of 111 /111
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PERNAMBUCO PRÓ-REITORIA ACADÊMICA COORDENAÇÃO DE PÓS-GRADUAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL (MESTRADO) DIAGNÓSTICO DA SITUAÇÃO DOS RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO E DEMOLIÇÃO (RCD) NO MUNICÍPIO DE PETROLINA (PE) ALMAI DO NASCIMENTO DOS SANTOS RECIFE/2008

Diagnostico Da Situacao Dos Residuos de Construcao e Demolicao

Embed Size (px)

DESCRIPTION

apresenta uma situação dos resíduos de construção e demolicção

Text of Diagnostico Da Situacao Dos Residuos de Construcao e Demolicao

  • UNIVERSIDADE CATLICA DE PERNAMBUCO

    PR-REITORIA ACADMICA

    COORDENAO DE PS-GRADUAO

    PROGRAMA DE PS-GRADUAO EM ENGENHARIA CIVIL

    (MESTRADO)

    DIAGNSTICO DA SITUAO DOS RESDUOS DE

    CONSTRUO E DEMOLIO (RCD) NO

    MUNICPIO DE PETROLINA (PE)

    ALMAI DO NASCIMENTO DOS SANTOS

    RECIFE/2008

  • ii

    ALMAI DO NASCIMENTO DOS SANTOS

    DIAGNSTICO DA SITUAO DOS RESDUOS DE

    CONSTRUO E DEMOLIO (RCD) NO MUNICPIO DE

    PETROLINA (PE)

    Dissertao apresentada Universidade Catlica de

    Pernambuco, como parte dos requisitos para a obteno do

    ttulo de Mestre em Engenharia Civil.

    rea de Concentrao: Tecnologia das Construes

    Orientadores: Prof. Dr. Silvio Romero de Melo Ferreira

    Prof. Dr. Joaquim Teodoro Romo de Oliveira

    RECIFE/2008

  • iii

    UNIVERSIDADE CATLICA DE PERNAMBUCO

    PR-REITORIA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSO PROESPE.

    MESTRADO EM ENGENHARIA CIVIL

    ALMAI DO NASCIMENTO DOS SANTOS

    DIAGNSTICO DA SITUAO DOS RESDUOS DE CONSTRUO E

    DEMOLIO (RCD) NO MUNICPIO DE PETROLINA (PE)

    Banca Examinadora

    ________________________________________ Professor Dr. Silvio Romero de Melo Ferreira

    Orientador UNICAP-PE

    _________________________________________

    Professor Dr. Joaquim Teodoro Romo de Oliveira

    Orientador UNICAP-PE

    _______________________________________________

    Professor Dr. Romilde Almeida de Oliveira

    Examinador Interno UNICAP-PE

    _______________________________________________

    Professora Dra. Stela Fucale Sukar

    Examinadora Externa UPE-PE

    Aprovada em 25 de Setembro de 2008

  • iv

    Meus avs queridos, Benedito e Nair (in

    memorian) que ao lado de Deus, razo da

    existncia humana, luz divina de amor e paz,

    continuam a brilhar e a iluminar os meus

    caminhos. Obrigada por tudo que sou, obrigada

    por me amar.

  • v

    AGRADECIMENTO

    A Deus pai todo poderoso que me mostra a cada momento o caminho correto a trilhar.

    Ao meu esposo Paulo Roberto Freire a quem dedico todo este trabalho, que com seu carinho e

    companheirismo vibra comigo cada momento do meu crescimento. Obrigada pelo seu amor,

    por ser meu porto seguro, por est sempre comigo. Voc tudo para mim.

    As minhas filhas, Ana Carolina, Camila e Paula Daniele, razo de todas as minhas conquistas,

    amor incondicional, obrigada pela pacincia com as minhas ausncias, pela fora, por

    existirem na minha vida.

    minha me Antnia exemplo de luta e proteo. Obrigada me, por est sempre acreditando

    em meu potencial, por est sempre orando por mim, por me fazer existir.

    Ao meu mais novo amor, Nicolas Freire anjo que chegou iluminando este trabalho. Netinho

    amado.

    A toda a minha famlia, irmos, cunhados, genro que de uma forma ou de outra estiveram

    presentes colaborando e incentivando o meu trabalho.

    Aos meus orientadores Prof. Dr. Silvio Romero e Prof. Dr. Joaquim Teodoro pela intensa

    dedicao, pacincia e compreenso para a concretizao deste trabalho.

    Aos meus amigos Francisco Alves e Alba Valria pelo incentivo e orientao na produo

    deste trabalho.

    Ao prof. Francisco Jesus pela valiosa colaborao para o encaminhamento final deste

    trabalho.

    Aos meus colegas de turma, Aliomar, Diogo, Eduardo, Jason, Wellington, Sergio, exemplo de

    amizade e companheirismo.

    minha internacional sobrinha Sarah Freire pelo abstract mais perfeito da terra. Obrigada

    pelas brilhantes tradues.

    Ao Centro Federal de Educao Tecnlgica de Petrolina-PE.

    Aos funcionrios da Universidade Catlica de Pernambuco pela ateno dispensada durante a

    realizao do trabalho.

    Aos rgos Municipais da cidade de Petrolina pela colaborao no fornecimento dos dados

    que auxiliou este trabalho.

