em foto registrando (fig.1) o resultado final de um solo intensamente manipulado, provocando total desagregao estrutural do mesmo, o que denota nenhuma preocupao com o lado biolgico do complexo solo-planta.

    Figura 1 Detalhe de uma no conformidade em preparo de solo.

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    Apesar de toda uma alterao de cenrio, com a introduo em larga escala da colheita mecnica na sua modalidade cana crua, sem uso da limpeza via fogo, muita dvida vem surgindo sobre qual sistema produtivo adotar, no que tange ao manejo do solo para plantio e manuteno das socas. Acreditamos que a mudana de cenrio, com a implementao da cana crua e o avano do plano de eliminao de queima, recentemente endossado por grande grupo de produtores do Centro-Sul, dever acelerar tambm a validao daquilo que se vem propugnando como alternativa de manejo por muitos tcnicos e estudiosos do Setor, atravs de inmeros simpsios e seminrios, difundidos anualmente na grande regio Canavieira do Brasil. 2. O SISTEMA DE PREPARO MNIMO (SPM) Os pioneiros do sistema de plantio direto (SPD) na rea de gros j esto deixando um rico legado de informaes sobre esse manejo do solo, sugerindo uma adaptao de resultados j consolidados que poderiam ser validados em cana-de-acar, at com algum ganho de tempo na prospeco, no que tange aos impactos na microbiota residente junto ao sistema radicular das plantas cultivadas. Pois se verdade que se trata de culturas distintas, tambm verdade que se trata de culturas que convivem com elevado trfego de mquinas, do plantio colheita, mas principalmente na colheita. E o efeito compactao existe em ambas, se bem que na cultura da cana-de-acar este efeito pode impactar todo um ciclo. Estamos diante de culturas anuais (gros em geral) versus uma cultura semi-perene. Tudo o que se estudou sobre os efeitos da compactao na cultura da cana-de-acar continua vlido, mas bom lembrar que tais estudos foram gerados, na sua imensa maioria, sob uma conduo de lavoura de cana queimada. E aqui queremos apenas suscitar um questionamento e fundamentar nossa proposta para a adoo de prticas alternativas, particularmente em face do cenrio: cana crua durante um ciclo de 5 ou mais cortes sucessivos. De outro lado, uma das crticas dos defensores do SPD ao sistema convencional diz respeito perda de gua do solo, fortemente patrocinada pelas prticas de excessiva mecanizao dos solos, que redunda em processos erosivos significativos, como se pode perceber na Tabela 1, em trabalho conduzido por LOMBARDI NETO (1990), citado por MONTEZUMA (2008).

    Tabela 1 Perdas de solo, expressas em t.ha-1, em diferentes sistemas de preparo.

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    E o histrico de produtividades agrcolas da cana-de-acar, nestes ltimos anos de alteraes climticas significativas, mostra estreita correlao entre o regime pluviomtrico e as oscilaes na produtividade. Um caso emblemtico o da regio de Iturama (MG), no pontal do tringulo mineiro, zona de fortes oscilaes climticas, conforme se evidencia pela figura 2.

    89,00

    75,00

    59,00

    72,89

    81,63

    84,76

    73,19

    76,27

    83,66

    77,10

    50,00

    55,00

    60,00

    65,00

    70,00

    75,00

    80,00

    85,00

    90,00

    98 99 2.000 2.001 2.002 2.003 2.004 2.005 2.006 2.007

    Pro

    dutiv

    idad

    e (t

    /ha)

    Figura 2 Oscilaes na produtividade agrcola (t/ha) Safras 98/2007. Fonte: ASFORAMA.

    Um dos objetivos do SPM (sistema de preparo mnimo) consiste exatamente neste provimento de gua cultura via mnimo revolvimento do solo, o que se consegue com a combinao de prticas corretas na poca certa. No caso da cana-de-acar, o manejo do solo com vistas ao novo plantio, seja em reforma da prpria cultura seja em substituio de cultura anterior (pastagem, gros, citros), deve sempre contemplar o perodo em que ocorra umidade no solo suficiente para uma abordagem sustentvel do mesmo, de forma a se cumprir uma real descompactao sem ofender os macro e micro-agregados do solo. Tal cuidado significar a realizao de tal tarefa com equipamento ou combinao de equipamentos o mais apropriado possvel. Desde h muito tempo se usava um equipamento com finalidade especfica de descompactar o solo: o subsolador com 3 ou 5 hastes, com hastes aptas a aprofundar at 45 cm, cujo desenho foi evoluindo de hastes totalmente retas (com ngulo de ataque de 45 o ) para hastes parablicas, atingindo a mesma profundidade, dependendo sempre da potncia da mquina atrelada. Mas esta operao supunha um solo totalmente limpo, j trabalhado com alguma passada de grade pesada e intermediria, e, em muitos casos, seu posicionamento era intercalar, aceitando at nova gradagem pesada a posteriori. Com a evoluo de conceitos no trato do solo, esta operao passou a ser a ltima, alis, agronomicam

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