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Mais Preza - 13-04

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Correio do Povo

Text of Mais Preza - 13-04

  • 3 9#

    c o m p o r t a m e n t o m s i c a c u l t u r a i n t e r n e t c a r r e i r a c i n e m a m o d a a g i t o

    PORTO ALEGRE,SEXTA-FEIRA,13 de abril de 2012

    J pensou em chegar aula e ser convidado a dar uma banda no cemitrio? Pois ficar ntimo de vidas j acabadas e de suas histrias foi o objetivo proposto aos estudantes do segundo semestre de Jornalismo da ESPM, que vizi-nha do maior complexo de cemitrios de Porto Alegre (lo-calizado nas imediaes da avenida Oscar Pereira).

    Os nove futuros jornalistas tinham como misso in-verter a ordem dos fatos: falar da vida, partindo da mor-te. Motivados pela professora da disciplina Oficina de Redao Impresso, Patrcia Specht, a gurizada encarou esse projeto sem medo algum, pelo contrrio, teve toda a motivao e a curiosidade que um verdadeiro jornalista precisa. A deciso foi conjunta e empolgou o grupo. Eles queriam fazer algo que envolvesse os cemitrios vizinhos da faculdade, conta Patrcia. Alm disso, para a professo-ra, o trabalho envolveu os alunos em muitos aspectos que ultrapassavam as exigncias de um bom texto, por exem-plo, foi um baita exerccio de investigao e de humildade: os estudantes entrevistaram amigos, vizinhos e parentes para conhecer e recontar as trajetrias das nove pessoas. No foi fcil. O trabalho da gurizada, realizado durante todo o semestre, resultou na primeira edio do jornal da faculdade, o Blog de Papel. Alm desse registro impresso, os alunos-escritores (que contam na pgina 2 como foi

    participar de tudo isso) alimentaram durante a confeco das matrias o blog espmblogdepapel.blogspot.com.br. No dia 4 de abril, quando aconteceu o lanamento do projeto, foram distribudos 2 mil exemplares na rua Padre Chagas e no colgio Unificado da sede da Nilo Peanha. A edio tambm est disponvel na sede da ESPM, na Capital.

    Na prtica...Foi assim: cada um escolheu o personagem de uma mor-

    te-vida pra mergulhar de cabea basicamente no unidunit. Escolhido o ponto final, nosso desafio era recontar o incio e o meio. E isso veio das formas mais diversas: a Internet e o Face-book davam pistas, indicavam nomes relacionados, amigos, museus, registros. Tudo era vlido, explica a professora. Aps a definio da pauta e sobre quem cada aluno iria escrever, comearam a se revelar as histrias, como a do jovem estu-dante de Medicina que morreu em um campo de batalha. Tatiana Reckziegel, que se deparou com o epitfio que dizia: Morreu assassinado na horrenda noite de 14 de julho, ficou pasma quando se ligou, no meio da sua pesquisa, que o ativis-ta de 24 anos foi assassinado no chamado Massacre de 14 de julho, abordado, inclusive, no clssico romance O Tempo e o Vento, de Erico Verssimo.

    Leia mais na pgina 2

    E se o donoda lpide estivesse vivo?

    Essa foi a surpresa que Thais Drummond teve ao pesquisar sobre o dono da lpide que escolheu. A estudante se interessou primeira vista pelo jazigo com uma esttua de um paraquedista e seu co. A lpide sem data de morte era, na verdade, de uma pessoa que est vivinha da silva e esbanjando sade. O militar aposentado de 89 anos, que mora a poucas quadras do cemitrio, j preparou inclusive um lugarzinho pra sua amada. O casal teve a ideia de deixar o tmulo pronto em um uma viagem que fizeram a Paris, quando visitaram o mausolu chamado Pantheon que abriga restos mortais de importantes cidados franceses. Fiquei um pouco receosa pelo fato de o meu personagem estar vivo e fugir um pouco do propsito do trabalho, mas com o incentivo da professora Patrcia, fui atrs, contou Thais que foi a nica entre os nove colegas que pode passar tardes a fio com o seu personagem.

    Gab

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    s/D

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    o/CP

    A turma de alunos da ESPM se engajou durante um semestre inteiro no projeto que envolveu o maior complexo de cemitrios de Porto Alegre

    cemitrio?cemitrio?

    Da sala de aula para o

    PIT BULL na coluna do Guilherme AlfP

    G.2 O BAIRRISTA

    e o drama da sexta-feira 13PG.

    3 MODA NY em Porto AlegreP

    G.4

  • 2 S e x t a - f e i r a , 1 3 d e a b r i l d e 2 0 1 2

    acharamO queEsses so alguns dos alunos da ESPM que participaram do projeto Blog de Papel

    eles

    Incubadora RaiarTer a sua prpria empresa faz parte dos seus planos? Imagina ento se voc pudesse colocar o seu projeto em uma incubadora aconchegante e quentinha pra que ele crescesse forte e feliz! Essa a oportunidade que a incubadora Raiar da PUCRS t oferecendo. As vagas so destinadas aos alunos com propostas de base tecnolgica ou inovao. Ao todo so 10 vagas e as inscries podem ser feitas at o dia 30. Quer participar? Ento vai agora no site pucrs.br/raiar e fica por dentro do lance.