  • vi

    RESUMO

    Apesar de ser uma grande geradora de impactos ambientais devido ao grande consumo de

    matria-prima e da grande gerao de resduos, a Construo Civil reconhecida como uma

    das mais importantes atividades para o desenvolvimento econmico e social do pas. Nos

    pases desenvolvidos, a gerao de RCD nas obras de demolio entre os anos de 1994 a 1999

    variava entre 32 e 99 ton/ano. O que no difere muito do Brasil, que em 2005, atravs de

    pesquisas em 11 Municpios, observou-se uma gerao de resduos com mdia de 59%

    tambm, provenientes de obras de reforma, ampliao e demolio. O Municpio de Petrolina

    localizado em pleno serto Pernambucano, atualmente, tem uma populao de 268.339

    habitantes e ainda no possui um sistema de gerenciamento de RCD, conforme preceitua a

    Resoluo n. 307 do CONAMA (2002). Visando contribuir com o estudo desta problemtica,

    a presente dissertao realiza um diagnstico dos RCD do Municpio verificando sua

    potencialidade de reciclabilidade. A pesquisa constitui de um trabalho de campo de natureza

    exploratria e descritiva que visa identificar os materiais descartados pela indstria da

    construo civil de 10(dez) empresas geradoras de RCD, bem como identificar, para efeito de

    estudos de impacto ambiental, 11(onze) pontos de deposio irregular de RCD e a possvel

    reutilizao desses materiais. Os resultados demonstraram que 91,2% dos materiais so

    resduos classe A, com potencial de reciclabilidade, tendo em vista os descartes de materiais

    cermicos representar no total da amostra 45,5% de todo o material observado, seguido de

    argamassas com (23,6%), de concreto (14,1%) e da areia (8,0%), ficando os 8,8% restantes

    destinados ao descartes de plsticos, gesso e madeira. Apesar da falta de uma destinao

    adequada, tanto as empresas quanto o Poder Pblico do referido municpio, tentam se adequar

    ao que determina a Resoluo 307, em especial, no que se refere ao beneficiamento dos RCD,

    implantando uma usina de reciclagem no aterro remediado Raso da Catarina,

    proporcionando assim, emprego e renda populao. Esta pesquisa tambm prope aes

    futuras que podero colaborar na realizao de estudos de viabilidade tcnica utilizando

    agregados de RCD na produo de agregados para pavimentao, confeco de blocos sem

    funo estrutural, peas para o meio fio, entre outros, beneficiando a populao e o Municpio

    de Petrolina.

    Palavras-chave: resduos slidos, resduos de construo civil, gerao de RCD.

  • vii

    ABSTRACT

    Besides the fact that it is the cause of some environmental impact due to the great

    consumption of raw material and generation of residues, construction engineering is

    recognized as one amongst the most important activities that contributes to the economic and

    social development of our country. Within underdevelopment countries the generation of

    CDW (Construction and Demolition waste) in demolition works between the years 94-99

    varied from 32 to 99 tons/year. CDW in Brazil is not different. In 2005, a research carried in

    11 municipalities showed that the medium CDW was 59% as well. The municipality of

    Petrolina is located in the arid backlands of the state Pernambuco, the current population is

    268,339 and still doesnt own a system for management of the CDW as required in the

    resolution 307 of CONAMA(2002) (National Council for Environmental Issues). Willing to

    contribute to the solving of this problem, the present dissertation brings a survey of variability

    of CDW in the municipality of Petrolina and verifies its recycling potential. The research is

    based on exploratory and descriptive field work and aims to identify the varied waste material

    discarded through the work of ten civil engineering companies and also to identify 11(eleven)

    points of irregular discard and the possible re-use of the discarded material. Results show that

    91, 2% of residues are class A, waste with recycling potential. 45, 5% of the waste is ceramic,

    23, 6% is mortar, 14, 1% is concrete and 8% is sand. The other 8, 8% are discard of wood,

    plastic and plaster. Despite the lack of place for disposal, private and governmental companies

    try to adjust themselves to what is required in resolution 307, specially regarding to recycling

    of CDW.There have been implemented a recycling industry in a disposal area called Raso da

    Catarina therefore providing jobs for the population. The present work of study also suggests

    some future action that may collaborate in studies for the use of CDW aggregates for paving,

    blocks with non-structural function and pieces for sidewalk, benefitting population and

    municipality as a whole.

    Keywords: solid waste, construction engineering waste, CDWs generation.

  • viii

    LISTA DE FIGURAS

    Figura 2.1 Fluxograma de Estudo de Gesto Integrada dos RCD.......................................................33

    Figura 2.2- Relao do ngulo de atrito solo-muro com o ngulo de atrito do solo...............................40

    Figura 2.3 - Mquinas e Equipamentos da Usina de RCD de Petrolina/PE...........................................47

    Figura 2.4 - Mquinas e Equipamentos da Usina de RCD de Petrolina/PE...........................................47

    Figura 2.5 Mapa da Regio Integrada de Desenvolvimento Econmico Integrado RIDE So

    Francisco.................................................................................................................................................48

    Figura 2.6 - Classificao dos solos do municpio de Petrolina.............................................................51

    Figura 4.1 - Entulhos lanados no aterro Raso da Catarina antes da remediao..............................67

    Figura 4.2 - Processo de remediao do aterro Raso da Catarina......................................................68

    Figura 4.3 - Vista geral do aterro em fase final de remediao do aterro..............................................68

