JOANA CRISTINA BRAZ PIRES E SILVA ABREU Joana...  conservadoras incluem altera§µes do estilo de

  • View
    217

  • Download
    0

Embed Size (px)

Text of JOANA CRISTINA BRAZ PIRES E SILVA ABREU Joana...  conservadoras incluem altera§µes...

FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA

TRABALHO FINAL DO 6 ANO MDICO COM VISTA ATRIBUIO DO

GRAU DE MESTRE NO MBITO DO CICLO DE ESTUDOS DE MESTRADO

INTEGRADO EM MEDICINA

JOANA CRISTINA BRAZ PIRES E SILVA ABREU

INCONTINNCIA URINRIA PS-PARTO: DA

FISIOPATOLOGIA PREVENO E AO

TRATAMENTO

ARTIGO DE REVISO

REA CIENTFICA DE UROLOGIA

TRABALHO REALIZADO SOB A ORIENTAO DE:

DR. BELMIRO PARADA

DR. PEDRO NUNES

FEVEREIRO/2012

INCONTINNCIA URINRIA PS-PARTO: DA

FISIOPATOLOGIA PREVENO E AO

TRATAMENTO

Joana Abreu

Trabalho final de 6 ano apresentado Faculdade de Medicina da Universidade

de Coimbra para cumprimento dos requisitos necessrios obteno do grau

de Mestre no mbito do Ciclo de Estudos de Mestrado Integrado em Medicina,

realizado sob a orientao do Dr. Belmiro Parada e co-orientao do Dr.

Pedro Nunes

Email: joanaabreu25@gmail.com

i

Resumo

A incontinncia urinria (IU), definida como qualquer perda involuntria de urina,

representa um problema de sade global. uma patologia mais frequente no sexo feminino,

atingindo uma prevalncia de 10 a 60%. Tanto o impacto na qualidade de vida como os custos

socioeconmicos so significativos. A gravidez e o parto tm sido considerados como os

principais fatores de risco para o desenvolvimento de IU em mulheres jovens.

Os objetivos deste trabalho so rever a anatomia e explorar os mecanismos

fisiopatolgicos responsveis pela IU ps-parto, analisar os fatores de risco e investigar o

impacto na qualidade de vida, bem como eventuais medidas preventivas. Pretendemos ainda,

analisar a situao atual do tratamento: quais os sucessos alcanados e as perspetivas futuras.

A etiopatogenia da IU ps-parto, essencialmente IU de esforo, assenta em dois

fatores fundamentais: a incapacidade dos mecanismos esfincterianos intrnsecos e a

hipermobilidade da uretra. Para tal contribuem mltiplos fatores de risco ambientais/genticos

e obsttricos. No existem evidncias suficientes que permitam escolher entre a cesariana e o

parto vaginal, sendo que este continua a ser a primeira opo. Contudo, a episiotomia de

rotina deve ser abandonada.

Apesar de a IU no ser uma situao que curse com risco de vida pode afetar

substancialmente a sua qualidade. As principais estratgias de preveno incidem nos fatores

de risco modificveis e na reabilitao do pavimento plvico aps o parto. Na maioria dos

casos de IU possvel a cura ou, eventualmente, a melhoria dos sintomas. As medidas

conservadoras incluem alteraes do estilo de vida e exerccios de Kegel. A farmacoterapia

est indicada na IU por urgncia mas controversa na IU de esforo. Nesta o tratamento

ii

cirrgico o preferido em caso de falha das medidas conservadoras. Nas ltimas dcadas, a

introduo das bandas sub-uretrais foi um dos avanos mais significativos nesta rea e

representou uma nova esperana para muitas mulheres com IU de esforo. Atualmente, as

clulas estaminais apresentam-se como um futuro promissor em termos de teraputica da IU.

