Edipo rei-sofocles

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Text of Edipo rei-sofocles

  • 1. Rei dipo - Sfocles PERSONAGENSO REI DIPOO SACERDOTECREONTETIRESIASJOCASTAUM MENSAGEIROUM SERVOUM EMISSRIO****************************************************************************************************************************************************************** CORO DOS ANCIOS DE TEBAS A ao passa-se em Tebas (Cadmia), diante do palcio do rei DIPO.Junto a cada porta h um altar, a que se sobe por trs degraus. O povoest ajoelhado em tomo dos altares, trazendo ramos de louros ou deoliveira. Entre os ancios est um sacerdote de Jpiter. Abre-se a portacentral; DIPO aparece, contempla o povo, e fala em tom paternal. DIPO meus filhos, gente nova desta velha cidade de Cadmo, por que vosprostemais assim, junto a estes altares, tendo nas mos os ramos dossuplicantes?1 Sente-se, por toda a cidade, o incenso dos sacrifcios;ouvem-se gemidos, e cnticos fnebres. No quis que outros me infor-massem da causa de vosso desgosto; eu prprio aqui venho, eu, o reidipo, a quem todos vs conheceis. Eia! Responde tu, velho; por tuaidade veneranda convm que fales em nome do povo. Dize-me, pois,que motivo aqui vos trouxe? Que terror, ou que desejo vos reuniu?Careceis de amparo? Quero prestar-vos todo o meu socorro, pois euseria insensvel dor, se no me condoesse de vossa angstia.