    Figura 4.4 - Construo e equipamentos para a instalao da usina de RCD........................................69

    Figura 4. 5 - Localizao dos Pontos de Deposio Irregular de RCD..................................................70

    Figura 4.6 - Disposio e descarrego dos Entulhos no Ponto de Deposio..........................................73

    Figura 4.7 - Deposio Irregular - Ponto 01, a) localizao, b) composio gravimtrica....................75

    Figura 4.8 - Deposio Irregular - Ponto 02, a) Localizao, b) Composio gravimtrica..................75

    Figura 4.9 - Deposio Irregular - Ponto 03, a) Localizao, b)Composio Gravimtrica.................76

    Figura 4.10 - Deposio Irregular - Ponto 04, a) Localizao, b)Composio Gravimtrica...............77

    Figura 4.11 - Deposio Irregular - Ponto 05, a) Localizao, b) Composio Gravimtrica...............78

    Figura 4.12 - Deposio Irregular - Ponto 06 a) Localizao, b)Composio Gravimtrica................78

    Figura 4.13 - Deposio Irregular - Ponto 07 a) Localizao, b)Composio Gravimtrica................79

    Figura 4.14 - Deposio Irregular - Ponto 08 a) Localizao, b)Composio Gravimtrica.................80

    Figura 4.15 - Deposio Irregular - Ponto 09 a) Localizao, b) Composio Gravimtrica................80

    Figura 4.16 - Deposio Irregular - Ponto 10 a) Localizao, b)Composio Gravimtrica.................81

    Figura 4.17 - Deposio Irregular - Ponto 11 a) Localizao, b)Composio Gravimtrica.................82

    Figura 4.18 Composio dos RCD nos locais de deposio irregular.................................................82

    Figura 4.19 Composio dos 11 pontos de deposio irregular de RCD............................................84

  • ix

    LISTA DE QUADROS

    Quadro 2.1 - Contribuio Individual das Fontes de Origem em (%) dos RCD......................27

    Quadro 2.2 - Composio do RCD em diversas cidades brasileiras...................................... 29

    Quadros 4.1 - Dados das Empresas..........................................................................................57

    Quadro 4.2 - rea de atuao das Empresas............................................................................59

    Quadro 4. 3 - Procedncia dos entulhos gerados no ano de 2007............................................60

    Quadro 4.4 - Materiais que constituem o entulho no ano de 2007...........................................61

    Quadro 4.5 - Tipo de veculo/Responsvel pela remoo e Local de deposio.....................62

    Quadro 4.6 - Adequao das empresas quanto minimizao de perdas de material.............63

    Quadro 4.7 - Pontos Crticos de Deposio monitorados........................................................64

    Quadro 4.8 - Quantitativo do volume de resduos pelas empresas coletoras em 2006............66

    Quadro 4.9 - Quantitativo do volume de resduos pelas empresas coletoras em 2007............66

    Quadro 4.10 - Localizao dos Pontos de Deposio de RCD................................................72

    Quadro 4.11 - Quantitativo de RCD em pontos irregulares no Municpio de Petrolina..........74

    Quadro 4.12 - Resumo do Quantitativo de RCD......................................................................83

    Quadro 4.13 - Resduos classe A com potencial de reciclagem para agregado........................83

    Quadro 4.14 - Composio dos RCD das cidades do Recife/PE e Petrolina/PE......................85

  • x

    LISTA DE SIGLAS

    ABNT - Associao Brasileira de Normas Tcnicas

    Att's - reas de Transbordo e Triagem

    Bswh - Clima rido,chuvas de inverno,chuvas de vero,seco e quente

    CBIC - Cmara brasileira da Indstria da Construo

    CC - Construo Civil

    CEF - Caixa Econmica Federal

    CEFET/PET - Centro Federal de Educao Tecnolgica de Petrolina

    COHAB/PE - Companhia de Habitao Popular do Estado de Pernambuco

    CONAMA - Conselho Nacional do Meio do Meio Ambiente

    CREA - Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia

    CTR - Companhia de Tratamento de Resduos

    CUR - Centro Holands para Pesquisa e Cdigos em Engenharia

    DETRAN - Departamento Estadual de Trnsito

    EDUFBA - Editora da Universidade Federal da Bahia

    EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuria

    GPS - Global Positioning System - Sistema de Posicionamento Global

    IBAMA - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente

    IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica

    NBR - Norma Brasileira

    PED Pediplanos

    PMP - Prefeitura Municipal de Petrolina

    POLI/UPE - Escola de Engenharia da Universidade de Pernambuco

    PRR - Postos de Recebimento de Resduos

    RCD - Resduos de Construo e Demolio

  • xi

    RIDE - Regio de Desenvolvimento Econmico Integrado

    RSU - Resduos Slidos Urbanos

    SAQ - Macro-unidade Arenito-Quartzosa

    SER - Macro-unidades Serra e Serrotes

    SWANA - Associao de Resduos Slidos da Amrica do Norte

    TAB Tabuleiro

    TF - Terrao Fluvial

    UFPE - Universidade Federal de Pernambuco

    UNIVASF - Universidade Federal do Vale do So Francisco

    ZAPE - Zoneamento Agroecolgico do Estado de Pernambuco

  • xii

    Sumrio

    Captulo I Introduo.....................................................................................