    Se preparando pro Vida

    O Vida Urgente, da Fundao Thiago Gonzaga, est preparando para esse findi uma super Capacitao de Voluntrios. A funo acontece amanh e domingo na rua Botafogo, 918, no Menino Deus, a partir das 8h30min. As vagas so limitadas e as inscries gratuitas. Corre e chama todo mundo pra fazer parte desse time que salva vidas! Informaes: [email protected] ou (51) 3231-0893.

    Tua arte no Unirriter

    O UniRitter t promovendo um concurso para revestir os planos de vidro do Atelier de Moda, do laboratrio de materiais e da porta de uma sala de aula. Sabe como isso tudo vai ser feito? Com as artes grficas dos prprios alunos. Atravs de imagens, grafismos, fotografias, desenhos ou letreiros, no importa. A ideia fazer uma brincadeira temtica que tenha a ver com a as salas dos cursos. O vencedor, alm de ter seu trabalho exposto vai ganhar (olha que tudo!) uma viagem para Milo! Podem participar estudantes de Design, Arquitetura e Urbanismo e Publicidade e Propaganda. As inscries so gratuitas e esto abertas at esta segunda, 16. Te liga no site: uniritter.edu.br e no perde essa!

    T a fim de te mandar?Irlanda e Estados Unidos so os destinos dos intensivos de ingls no exterior que a Universidade Feevale t propondo pra galera. Esse um programa voltado pro pessoal que se pilha em aperfeioar um idioma, mas que no tem muito tempo disponvel para um intercmbio com maior durao. As inscries podem ser feitas at o dia 20. Qualquer dvida: feevale.br.

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    Estvamos muito intrigados por es-tudar ao lado do maior complexo de cemitrios da Capital e precisvamos fazer algo relacionado a isso. O jornal veio a calhar justamente porque

    juntou nossa vontade de contar histrias a fazer algo relacionado ao cemitrio. O

    respeito pelo personagem retratado e pelas fontes so coisas que eu vou le-var pra minha vida. Me senti muito honrada de saber que utilizei de for-ma tica e respeitosa as informaes que me foram confiadas.

    Caroline Pinheiro, 19

    O pit bull, o vigilan-te e o protesto

    Um fato: na semana passada, um cachorro pit bull foi morto com um tiro por um vigilan-te. Ele alega autodefesa. Os donos do cachorro dizem que ele foi executado. Vamos esclarecer algumas coisas, antes de mais nada. 1) Bruno e Mariana (donos do cachorro), nunca tive ca-chorro, por isso realmente no tenho a dimen-so do que a morte da Artmis causou em vo-cs. Mesmo assim, no gosto de ver ningum triste, logo, toro para que vocs superem. 2) No sou a favor da violncia de um modo geral, um valor pessoal muito forte. Isso se estende a animais. 3) Essa coluna no para julgar ningum, pois no me sinto no direito. Somente quem estava l ou quem REALMENTE INVESTIGAR pode ter esse direito. Bom, vamos analisar (e no julgar) o caso.

    O pit bull um animal violento. Isso um fato. Faam o seguinte teste: no Google, joguem duas frases pit bull ataca e mata pes-soa e depois pessoa mata pit bull. Porm, toda regra tem sua exceo e sim, eu acredi-to que existam cachorros dessa raa que no sejam violentos. Porm, os cachorros no vm com identificao VIOLENTO ou DCIL. O senso comum nos faz temer essa raa, certo? No podemos esquecer dos casos em que o dono diz, aps um ataque, que o animal era d-cil. Separei dois casos: Tratvamos aquele ca-chorro como um beb, a gente dava at banho. Adoramos animais. O ataque inexplicvel, la-menta Ester, esposa de um senhor atacado por seu co. Mais um: A av da criana, morta pelo pit bull e dona do cachorro, afirmou que no en-tende como pode acontecer algo assim. Segun-do Maria de Lourdes, o co nunca havia atacado ningum e era extremamente dcil. Ento, in-dependente de como Artmis era com os seus donos, no seria eu um louco em pensar que as pessoas tm sim medo de pitbull, certo?

    Mesmo entendendo que essa raa vio-lenta, acho que eles no precisam ser executa-dos em frente aos seus donos. Bruno e Maria-na tm sentimentos com o animal, pelo que li (e ouvi relatos de colegas de faculdade), ambos se esforaram - e muito - para cuidar da Art-mis, inclusive tendo custos financeiros eleva-dos para a recuperao do animal. Levando em conta o fato de que para a maioria da socie-dade os pit bulls so cachorros violentos, no poderiam eles: 1) Evitar que o animal ficasse solto onde estivessem outras pessoas (o vigi-lante uma pessoa, lembram?). 2) Se optassem por deixar ela brincar solta, que fosse usando a fucinheira, no?

    E, por fim, diversos estudantes fazendo um protesto contra a violncia contra o co. Gente, o fato , no mnimo, discutvel. E se o co realmente fez meno em atacar? E se o vigilante ficou com medo e teve uma reao de autodefesa? E se o co tivesse atacado, mor-dido apenas a perna e o cara ficasse sem poder trabalhar por isso, iria rolar uma passeata em defesa ao trabalhador atacado? No iria. En-tendo a indignao de vocs contra a violncia aos animais, mas no banalizem o protesto. Esperem as investigaes. O rapaz j esta sen-do considerado culpado e, me desculpem, mas ningum ainda pode afirmar isso.

    Falamos!

    Esse texto foi originalmente publicado no blog de Guilhe