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Ficha de apreensão de conceitos CONCEITO: Trifuncionalidade Nome do estudante: Gil Manuel Gandarela Gonçalves Nome do Conceito na época (se teve) e nomes alternativos: Na época pelo que se sabe não se utilizaria uma expressão tão abrangente como Trifuncionalidade (termo que só surge aliás no séc. XX com Georges Dumézil), mas existiam de facto formas de classificar esta divisão. Adalberão de Laon fala do “Ordo(ordem) por que se deveria reger a sociedade e define as três classes como “oratores, bellatores, laboratores”. Fora isso existem outros termos bem mais recentes para tratar desta temática como tripartição, três graus de mérito, ternaridade ou as três ordens por exemplo. Origem e Utilização na época (onde nasce, quando nasce, porque nasce, a que se aplica) O conceito surge em contexto monástico tendo sido desenvolvido sobretudo durante os séculos X e XI, apesar de já se encontrarem referências a este sistema de organização social desde o séc VI com Boécio. Nasce sobretudo da necessidade de estabelecer uma ordem fixa em que todos os indivíduos de uma determinada sociedade fossem inseridos à partida num dos sectores desta hierarquia sendo que assim se procurava garantir uma certa harmonia social. Contudo esta separação da sociedade em três sectores (eram eles o clero a nobreza e o povo) não estava desprovida de influências do mundo religioso. Para além da ideia ter sido desenvolvida por homens ligados à igreja, muitos entendem esta distinção como religiosa, sendo que a cada individuo era dada uma posição de acordo com a sua pureza aos olhos de Deus. Este conceito não fica por isso apenas pelo campo político ligando-se de forma indelével ao religioso, algo que na época era desde logo frequente. 1

Ficha de Apreens o de Conceitos CONCEITO

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Page 1: Ficha de Apreens o de Conceitos CONCEITO

Ficha de apreensão de conceitos CONCEITO: Trifuncionalidade Nome do estudante: Gil Manuel Gandarela Gonçalves

Nome do Conceito na época (se teve) e nomes alternativos:

Na época pelo que se sabe não se utilizaria uma expressão tão abrangente como

Trifuncionalidade (termo que só surge aliás no séc. XX com Georges Dumézil), mas existiam de

facto formas de classificar esta divisão. Adalberão de Laon fala do “Ordo” (ordem) por que se

deveria reger a sociedade e define as três classes como “oratores, bellatores, laboratores”.

Fora isso existem outros termos bem mais recentes para tratar desta temática como

tripartição, três graus de mérito, ternaridade ou as três ordens por exemplo.

Origem e Utilização na época (onde nasce, quando nasce, porque nasce, a que se aplica)O conceito surge em contexto monástico tendo sido desenvolvido sobretudo durante os

séculos X e XI, apesar de já se encontrarem referências a este sistema de organização social

desde o séc VI com Boécio. Nasce sobretudo da necessidade de estabelecer uma ordem fixa

em que todos os indivíduos de uma determinada sociedade fossem inseridos à partida num

dos sectores desta hierarquia sendo que assim se procurava garantir uma certa harmonia

social. Contudo esta separação da sociedade em três sectores (eram eles o clero a nobreza e o

povo) não estava desprovida de influências do mundo religioso. Para além da ideia ter sido

desenvolvida por homens ligados à igreja, muitos entendem esta distinção como religiosa,

sendo que a cada individuo era dada uma posição de acordo com a sua pureza aos olhos de

Deus. Este conceito não fica por isso apenas pelo campo político ligando-se de forma indelével

ao religioso, algo que na época era desde logo frequente.

Autores que trataram desse conceito, no seu próprio tempo (nomes e obras principais):Adalberão de Laon (Carmen ad Robertum regem francorum); Gerardo de Cambrai (Gesta

Episcoporum Camaracensium); Abão de Fleury (Apologética contra Arnulfo, Bispo de Orleães,

para Hugo e Roberto, Reis de França); Dudon de Saint Quentin (Costumes e Actos dos

Primeiros Duques da Normandia); Bispo Teodulfo de Orleões (Capitula altera Theodulpho

episcopo Aurelianensi adscripta); Boécio (De consolatione philosophiae)

Bibliografia (6 obras máximo): Duby, Georges, As Três Ordens ou o imaginário do Feudalismo, Lisboa, Editorial Estampa, 1994

Shopkow, Leah. "The Carolingian World of Dudo of Saint-Quentin." Journal of Medieval History 15 (1989)

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Page 2: Ficha de Apreens o de Conceitos CONCEITO

Powell, Timothy E., “The “Three Orders” of society in Anglo-Saxon England”, in Anglo-Saxon England, vol.23, 1994

Documentos com interesse para o tratamento do tema

http://europeanhistory.boisestate.edu/westciv/medsoc/04.shtml consultado a 12/05/2013

http://www.historyguide.org/ancient/lecture23b.html, consultado a 12/05/2013

http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/cidade-medieval-e-feudalismo-2, consultado a 12/05/2013

FICHA DE EXCERTOS DE DOCUMENTOS QUE POSSAM INTERESSAR AO TEMA E À DEFINIÇÃO DO CONCEITO

Fonte: Gesta Episcoporum Camaracensium escrita por Gerardo de Cambrai em 1024/25

Excerto: “O género humano, desde a sua origem, se divide em três”

Uso potencial: Nesta passagem da sua obra, Gerardo de Cambrai fornece-nos desde já um argumento legitimador de todo o sistema trifuncional pelo qual se deveria reger a sociedade, afirmando estar na própria natureza humana este tipo de funcionamento em comunidade.

Fonte: Regula Pastorallis II, 6, escrito por volta de 560 por Gregório o Grande

Excerto: “Ainda que a natureza gere todos os homens iguais, a falta (culpa) subordina-os uns aos outros conforme a ordem (ordo) variável dos méritos (há graus também no pecado); esta diversidade, que procede do vício, é estabelecida pelo juízo divino para que, uma vez que não pertence ao homem viver na igualdade, ela seja exigida diferentemente, a uns e a outros”

Uso potencial: Este excerto dá-nos como que uma fundamentação religiosa para a divisão em classes da sociedade, afirmando que é por vontade divina que a sociedade assim tem de ser organizar, não devendo fazê-lo de outra forma.

Fonte: Gesta Episcoporum Camaracensium de Gerardo de Cambrai, ainda que se trate de uma citação alegadamente pertencente a Gregório o Grande bispo de Roma.

Excerto: “As disposições da providência divina instituíram graus diversos e ordens distintas para que, se os inferiores testemunham deferência aos superiores e se os melhores gratificam com amor os menores, se estabeleça a unidade na harmonia, assim como a reunião da diversidade e que seja gerado na rectidão o desempenho de cada função.”

Uso potencial: Aqui Gerardo mostra-nos novamente a ideia de que é por vontade divina que esta forma de encarar a sociedade é implementada, mas acrescenta agora que é através dos laços de respeito da condição pela de outros que se consegue atingir a verdadeira harmonia, uma visão utópica e afastada daquilo que seria a realidade mas que se apresenta numa época de particular desordem como uma solução (de lembrar o que havia acontecido poucos anos antes no mundo Carolíngio do qual Gerardo fazia parte).

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Page 3: Ficha de Apreens o de Conceitos CONCEITO

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