    15

    1.1.Consideraes Gerais......................................................................................... 15

    1.1.1. Identificao do Problema de pesquisa............................................................. 15

    1.2. Justificativa......................................................................................................... 17

    1.3. Objetivos............................................................................................................. 19

    1.3.1. Geral.................................................................................................................. 19

    1.3.2. Especficos........................................................................................................

    19

    1.4. Estrutura da Dissertao................................................................................... 19

    Captulo II - Reviso da Literatura..............................................................

    21

    2.1. Resduos Slidos Urbanos RSU..................................................................... 21

    2.1.1. Conceitos.......................................................................................................... 21

    2.1.2. Classificao dos Resduos Slidos Urbanos................................................... 21

    2.1.2.1.Quanto sua Origem...................................................................................... 21

    2.1.2.2 Quanto a Periculosidade................................................................................. 22

    2.1.3. Classificao de Resduos de Construo e Demolio...................................

    2.1.3.1.Segundo Caractersticas Regionais.................................................................

    2.1.3.2.Segundo a Resoluo 307/02 do CONAMA..................................................

    23

    24

    25

    2.2. Gerao de RCD................................................................................................ 26

    2.2.1. Definies e Breve Histrico............................................................................ 26

    2.2.2. Gerao de RCD no Brasil e no Mundo........................................................... 27

    2.2.3. Gerao de RCD na cidade do Recife-PE......................................................... 30

    2.2.4.Gerao de RCD no municpio de Petrolina-PE................................................ 30

    2.3. Gesto de RCD...................................................................................................

    31

    2.3.1. Reduo dos RCD............................................................................................. 36

    2.3.2. Reutilizao dos RCD....................................................................................... 37

    2.3.3. Reciclagem dos RCD........................................................................................

    38

  • xiii

    2.4. Legislao............................................................................................................

    41

    2.4.1. Legislao Internacional................................................................................... 41

    2.4.2. Legislao Nacional..........................................................................................

    41

    2.5. Gesto de RCD no municpio de Petrolina/PE................................................

    44

    2.6. Caractersticas Geo-Ambientais no municpio de Petrolina-PE................... 47

    2.6.1. Generalidades.................................................................................................... 47

    2.6.2.Caractersticas Fisiogrficas.............................................................................. 49

    2.6.3.Clima e Vegetao............................................................................................. 49

    2.6.4.Caractersticas Geolgicas, Geomorfolgicas e Pedolgicas de Petrolina........ 49

    Captulo III - Materiais e Mtodos................................................................ 52

    3.1. Campo de Aplicao..........................................................................................

    52

    3.2. Tipo e Natureza da Pesquisa.............................................................................

    52

    3. 3. Coleta de Dados.................................................................................................

    52

    3.4. Tratamento e Anlise dos Dados...................................................................... 53

    3.4.1.Descrio das Empresas Estudadas................................................................... 54

    3.4.2.Estimativa de Gerao de RCD no Municipio de Petrolina.............................. 55

    3.4.3.Segregao dos RCD......................................................................................... 55

    3.4.4.Mapeamento do destino final dos RCD.............................................................

    56

    Captulo IV - Resultados e Discusses..........................................................

    57

    4.1.Generalidades......................................................................................................

    57

    4.2.Identificao do setor produtivo construtoras.............................................. 57

    4.2.1.Dados da Empresa.............................................................................................. 57

    4.2.2.rea de Atuao das Empresas.......................................................................... 58

    4.2.3.Procedncias dos Entulhos Gerados.................................................................. 59

    4.2.4.Materiais que Constituem o Entulho.................................................................. 60

    4.2.5.Tipo de veculo/Responsvel pelo bota fora/Legalidade dos locais de deposio

    dos RCD.....................................................................................................

    62

  • xiv

    4.2.6.Adequao Quanto Minimizao de Perdas e Gerao de RCD....................

    63

    4.3.Identificao dos Pontos Crticos de RCD Monitorados pelo Poder Pblico/

    Empresas Coletoras...................................................................................................

    4.4.Identificao do Volume de RCD Coletado pelas Empresas Coletoras........

    4.5.Identificao de RCD no Aterro do Municpio...............................................

    4.6.Localizao dos Pontos de Deposio Irregular de RCD...............................

    4.7.Composio dos RCD em Pontos Irregulares no Municpio de Petrolina.....

    4.8.Resumo Geral da Composio de RCD dos Pontos de Deposio

    Irregular.................................................................................................................... 4.9. Detalhamento das Informaes dos RCD no Municpio de Petrolina..........

    4.10.Potencialidade de Reaproveitamento dos RCD em Petrolina.......................

    Captulo V - Concluses e Sugestes.............................................................

    5.1.Concluso.............................................................................................................

    5.2.Sugestes para Trabalhos Futuros........................................................................

    Referncias Bibliogrficas................................................................................

    Apndices................................................................................................................

    Glossrio.................................................................................................................

    64

    65

    67

    69

    73

    82

    85

    86

    88

    88

    89

    90

    96

    110

  • 15

    CAPTULO I INTRODUO

    1.1 Consideraes gerais

    O processo de urbanizao por que vem passando o Brasil a partir da dcada de 1950,

    com o conseqente adensamento dos centros urbanos, tem feito com que muitas cidades

    brasileiras, em especial aquelas que crescem de forma acelerada, sofram graves problemas

    ambientais, sociais e sanitrios.

