José Clemente - .José Clemente Casos Complexos 3 UNASUS UNIFESP – Então, Sr. Clemente – pergunta

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  • Sumrio

    Jos Clemente

    Jos Clemente ..................................................................2

    Avaliao odontolgico .......................................................7

    Envelhecimento .............................................................. 10

    Queda nos idosos ............................................................ 12

    lceras por presso ......................................................... 15

    Violncia contra idosos ..................................................... 16

    Declnio funcional nos idosos.............................................. 19

  • Jos Clemente

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    2 Casos Complexos

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    Jos Clemente

    A mdica Joana e a enfermeira Ana Lgia, da equipe da UBS Vila Santo Antnio, foram realizar visita domiciliar para o Sr. Jos Clemente, que mora na viela 33. A rea de abrangncia densa, populosa, com baixo padro econmico e com cerca de quatro mil pessoas cadastradas. O cadastro do paciente o 32. Ele vive numa casa de cinco cmodos com a esposa Incia de 63 anos e dois filhos. H saneamento bsico e ambos so aposentados e alfabetizados. Os filhos s vezes ajudam financeiramente.

    Sr. Jos Clemente, aposentado de 66 anos de idade, provedor da famlia, h dois meses teve um AVC isqumico que o deixou hemipartico esquerda, tendo tido alta h 15 dias. Atualmente toma um comprimido de hidrocloro-tiazida 25 mg pela manh, mantendo a PA em torno de 150 x 90 mmHg. O paciente no etilista nem tabagista, mas tornou-se sedentrio aps o evento isqumico. No foi possvel averiguar seu peso devido dificuldade de equilbrio sobre a balana. Foi feita a aferio da cintura abdominal, que mediu 118 cm. Seu eletrocardiograma e seus exames laboratoriais esto todos dentro da faixa de normalidade. Seu LDL foi prximo a 120 mg/dL nos dois ltimos exa-mes, a creatinina subiu de 1,2 para 1,5 e a ureia resultou em 65 em ambos os exames.

  • Jos Clemente

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    3Casos Complexos

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    Ento, Sr. Clemente pergunta Joana , o senhor est me dizendo que anda desanimado desde que teve o derrame? verdade, doutora, e Deus me perdoe, mas tem hora que eu acho que era melhor eu ter morrido. Eu sempre

    fui muito ativo, sempre corri para manter as coisas aqui em casa funcionando, mas agora no fao nada... lamenta, exprimindo tristeza. E tive tanto problema no hospital... Primeiro peguei uma pneumonia na UTI, tiveram que me amarrar. Foi horrvel! Da abriu uma ferida que at hoje me incomoda... A minha dentadura de baixo quebrou na minha queda do AVC, e por isso no consigo comer direito, estou sem dentes at hoje.

    Ana Lgia intervm: D para ver que o senhor realmente est bastante abalado com a situao, Sr. Clemente. Mas me fala o seguinte:

    o que foi que o senhor deixou de exercer e que gostaria muito de voltar a fazer? Ah, doutora, tem tanta coisa, mas acho que o principal mesmo ir igreja. Eu era muito ativo na igreja e tinha

    muitos companheiros que encontrava l. Agora, de vez em quando, eles vm aqui em casa, mas no a mesma coisa. E quanto s coisas bsicas, Sr. Clemente? Para o banho, por exemplo, o senhor precisa de alguma ajuda?

    pergunta Joana. Minha esposa me ajuda a esfregar os lugares que eu no alcano, mas no todo dia que ela quer ajudar no,

    doutora responde. Alm disso, essa gastura e um gosto ruim na boca me incomodam demais comenta. No se preocupe responde Joana , vou encaminh-lo para avaliao com a equipe de sade bucal, para avaliar

    suas condies e, se necessrio, faremos o encaminhamento para continuar o tratamento dentrio. Incia, a esposa, interrompe na hora: Voc sabe que no querer, no , Clemente? fala com

    bastante raiva. s eu para cuidar dessa casa toda, e agora tenho que cuidar at de voc, como se eu mesma no tivesse meus prprios problemas. Eu j estou quase dependente de Pa-racetamol para minha coluna, e essa dor nunca resolve; s eu parar de usar o remdio que a dor volta e vira-se para a m-dica. Eu j tenho 63 anos, doutora, no tenho mais a mesma energia, e agora, com esse encosto, a coisa ficou pior ainda.

    , Dona Incia a mdica responde em tom de apoio , estou vendo que a senhora tem se sentido desgastada...

    Isso mesmo, doutora, a gente luta tanto para chegar no final da vida e s encontra problemas desabafa. Eu tenho dois filhos que moram comigo, mas so dois rapazes, no tm como ajudar. Se pelo menos eu tivesse uma filha para me ajudar... suspira. E eu fao as coisas, sim. Eu s no fao quando no dou conta. E o tanto de ch que eu fao para baixar a presso dele? Fao a comida dele separada para baixar a presso. Compro esses leos que no tm colesterol para ver se baixa a presso. E, quando tenho tempo, fao exerccio com o brao dele para ver se melhora um pouco.

  • Jos Clemente

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    4 Casos Complexos

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    Acho que esse tanto de coisa que est piorando minha coluna. Voc est a reclamando, Incia? contesta Jos Clemente Voc tinha que agradecer a Deus pela sua sade!

