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LITERATURA BRASILEIRA DO QUINHENTISMO AO PARNASIANISMO Trabalho coordenado pelo professor Moisés Neto junto a seus alunos.

LITERATURA BRASILEIRA DO QUINHENTISMO AO · PDF fileum único ponto de interesse. À semelhança do romance, o conto é um gênero de ... - Arcadismo ou Neoclassicismo - 1768-1836

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  • LITERATURA BRASILEIRADO QUINHENTISMOAO PARNASIANISMO

    Trabalho coordenado pelo professor Moiss Neto junto a seus alunos.

  • LITERATURA BRASILEIRA DO QUINHENTISMO AOPARNASIANISMO

    INTRODUO:AS FORMAS LITERRIAS:PROSA / POEMA / METRIFICAO

    Voc j chegou at aqui e, por certo, ainda tem algumas dvidas. Talvez uma de suas dvidas sejadiscernir sobre o que prosa e poesia. Aparentemente fcil fazer essa distino. Mas, se voc jouviu dizer que poesia a arte literria que est em versos e prosa o contrrio, uma linguagemcomum, corriqueira, ouviu parte da verdade. Primeiro, vejamos, ns chamamos de prosa o texto quetem uma organizao linear e a sua diviso em pargrafos enunciados, compostos de frase,oraes e perodos.

    A prosa utilizada em textos literrios (crnicas, contos, novelas, romances) e no-literrios(ensaios cientficos, notcias e reportagens jornalsticas, mensagem publicitrias, histrias emquadrinhos etc.)

    Essa forma linear exige uma pontuao especfica: ponto final, virgula, dois-pontos, aspas,travesso e outros sinais para que o texto se torne compreensvel para quem ler e para revelar o seuritmo. Observe o texto a seguir.

    A Criao

    A mulher e o homem sonhavam que Deus os estava sonhando.Deus os sonhava enquanto cantava e agitava suas maracs, envolvido em fumaa de tabaco, e se sentia feliz

    e tambm estremecido pela dvida e o mistrio.Os ndios Makiritare sabem que se Deus sonha com comida, frutifica e d de comer. Se Deus sonha com a

    vida, nasce e d de nascer.A mulher e o homem sonhavam que no sonho de Deus aparecia um grande ovo brilhante. Dentro do ovo,

    eles cantavam e danavam e faziam um grande alvoroo, porque estavam loucos de vontade de nascer:Sonhavam que no sonho de Deus a alegria era mais forte que a dvida e o mistrio; e Deus, sonhando, oscriava, e cantando dizia:

    - Quero este ovo e nasce a mulher e nasce o homem. E juntos vivero e morrero. Mas nasceronovamente. Nascero e tornaro a morrere outra vez nascero. E nunca deixaro de nascer, porque a morte mentira.

    (GALEANO, Eduardo. Nascimentos Memria de Fogo (1).So Paulo, Paz e Terra, 1983)

    Esse texto esta na forma de dilogo, devidamente marcado por travesso (-), o sinal utilizado paraindicar a fala de uma pessoa ou personagem, ou mesmo, uma pausa dramtica, mais longa que umavrgula (,) e menos longa que um ponto final (.).

    Poema:

    Hoje em dia no chamamos de poesia, mas de poema a forma literria organizada em versos cada linha potica de um poema estrofe, o conjunto de versos.

    Poesia refere-se forma literria e tambm o nome que se d produo em versos de umpoeta, o escritor de poemas. Mais do que forma, poesia significa um contexto rico de encanto,emotividade e subjetividade. O poema a unidade, o produto individual dessa arte que a poesia.

    Um texto escrito em versos apresenta sonoridade de ritmo efeitos obtidos por meio de recursoscomo a repetio de vogais com sons semelhantes, a alternncia entre silabas tonas e slabastnicas, rimas (sons coincidentes entre palavras no final ou no interior de cada verso).

    O poema a seguir foi organizado em 14 versos agrupados em quatro estrofes, e apresenta rimasassim dispostas: nas duas primeiras estrofes, ABBA as letras marcam os sons coincidentes; nasoutras estrofes, ABC.

  • Quarenta Anos

    A vida para mi,, est se vendo. AUma felicidade sem repouso; BEu nem sei mais si gozo, pois que o gozo BS pode ser medido em se sofrendo. A

    Bem sei que tudo engano, mas sabendo ADisso, persisto em me enganar... Eu ouso BDizer que a vida foi o bem precioso BQue eu adorei. Foi meu pecado... Horrendo A

    Seria, agora que a velhice avana AQue me sinto completo e alm da sorte, BMe agarrar a esta vida fementida. CVou fazer do meu fim minha esperana, AOh sono, vem!... Que eu quero amar a morte BCom o mesmo engano com que amei a vida C

    (ANDRADE, Mario de. Poesias Completas.Belo Horizonte/So Paulo, Itatiaia/Edusp, 1987.

    No poema moderno, a rima empregada de acordo com a necessidade de expresso do poeta eno mais como um recurso essencial em sculos anteriores ao nosso, os poemas seguiam umpadro rgido de composio; os versos tinham de obedecer a determinada medida, a determinadoritmo e a determinada rima.

    Dessa forma, o poema pode estar condicionado a alguns parmetros de metrificao, dedisposio de rimas e de estrofao.

    Quando o poema no apresenta rima nem medida, os versos so chamados, respectivamente, deversos brancos e de versos livres.

    Metrificao

    A mtrica impe ao verso uma quantidade definida de slabas poticas. Um verso pode sermonosslabo, disslabo, trisslabo... decasslabo (10 slabas), dodecasslabo (12 slabas).