    Os problemas sanitrios so provocados principalmente pelo gerenciamento

    inadequado dos Resduos Slidos Urbanos (RSU), entre eles os resduos provenientes da

    indstria da construo civil. Esses entulhos so lanados de forma desordenada nas ruas,

    praas, crregos e terrenos baldios provocando riscos ao ser humano e ao ambiente, onde

    proliferam animais peonhentos e, principalmente o mosquito transmissor da dengue. Pases

    como os Estados Unidos e Alemanha j adotaram uma poltica de reciclagem e destino final

    desses resduos (JOHN & AGOPYAN, 2003).

    No Brasil, a preocupao com resduos slidos urbanos, de uma maneira geral,

    relativamente recente. A Resoluo n. 307 do Conselho Nacional de Meio Ambiente

    CONAMA (2002), em vigor desde 02 de janeiro de 2003, vem direcionando normas que

    disciplinam as atividades econmicas e de desenvolvimento urbano responsveis por esse

    quadro de degradao.

    Em decorrncia desta resoluo, os municpios esto desenvolvendo um plano

    integrado de gerenciamento de Resduos da Construo e Demolio (RCD) que estabelece a

    responsabilidade dos rgos geradores, sejam pblicos ou privados, de implantarem uma

    poltica de manuseio desses resduos.

  • 16

    1.1.1. Identificao do Problema de Pesquisa

    Visualizando o problema dos resduos slidos no universo da gesto ambiental urbana,

    o gerenciamento dos Resduos de Construo e Demolio apresenta-se como uma questo de

    difcil soluo. No Brasil, tal problema ocorre devido ao crescimento da populao urbana,

    impulsionada pelo xodo rural, e pela melhoria da renda, resultando na necessidade de novas

    moradias para essa populao.

    Muito embora, a construo civil brasileira venha introduzindo novos modelos de

    gesto, novas tecnologias e novos materiais, visando reduzir a gerao dos RSU, ainda

    representa de 13 a 67% em massa dos resduos slidos urbanos (JOHN, 2000; ANGULO

    2005).

    Para o promotor do meio ambiente do Estado de So Paulo, Lus Roberto Jordo

    Wakim,

    importante e necessrio que os gestores pblicos municipais passem a

    abordar o problema do gerenciamento dos RCD sem solues emergenciais

    ou corretivas, que tanto propiciam o aterramento de reas naturais.

    fundamental que o Ministrio Pblico atue ativamente na fiscalizao e

    participe do processo de reflexo para se alcanar uma nova gesto

    municipal (WAKIM, 2007).

    A administrao do municpio de Petrolina, cidade de aproximadamente 260.000

    habitantes, situada margem esquerda do rio So Francisco, no estado de Pernambuco, atenta

    legislao, vem se preocupando com a deposio irregular dos RCD. Para isso, criou um

    projeto de implantao de uma usina de reciclagem em uma rea de deposio de 22 hectares,

    denominado Raso da Catarina, que ser utilizada para beneficiar os RCD do municpio.

    Diante do exposto, a questo central deste projeto de pesquisa : Como equacionar os

    problemas gerados pelos RCD da cidade de Petrolina/PE?

  • 17

    Visando contribuir com o estudo desta problemtica, a presente dissertao realiza um

    diagnstico dos RCD, identificando as empresas geradoras de RCD, certificando-se quanto ao

    atendimento da Resoluo 307; quantifica o volume de RCD depositado clandestinamente no

    Municpio; identifica a composio gravimtrica desses resduos; classifica pedologicamente

    a rea de deposio clandestina, alm de apresentar a destinao final do RCD no municpio

    de Petrolina/PE

    1.2. Justificativa

    Os Resduos Slidos Urbanos (RSU) tm, cada vez mais, influncia direta na

    qualidade de vida do ser humano, sendo, portanto, fonte de preocupao e de busca de

    soluo por parte do governo federal e seus ministrios. Os RSU so vistos como parte

    importante do saneamento dos ambientes urbanos. Entre eles, encontram-se os Resduos de

    Construo e Demolio RCD provenientes, segundo a Resoluo n. 307 do CONAMA

    (2002), de construo, reformas, reparos e demolies de obras de construo.

    A grande quantidade de resduos produzidos pela construo civil est diretamente

    relacionada a fatores do tipo: falta de qualificao do trabalhador, a no utilizao de novas

    tecnologias (equipamentos e processos construtivos), alm do alto grau de desperdcio

    identificados nas obras.

    Segundo ZORDAN (1997), existe uma necessidade de maiores estudos no que se

    refere a uma melhor destinao dos materiais descartados de uma construo dos municpios

    das cidades brasileiras, do ponto de vista da viabilidade tcnica e do uso dos RCD.

    Pesquisas indicam que as perdas da construo civil brasileira contribuem para a

    gerao de RCD. Segundo CAVALCANTI (2003), o entulho que sai dos canteiros de obras

    composto, em mdia, por 64% de argamassa, 30% de componentes de vedao, e 6% de

  • 18

    outros materiais. Para SOUZA (2005), este desperdcio representa em mdia 120 kg/m de

    RCD por obra.

    Estudar a sustentabilidade na construo civil, tema de grande importncia, j que a

    indstria da construo causa impacto ambiental ao longo de toda a sua cadeia produtiva

    (SPOSTO, 2006), alm de ser, segundo o CIB (2000: 17), a indstria da construo, um

    grande contribuinte do desenvolvimento scio-econmico em todos os pases.