2. O SACERDOTEdipo, tu que reinas em minha ptria, bem vs esta multido pros-ternada diante dos altares de teu palcio; aqui h gente de toda a con-dio: crianas que mal podem caminhar, jovens na fora da vida, evelhos curvados pela idade, como eu, sacerdote de Jpiter. E todo orestante do povo, conduzindo ramos de oliveira, se espalha pelaspraas pblicas, diante dos templos de Minerva, em torno das cinzasprofticas de Apolo Ismnio! Tu bem vs que Tebas se debate numacrise de calamidades, e que nem sequer pode erguer a cabea doabismo de sangue em que se submergiu; ela perece nos germensfecundos da terra, nos rebanhos que definham nos pastos, nosinsucessos das mulheres cujos filhos no sobrevivem ao parto.Brandindo seu archote, o deus malfico da peste devasta a cidade edizima a raa de Cadmo; e o sombrio Hades se enche corri os nossosgemidos e gritos de dor. Certamente, ns no te igualamos aos deusesimortais; mas, todos ns, eu e estes jovens, que nos acercamos de teular, vemos em ti o primeiro dos homens, quando a desgraa nos abala avida, ou quando se faz preciso obter o apoio da divindade. Porque tulivraste a cidade de Cadmo do tributo que ns pagvamos cruelEsfinge; sem que tivesses recebido de ns qualquer aviso, mas com oauxilio de algum deus, salvaste nossas vidas. Hoje, de novo aquiestamos, dipo; a ti, cujas virtudes admiramos, ns vimos suplicar que,valendo-te dos conselhos humanos, ou do patrocnio dos deuses, dsremdios aos nossos males; certamente os que possuem mais longaexperincia que podem dar os conselhos mais eficazes! Eia, dipo!Tu, que s o mais sbio dos homens, reanima esta infeliz cidade, econfirma tua glria! Esta nao, grata pelo servio que j lhe prestaste,considera-te seu salvador; que teu reinado no nos faa pensar que sfomos salvos por ti, para recair no infortnio, novamente! Salva denovo a cidade; restitui-nos a tranquilidade, dipo! Se o concurso dosdeuses te valeu, outrora, para nos redimir do perigo, mostra, pelasegunda vez, que s o mesmo! Visto que desejas continuar no trono,bem melhor ser que reines sobre homens, do que numa terra deserta.De que vale uma cidade, de que serve um navio, se no seu interior noexiste uma s criatura humana? 3. DIPO meus filhos, to dignos de piedade! Eu sei, sei muito bem o queviestes pedir-me. No desconheo vossos sofrimentos; mas na verdade,de todos ns, quem mais se aflige sou eu. Cada um de vs tem a suaqueixa; mas eu padeo as dores de toda a cidade, e as minhas prprias.Vossa splica no me encontra descuidado; sabei que tenho jderramado abundantes lgrimas, e que meu esprito inquieto j temprocurado remdio que nos salve. E a nica providncia que conseguiencontrar, ao cabo de longo esforo, eu a executei imediatamente.Creonte, meu cunhado, filho de Meneceu, foi por mim enviado aotemplo de Apolo, para consultar o orculo sobre o que nos cumprefazer para salvar a cidade. E, calculando os dias decorridos de sua par-tida, e o de hoje, sinto-me deveras inquieto; que lhe ter acontecido emviagem? Sua ausncia j excede o tempo fixado, e sua demora no meparece natural. Logo que ele volte, considerai-me um criminoso se euno executar com presteza tudo o que o deus houver ordenado. O SACERDOTERealmente, tu falas no momento oportuno, pois acabo de ouvir queCreonte est de volta.DIPO rei Apolo! Tomara que ele nos traga um orculo to propcio,quanto alegre se mostra sua fisionomia! 4. O SACERDOTECom efeito, a resposta deve ser favorvel; do contrrio, ele no viria assim, com a cabea coroada de louros"DIPOVamos j saber; ei-lo que se aproxima, e j nos pode falar. O prncipe, meu cunhado, filho de Meneceu, que resposta do deus Apoio tu nos trazes? Entra CREONTE CREONTEUma resposta favorvel, pois acredito que mesmo as coisas desagradveis, se delas nos resulta algum bem, tomam-se uma felicidade.DIPO Mas, afinal, em que consiste essa resposta? O que acabas dedizer no nos causa confiana, nem apreenso. CREONTE(Indicando o povo ajoelhado.) Se queres ouvir-me na presena destes homens, eu falarei; mas estou pronto a entrar no palcio, se assim preferires.DIPO Fala perante todos eles; o seu sofrimento me causa maior desgosto do que se fosse meu, somente. CREONTE 5. Vou dizer, pois, o que ouvi da boca do deus. O rei Apoio ordena, expressamente, que purifiquemos esta terra da mancha que ela mantm; que no a deixemos agravar-se at tornar-se incurvel.DIPO Mas, por que meios devemos realizar essa purificao? De que mancha se trata? CREONTE Urge expulsar o culpado, ou punir, com a morte, o assassino, pois o sangue maculou a cidades.DIPO De que homem se refere o orculo morte? CREONTELaio, o prncipe, reinou outrora neste pas, antes que te tornasses nossorei.DIPOSim; muito ouvi falar nele, mas nunca o vi. CREONTE Tendo sido morto o rei Laio, o deus agora exige que seja punido 0seu assassino, seja quem for.DIPO 6. Mas onde se encontra ele? Como descobrir o culpado de um crimeto antigo?CREONTE Aqui mesmo, na cidade, afirmou o orculo. Tudo o que se procura,ser descoberto; e aquilo de que descuramos, nos escapa.DIPO fica pensativo por um momento DIPOFoi na cidade, no campo, ou em terra estranha que se cometeu ohomicdio de Laio?CREONTEEle partiu de Tebas, para consultar o orculo, conforme nos disse, eno mais voltou. DIPOE nenhuma testemunha, nenhum companheiro de viagem viuqualquer coisa que nos possa esclarecer a respeito?CREONTE Morreram todos, com exceo de um nico, que, apavorado, con-seguiu fugir, e de tudo o que viu s nos pde dizer uma coisa. DIPOQue disse ele? Uma breve revelao pode facilitar-nos a descobertade muita coisa, desde que nos d um vislumbre de esperana.CREONTE 7. Disse-nos ele que foram salteadores que encontraram Laio e suaescolta, e o mataram. No um s, mas um numeroso bando. DIPO Mas como, e para que teria o assassino praticado to audaciosoatentado, se no foi coisa tramada aqui, mediante suborno? CREONTETambm a ns ocorreu essa idia; mas, depois da morte dorei,ningum pensou em castigar o criminoso, tal era a desgraa que nosameaava.DIPOQue calamidade era essa, que vos impediu de investigar o que sepassara?CREONTE A Esfinge, com seus enigmas, obrigou-nos a deixar de lado osfatos incertos, para s pensar no que tnhamos diante de ns.DIPO-Est bem; havemos de voltar origem desse crime, e p-lo emevidncia. digna de Apoio, e de ti, a solicitude que tendes pelomorto; por isso mesmo ver-me-eis secundando vosso esforo, a fim dereabilitar e vingar a divindade e o pas ao mesmo tempo. E no serpor um estranho, mas no meu interesse que resolvo punir esse crime;quem quer que haja sido o assassino do rei Laio bem pode querer, porigual forma, ferir-me com a mesma audcia. Auxiliando-vos, portanto,eu sirvo a minha prpria causas. Eia, depressa, meus filhos! Erguei-vose tomai vossas palmas de suplicantes; que outros convoquem os 8. cidados de Cadmo; eu no recuarei diante de obstculo algum! Com oauxilio do Deus, ou seremos todos felizes, ou ver-se- nossa total runa!O SACERDOTE Levantemo-nos, meus filhos! O que ele acaba de anunciar , preci-samente, o que vnhamos pedir aqui. Que Apoio, que nos envia essapredio oracular, possa-nos socorrer, tambm, para pr um fim aoflagelo que nos tortura!Saem DIPO, CREONTE, O SACERDOTE. Retira-se o POVO.Entra O CORO, composto de quinze notveis tebanos.O CORO Doce palavra de Zeus, que nos trazes do santurio dourado deDelfos cidade ilustre de Tebas? Temos o esprito conturbado peloterror, e o desespero nos quebranta. Apoio, nume tutelar de Delos,tu que sabes curar todos os males, que sorte nos reservas agora, oupelos anos futuros? Dize-nos tu, filha da urea Esperana, divinavoz imortal! Tambm a ti recorremos, filha de Zeus. Palas eterna, e a tuadivina irm, Diana, protetora de nossa ptria, em seu trono gloriosona gora imensa; e Apoio, que ao longe expede suas setas; vindetodos vs em nosso socorro; assim como j nos salvastes outrora deuma desgraa que nos ameaava, vinde hoje salvar-nos de novo! Ai de ns, que sofremos dores sem conta! Todo o povo atingidopelo contgio, sem que nos venha mente recurso algum, que nospossa valer! Fenecem os frutos da terra; as mes no podem resistirs dores do parto; e as vtimas de tanta desgraa atiram-se regiodo deus das trevas.Privada desses mortos inmeros, a cidade perece, e, sem piedade, semuma s lgrima, jazem os corpos pelo cho, espalhando o contgioterrvel; as esposas, as mes idosas, com seus cabelos brancos, nosdegraus dos altares para onde correm de todo os pontos, soltamgemidos pungentes, implorando o fim de tanta desventura. E 9. lamria dolorosa se juntam os sons soturnos do pan. Dileta filha dourada de Jpiter, envia-nos, sorridente, o teu socorro! E o poderoso Marte, que ora nos inflama sem o bronze dos escudos,ferindo-nos no meio destes gritos de horror, afungentai-o para bemlonge d