    Para contar o nmero de slabas poticas, preciso fazer a metrificao ou escanso do verso:considera-se o verso inteiro como se fosse uma nica palavra e separam-se as slabas de acordocom a intensidade com que so pronunciadas caso haja o encontro de duas vogais tonas,ocorrer uma espcie de ditongo dentro do verso, e elas devero ser contadas na mesma slaba. Acontagem das slabas deve ser finalizada na ltima slaba tnica. Esse processo difere da divisosilbica gramatical.

    Observe a diferena de procedimento:

    Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades(Cames)

    Slabas poticas

    mu/dam/se os/tem/pos/mu/dam/se as/von/ta/des1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

    ltima tnica do verso

    Slabas gramaticais

    mu/dam/se os/tem/pos/mu/dam/se as/von/ta/des1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13

  • Quanto mtrica, alguns versos recebem denominao especial:

    - com cinco slabas redondilha menor; pentatilha- com sete slabas redondilha maior,- com dez slabas - decasslabos- com doze slabas alexandrino.

    Disposio da Rima

    Quanto disposio, as rimas podem ser alternadas (ABAB), interpoladas ou cruzadas (ABBA),emparelhadas (AABB) e mistas quando apresentam outros tipos de combinaes.

    Estrofao

    Uma estrofe classificada de acordo com o nmero de versos que agrupa, por exemplo: chama-se dstico a estrofe com dois versos; terceto, com trs; quarteto, com quatro; oitava, com oito.

    Obs: O soneto uma composio potica organizada em 14 versos agrupados em dois quartetos (iniciais) e dostercetos (finais).

    Observe o soneto abaixo:

    Soneto de Fidelidade

    De tudo, ao meu amor serei atentoAntes, e com tal zelo, e sempre, e tantoQue mesmo em face do maior encantoDele se encante mais meu pensamento.

    Quero viv-lo em cada vo momentoE em seu louvor hei de espalhar o meu cantoE rir o meu riso e derramar meu pratoAo seu pesar ou seu contentamento.

    E assim, quando mais tarde me procureQuem sabe a morte, angustia de quem viveQuem sabe a solido, fim de quem ama

    Eu possa me dizer do amor (que tive):Que no seja imortal, posto que chamaMas que seja infinito enquanto dure.

    (Vincius de Moraes. Obras poticas.)

  • A palavra lrico origina-se de lira,instrumento musical que os gregosutilizavam para acompanhar seuspoemas. Por essa razo, a poesia lricaapresenta muitos elementos comuns aouniverso musical, como o ritmo, amelodia e a harmonia, recurso que soobtidos, como j vimos, mediante o usode rimas, sons semelhantes e demtrica

    GNEROS LITERRIOS / ESTILOS DE POCA /ESTILO INDIVIDUAL

    Gneros literrios, estilos de poca estilosindividuais so, s vezes, colocados de maneiraconfusa, at nos prprios livros! Como entend-lo sem nos confundir? Vejamos:

    Gneros literrios

    Entende-se por Gnero Literrio o conjunto de caractersticas que permitem classificar uma obraliterria em determinada categoria.

    A literatura ocidental deve aos gregos a concepo de trs grandes gneros literrios:O pico, o lrico e o dramtico.

    Gnero pico ou Narrativo

    O gnero pico ou narrativo, assim classificadopor apresentar como tema a narrativa de fatosnotveis, grandiosos, extraordinrios e histricos deum povo, ou de um heri, o protagonista, a figuraprincipal da narrativa.

    Essas aes hericas so narradas em versos,formando um longo poema denominado epopia oupoesia pica.

    Na Epopia esto presentes os elementos essenciais da narrativa: o enredo, o narrador, aspersonagens, o espao e o tempo reais ou imaginrios em geral, apresenta tambm comocomponente a interveno de entes sobrenaturais que antecipam ou impedem os acontecimentos.

    A epopia organizada em cinco partes:

    1 parte proposio: o poeta apresenta assunto a ser tratado.2 parte- invocao: o poeta solicita s musas (entidades mitolgicas) inspirao para escrever

    o poema.3 parte dedicatria: o poeta oferece o poema a uma figura ilustre.4 parte narrao: o poeta faz a narrativa dos fatos.5 parte eplogo: o poeta apresenta o desfecho da narrativa.

    Gnero Lrico

    Gnero lrico caracteriza-se por apresentar como tema os sentimentos, as emoes, os estadosde alma as impresses pessoais do artista literrio. As composies nesse gnero so denominadaslricas e, em geral, estruturadas em versos

    Gnero Dramtico

    O Gnero dramtico caracterstico de textos produzidos unicamente para encenao pblica a chamada pea teatral, que conta, alm do texto, com elementos extraverbais como atores,cenrios, figurinos, sonoplastia, etc.

    Esse tipo de texto gira em torno de uma histria, apresenta elementos como tempo e espao demarcados por cenrios, mas os acontecimentos no so contados por um narrador, soapresentados diretamente pela fala e expresso dos atores que representam as personagens danarrativa.

    Na literatura greco-latina, produziram-se trs grandesepopias: Ilada e Odissia supostamente escritaspelo poeta grego Homero, que tratam da guerra entregregos e troianos e Eneida, do escritor romanoVirglio, que tem como tema as conquistas do ImprioRomano.

  • Derivaes do Gnero Narrativo

    Nos padres literrios greco-latinos da Antigidade Clssica, reconheciam-se somente estes trsgrandes gneros literrios em versos: o pico,