    Nos ltimos anos, a construo civil tem avanado na reduo dos desperdcios, obtido

    principalmente por meio de programas de reduo de perdas e implantao de sistemas de

    gesto da qualidade. O aproveitamento de RCD deve ser uma das prticas a serem adotadas

    na produo de edificaes, visando um processo sustentvel ao longo dos anos,

    proporcionando economia de recursos naturais e minimizando o impacto ao meio-ambiente. O

    potencial de reaproveitamento e reciclagem de RCD significativo, e a exigncia da

    incorporao destes resduos em determinados produtos tende a ser benfica, j que

    proporciona economia de matria-prima e energia.

    A importncia terica da presente pesquisa est relacionada com a atualidade do tema

    para a indstria da construo civil brasileira, que passa por profundas mudanas, tentando se

    adequar a um processo de produo ambientalmente correto, socialmente justo e

    economicamente vivel, bem como da necessidade de se contribuir com o entendimento das

    transformaes por que passa o setor diante tantos desafios.

    O trabalho, que servir tambm como subsdio ao municpio de Petrolina e demais

    municpios circunvizinhos, tomadores de decises, na elaborao de planos e de

    gerenciamento de resduos e reciclagem que estejam voltados realidade da regio na qual

    est inserida.

  • 19

    1.3. Objetivos

    1.3.1. Objetivo Geral

    A pesquisa tem como objetivo geral identificar, caracterizar e descrever os Resduos

    de Construo e Demolio para as diversas formas de aproveitamento no Municpio de

    Petrolina/PE.

    1.3.2. Objetivos Especficos

    Identificar o setor produtivo (empresas construtoras) no municpio de Petrolina/PE.

    Identificar e caracterizar os locais de deposio de RCD no municpio de Petrolina/PE.

    Averiguar e mapear as destinaes irregulares dos RCD no municpio de Petrolina/PE.

    Avaliar a composio gravimtrica dos Resduos de Construo e Demolio do

    municpio de Petrolina.

    1.4. Estrutura da Dissertao

    Esta dissertao esta dividida em cinco captulos, que esto descritos a seguir:

    No Captulo I, abordam-se as consideraes gerais sobre os RCD, a identificao do

    problema que envolve a pesquisa e os objetivos que regem a mesma.

    No Captulo II, apresenta-se um histrico dos Resduos de Construo e Demolio -

    RCD no Brasil e no mundo, do volume gerado em algumas cidades brasileiras, das normas

    que estabelecem a sua utilizao, bem como informaes de possveis tipos de

    reaproveitamentos dos materiais a partir do acompanhamento das instalaes de uma usina de

    reciclagem no municpio de Petrolina. Ainda neste captulo, aborda-se a legislao ambiental

  • 20

    no Brasil, focando a Resoluo 307 do CONAMA, sua evoluo e seu impacto no Brasil, nas

    Prefeituras e no mercado de Resduos da Construo. Tambm so apresentadas experincias

    de gerenciamento de RCD nas cidades de So Paulo, Belo Horizonte, Salvador e Recife,

    verificando como elas esto lidando com a reciclagem de resduos.

    O Captulo III trata dos materiais e mtodos utilizados, verificando o campo de

    atuao do trabalho, a natureza da pesquisa, bem como o tratamento e a anlise de dados

    levantados pelo estudo.

    O Captulo IV apresenta os resultados obtidos da pesquisa e os interpreta para as

    condies em que se encontram os RCD no municpio em estudo, desde o bota fora pelas

    empresas, aos que so encontrados em terrenos baldios e os que chegam ao aterro remediado.

    O Captulo V apresenta as concluses obtidas na pesquisa para o emprego em obras de

    engenharia, alm de sugestes de temas de pesquisa para futuros trabalhos acadmicos.

    Por fim, so apresentadas as referncias bibliogrficas que foram utilizadas para fornecer

    subsdios ao trabalho do pesquisador.

  • 21

    CAPTULO II: REVISO DA LITERATURA

    2.1. Resduos Slidos Urbanos

    2.1.1. Conceitos

    A ABNT atravs da NBR 10.004 (1987) define os resduos slidos como:

    Resduos nos estados slido e semi-slido, que resultam de atividades de

    comunidades, de origem industrial, domstica, hospitalar, agrcola, de

    servios e varrio. Alm de lodos provenientes de sistemas de tratamento

    de gua, aqueles gerados de equipamentos e instalaes de controle de

    poluio, bem como determinados lquidos cujas particularidades tornem

    invivel o seu lanamento na rede pblica de esgoto ou corpos de gua ou

    exijam para isso, solues tcnicas e economicamente inviveis em face de

    melhor tecnologia disponvel (ABNT, 1987 p...).

    2.1.2. Classificao dos Resduos Slidos Urbanos

    Entre as classificaes dos resduos, pode-se destacar quanto origem e

    periculosidade.