Apesar de, para a maioria das doentes, estar disponvel um tratamento relativamente

eficaz, as taxas de recorrncia dos sintomas continuam elevadas. necessria a realizao de

mais estudos sobre novas teraputicas, cada vez mais eficazes e menos invasivas, assim como

sobre estratgias de preveno/tratamento de condies que aumentem o risco de IU.

Palavras-Chave

Incontinncia urinria, Incontinncia urinria de esforo, Pavimento plvico, Gravidez, Parto,

Episiotomia, Cesariana, Bandas sub-uretrais, Exerccios de Kegel

iii

Abstract

Urinary incontinence (IU), defined as any involuntary urine leakage, represents a

global health problem. IU is more frequent in women reaching 10-60% of prevalence. Both

the impact in life quality and the socioeconomic costs are significant. The pregnancy and

delivery have been considered as the major risk factors to IU onset in young women.

The objectives of this work are to review the anatomy and to explore the

pathophysiologic mechanisms beneath post-delivery IU. Moreover, we pretend to analyze the

risk factors, to investigate the impact in life quality and to outline some preventive strategies.

To finish we will summarize the actual treatment options: achievements and future

perspectives.

The etiopathogenesis of post-delivery IU, mainly stress IU, is based in two

fundamental factors: intrinsic sphincter mechanisms incapacity and urethra hypermobility.

Multiple environmental/genetic and obstetric risk factors contribute to this alteration. Despite

vaginal delivery is being considered the first option, there are no evidences that define which

mode of delivery is more convenient, cesarean or vaginal delivery. Routine episiotomy must

be abandoned.

Although IU is not a life threatening condition, life quality impact could be

substantial. The main prevention strategies focus on modifiable risk factors and on post-

delivery pelvic floor rehabilitation. The cure or even the symptoms relief is possible in the

great majority of IU cases. Conservative strategies, similar in both types of IU, include life

style modifications and Kegel exercises. Pharmacological therapy is used in urgency IU but

controversial in stress IU. If there is failure in conservative strategies, surgical treatment is

the standard option to stress IU. During last decades, mid urethral slings introduction was

iv

one of the most significant improvements in this area and represents a new hope to many

women with stress IU. Nowadays, stem cells are the promissory future therapy to IU.

Despite the majority of women have an effective treatment option, recurrence rates of

symptoms are still high. We conclude IU would benefit of more studies about new therapies,

more efficient and less invasive, as about prevention/treatment strategies of IU predisponent

conditions.

Keywords

Urinary incontinence, Stress urinary incontinence, Pelvic floor, Pregnancy, Delivery,

Episiotomy, Cesarean, Mid urethral slings, Kegel exercises

v

ndice

Resumo ...................................................................................................................................... i

Palavras-Chave ....................................................................................................................... ii

Abstract .................................................................................................................................... iii

Keywords ............................................................................................................................... iv

Lista de Abreviaturas ........................................................................................................... vii

ndice de Figuras ................................................................................................................. viii

Captulo 1 Introduo ......................................................................................................... 1

Objetivos ................................................................................................................................. 3

Metodologia ............................................................................................................................ 3

Captulo 2 Epidemiologia ................................................................................................... 4

Captulo 3 Reviso Anatmica .......................................................................................... 7

Captulo 4 Etiopatogenia .................................................................................................. 17

4.1. Mecanismos de continncia e etiologia da IU ............................................................... 18

4.2. Influncia da gravidez ................................................................................................... 20

4.3. Influncia do parto ......................................................................................................... 22

Captulo 5 Fatores de risco .............................................................................................. 26

5.1. Fatores genticos e ambientais ...................................................................................... 27

5.2. Fatores obsttricos ......................................................................................................... 30

5.2.1. Episiotomia ................................................................................................................. 32

5.2.2. Cesariana .................................................................................................................... 33

Captulo 6 Diagnstico ...................................................................................................... 36

vi

Captulo 7 Impacto na Qualidade de Vida ..................................................................... 40

Captulo 8 Tratamento ..................................................................................................... 43

8.1. Teraputica