    Olha s para mim, com esse brao e essa perna quase mortos... Ficar sem andar, sem poder trabalhar, a pior coisa. Num queria t dependendo de voc, no. s vezes, Deus me perdoe, mas fico me perguntando por que no morri de vez!

    Incia responde: No sei de que sade ele t falando com esse tanto de dor, no , doutora? Cada um sabe onde seu calo aperta conforta Joana. Eu quero muito acompanhar vocs dois, mas, por conta

    do tempo, hoje eu vou priorizar o Sr. Clemente, que tem dificuldades de locomoo, e depois eu gostaria de marcar uma consulta s para conversar sobre os problemas da senhora, Dona Incia. A senhora concorda?

    Sim, doutora, eu concordo.

    A conversa continua, quando Ana Lgia pergunta a Jos Clemente: O senhor me dizia que tem dificuldades para realizar algumas atividades. Como com relao comida? Bem, eu como sozinho; s a carne que eu no consigo cortar sozinho, mas a Incia j coloca no meu prato cortado

    e eu como sozinho. E para vestir-se? A Incia tambm me ajuda com a cala e a camisa, mas eu fao a maior parte. E para ir ao banheiro, algum problema? Nenhum. Eu ia at o banheiro sozinho, na minha velocidade, apoiando nos mveis da casa para fazer minhas necessi-

    dades. Tenho dificuldade de me limpar, pois perco o equilbrio. Mas teve uma noite que estava tudo escuro e eu tropecei no tapete e ca. No consegui me apoiar em nada a tempo. Quando percebi, j estava no cho. Sorte que no bati em nada. Desde aquele dia estou com muito medo de caminhar e preciso da ajuda da Incia at para ir ao banheiro.

    Voc j tinha cado antes? intervm Joana, iniciando outra srie de perguntas. No, foi a primeira vez. E o senhor sentiu alguma tonteira? No, s ca mesmo porque no vi o tapete. Estava tudo escuro e o interruptor fica do outro lado da sala. Mas

    tenho uma perna boba, o que atrapalha muito ficar equilibrado. O senhor consegue segurar a urina e as fezes a tempo de chegar ao banheiro, ou j aconteceu de eliminar alguma

    coisa nas calas? Tem hora que eu fico apertado, porque eu ando devagar. Mas seguro at a Incia vir me ajudar afirma Jos

    Clemente, com segurana. E como est sendo o cuidado com a ferida que abriu enquanto estava no hospital? Onde ela fica? s vezes no banho eu passo sabonete, da ponho algodo e esparadrapo se adianta Incia. O difcil quando

    fica cheio de um lquido amarelo fedorento. Tenho nojo, no sei cuidar disso. Fique calma, Incia conforta Ana Lgia , que vamos te ajudar com curativos e te ensinar como cuidar.

  • Jos Clemente

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    5Casos Complexos

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    Joana, por fim, pergunta: Tem mais alguma coisa que est incomodando o senhor que eu no perguntei, Sr. Clemente? Acho que s isso, doutora ele responde. Est certo ento. Vamos examin-lo agora.O exame fsico revela uma presso de 160 x 110 mmHg, estando o paciente descorado ++/++++, hidratado.

    Exame torcico, abdominal e de extremidades sem alterao, salvo um edema ++/++++ no membro paralisado. No dorso, observa-se uma lcera em regio sacral, irregular, com 3 cm em seu maior dimetro, com fundo com se-creo amarelo-esverdeada e malcheirosa.

    Joana fez uma prescrio, tendo dvida sobre qual a melhor forma de mudar as medicaes e sobre qual a terapia mais adequada para a lcera. Combinou com Ana Lgia de voltar mais tarde com novas condutas.

    No dia seguinte, durante a reunio de equipe, Joana e Ana Lgia discutem o caso com os demais profissionais da equipe: o ACS Marcos, a auxiliar de enfermagem Clo e o dentista rico.

    Decidem organizar a discusso como haviam aprendido no curso que esto fazendo. Primeiro tinham que ter claro quais problemas mais arriscavam o Sr. Jos Clemente e a famlia, por que eles pediram ajuda e o que a equipe podia fazer por eles. Assim, Ana Lgia fez uma lista de problemas, percebendo que h problemas fsicos, emocionais e da famlia. Joana completou dizendo que se preocupa muito com a sndrome metablica, ensinando a equipe que isso inclui hipertenso, obesidade e colesterol alto.

    Qualquer dia aparece um diabetes brinca Joana. Para piorar, parece que ele est tendo uma insuficincia renal. Tem tudo para ser crnica, mas s vezes idosos ficam desidratados e tm uma insuficincia aguda.

    Isso grave, n, doutora? pergun-ta Marcos, que tem um tio que faz dili-se trs vezes por semana. Parece que a Dona Incia est bem cansada. s vezes, ouo na porta ela gritando para ele espe-rar para ir ao banheiro. Outro dia na visita ele estava todo urinado continua o ACS.

    Pois , a higiene da boca tambm no deve estar boa. Acho que vou fazer uma vi-sita diz rico. Alm disso, me preocu-pa esta queda. Ser que ele no tem risco de cair de novo? preocupa-se o dentista.

  • Jos Clemente

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    6 Casos Complexos

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    S