    2.1.2.1. Quanto a sua origem

    De acordo com DAlmeida et al. (2000) apud Pinheiro (2005), os resduos slidos so

    classificados, quanto sua origem, em:

    Domiciliar - aqueles oriundos do dia-a-dia das residncias, constitudos por restos de

    alimentos, jornais, revistas, produtos deteriorados, fraldas descartveis, e tantas outras

    diversidades de itens;

    Comercial - aquele que provm dos vrios estabelecimentos comerciais e de servios,

    tais com: lojas, supermercados, bancos, bares e outros;

  • 22

    Pblico - que so originados pelos servios de limpeza pblica (das vias pblicas,

    galerias, crregos e terrenos, restos de podas de rvores, etc.), e de limpeza de feiras

    livres;

    De servios de sade e hospitalar - constituem de resduos spticos. Que so

    produzidos em hospitais, clnicas, laboratrios, clnicas veterinrias, farmcias, posto de

    sade, etc. Produtos como: seringas, gases bandagens, agulhas, algodes, luvas

    descartveis, remdios com prazos de validade vencidos, instrumentos de resina

    sinttica, filmes de Raios-X, etc;

    De portos, aeroportos, terminais rodovirios e ferrovirios - basicamente originam-

    se de material de higiene, asseio pessoal e restos de alimentao que podem encaminhar

    doenas entre cidades, estados e paises;

    Industrial - aqueles originados pelas atividades das indstrias de metalurgias, qumicas,

    papeleiras, petroqumicas, alimentcias e consideradas txicos ao homem e ao meio

    ambiente. Esses resduos podem ser representados por: plsticos, cinzas, madeiras,

    fibras, borrachas, escrias, cermicas, vidros, metal, leos, resduos alcalinos ou cidos,

    etc;

    Agrcola - resduos originados das atividades agrcolas e da pecuria, como: embalagens

    de adubos, defensivos agrcolas, restos de colheitas, etc;

    Entulho - resduos de construo civil, provenientes das obras de construo e de

    demolio de obras civis, alm de restos de solos de escavaes e outros.

    2.1.2.2. Quanto a Periculosidade

    A Associao Brasileira de Normas Tcnicas (ABNT) elaborou normas referentes

    classificao dos Resduos atravs da NB 10.004/1987; lixiviao de resduos e

  • 23

    procedimentos NB 10.005/1987; solubilizao e procedimentos de resduos NB 10.006/1987;

    e amostragem dos resduos NB 10.007/1987, vinculando-as entre si.

    A partir de ensaios normatizados, a norma tcnica NBR 10.004/2004 (que classifica os

    resduos conforme seus riscos ao meio ambiente e a sade pblica), revisada em 2004, a partir

    de referida norma elaborada em 1987 classifica os resduos quanto periculosidade, em trs

    classes correspondentes: Perigosos, No Inerte e Inerte.

    Resduos perigosos (Classe I): So considerados perigosos, quando suas propriedades

    fsicas, qumicas e infecto-contagiosas representam riscos a sade pblica ou ao meio

    ambiente. A periculosidade caracterizada por um dos seguintes fatores: inflamabilidade,

    corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenecidade. Exemplo: tintas, solventes, leos

    lubrificantes, lmpadas fluorecentes, composto asfltico, outros.

    Resduo no perigosos no inertes (Classe IIa): So aqueles que, apesar de no apresentar

    riscos sade pblica ou ao meio ambiente, ainda assim podem ser biodegradveis (ex.:

    madeira), combustveis (ex.: txteis) ou solveis em gua (ex.: gesso)

    Resduos no perigosos e inertes (Classe IIb): So aqueles que, quando submetidos

    ensaios de solubilizao (NBR 10006), no liberam compostos que ultrapassem os padres de

    potabilidade da gua, excetuando cor, turbidez, dureza e sabor. Compostos analisados so: As,

    Ba, Pb, Cd, Hg, etc. Exemplo: concretos e argamassas endurecidos; alvenaria; componentes

    de concreto e cermico; azulejo; alumnio; vidro; cobre; plstico; papel; outros.

    2.1.3. Classificao de Resduo de Construo e Demolio

    Os RCD so classificados segundo caractersticas regionais e segundo a Resoluo

    307 do CONAMA (2002).

  • 24

    2.1.3.1. Segundo as Caractersticas Regionais

    A composio dos RCD, dentre outros aspectos, varia em funo de caractersticas

    regionais. Em sua maioria, compostos por restos de argamassa, tijolo, alvenaria, concreto,

    cermica, gesso, madeira, metais etc.

    Com o objetivo de normalizar e facilitar o manuseio e processamento dos RCD nas

    centrais de reciclagem, muito embora esta classificao no tenha sido adotada oficialmente,

    LIMA (1999) elaborou uma proposta de classificao dos resduos de construo e demolio

    em seis categorias:

    Classe 1 - Resduo de concreto sem impurezas, composto predominantemente por concreto

    estrutural, simples ou armado, com teores limitados de alvenaria, argamassa e impurezas

    (gesso, terra, vegetao, vidro, papel etc.);

    Classe 2 - Resduo de alvenaria sem impurezas, composto predominantemente por

    argamassas, alvenaria e concreto, com presena de outros materiais inertes, como areia e

    pedra britada, com teores limitados de impurezas;

    Classe 3 - Resduo de alvenaria sem materiais cermicos e sem impurezas, composto

    predominantemente por argamassa, concreto e alvenaria de componentes de concreto, com

    presena de outros materiais inertes, como areia, pedra britada, fibrocimento, com teores

    limitados de impurezas;

    Classe 4 - Resduo de alvenaria com presena de terra e vegetao: composto

    predominantemente pelos mesmos materiais do resduo da classe 2, mas admitindo a presena

    de terra ou vegetao at uma certa porcentagem, em volume. Um teor de impurezas superior

    ao das classes acima tolerado;

    Classe 5 - Resduo composto por terra e vegetao, predominantemente, com teores acima

    do admitido no resduo da Classe 4. Essa categoria de resduos admite presena de argamassa,

  • 25

    alvenarias e concretos, e de outros materiais inertes, como areia, pedra britada e fibrocimento.

    Os teores de impurezas so superiores aos das demais classes;

    Classe 6 - Resduo com predominncia de material asfltico, com limitaes para outras

    impurezas, como argamassas, alvenarias, terra, vegetao, gesso, vidros e outros.

    2.1.3.2. Segundo a Resoluo 307 do CONAMA (2002)

    A Resoluo do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) N 307,

    resoluo de mbito Nacional, homologada em 5 de julho de 2002, estabelece diretrizes,

    critrios e procedimentos para a gesto dos resduos de construo e demolio, para que

    sejam disciplinadas as aes necessrias, de forma a minimizar os impactos ambientais. Esta

    Resoluo estabeleceu prazos para o enquadramento de municpios e de geradores de RCD

    (CONAMA, 2002).

    De acordo com esta Resoluo podem ser classificados como RCD os resduos

    oriundos da construo, reformas e demolio de edifcios ou obras de infra-estrutura. Desta

    forma, os entulhos podem ser constitudos por telhas, forros, tijolos e blocos cermicos,

    concreto em geral, madeira, argamassa, gesso, tubulaes, vidros, entre outros. E so

    classificados quanto as suas caractersticas de reuso e de reciclabilidade, diferenciando os

    resduos ptreos dos outros tipos de resduos em quatro classes:

    Classe A - resduos reutilizveis ou reciclveis como agregados, tais como:

    a) de construo, demolio, reformas e reparos de pavimentao, e de outras obras de

    infra-estrutura, inclusive solos provenientes de terraplenagem;

    b) de construo, demolio, reformas e reparos de edificaes: componentes

    cermicos (tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento etc.), argamassa e concreto;

    c) de processo de fabricao ou demolio de peas pr-moldadas em concreto

    (blocos, tubos, meios-fios etc.) produzidas nos canteiros de obras;

  • 26

    Classe B - resduos reciclveis para outras destinaes, tais como: plsticos,

    papel/papelo, metais, vidros, madeiras e outros;

    Classe C - resduos para os quais no foram desenvolvidas tecnologias ou aplicaes

    economicamente viveis que permitam a sua reciclagem ou recuperao, tais como os

    produtos oriundos do gesso;

    Classe D - resduos perigosos oriundos do processo de construo, tais como: Tintas,

    solventes, leos e outros, ou aqueles contaminados oriundos de demolies, reformas e

    reparos de clnicas radiolgicas, instalaes industriais e outros.

    2.2. Gerao de RCD

    A produo de grandes volumes de materiais de construo e a atividade de canteiro

    de obras de construo, manuteno e demolio so responsveis por cerca de 20 a 30%

    dos resduos gerados pelos pases. A taxa de variao de volumes gerados de resduos nas

    mdias e grandes cidades do Brasil de 400 a 700 kg/hab.ano. Essa taxa varia de cidade para

    cidade dependendo do tamanho da mesma, do seu desenvolvimento econmico e do momento

    econmico por que passa o pas entre outros fatores, ReCESA (2008).

    2.2.1. Definies e Breve Histrico

    Definem-se Resduos de Construo e de Demolio como todo rejeito de material

    utilizado na execuo de etapas de obras de construo civil (PINTO, 1999). Afastar estes

    resduos dos locais onde so gerados a diretriz predominante nas atividades do sistema de

    gerenciamento dos resduos slidos (GNTER, 2000).

    Vrios autores como JOHN, PINTO entre outros, realizaram trabalhos mensurando os

    resduos gerados na produo de construes tanto no Brasil como no Exterior, chegando

    concluso de que a falta de cultura de reutilizao e de reciclagem a principal causa da

    gerao de entulhos.

  • 27

    Isto explica que depois de gerado o resduo, e no sendo reaproveitado, o mesmo ser

    disposto em qualquer local. Para isto, as alternativas a esses destinos seria a criao de aterros

    para a disposio desses resduos de maneira a no reduzir a vida til do aterro com as

    deposies descontroladas.

    Visando atender a Resoluo 307/02 do CONAMA, aps sua publicao em 05 de

    julho de 2002, os municpios passaram a desenvolver aes de poltica pblica nacional que

    afetaria na qualidade do gerenciamento pblico desses resduos e no volume das perdas.

    2.2.2 Gerao de RCD no Brasil e no mundo

    Investigar a origem da gerao de RCD tem sido uma atividade comum em trabalhos

    de pesquisas tanto para quantificar quanto qualificar os volumes gerados em obras Civis.

    Nos pases mais desenvolvidos, as obras de demolio so maiores que a de

    construo e em conseqncia gera um maior nmero de resduos, tendo em vista, ser comum

    as obras de reforma, renovao e infra-estrutura. Em alguns pases como Alemanha, Estados

    Unidos, Japo e a Europa Ocidental a contribuio na gerao de resduo entre os anos de

    1994 a 1999 variavam entre 32 e 99 ton/ano (PINTO, 1999). O Quadro 2.1 identifica a

    contribuio individual em percentual da gerao dos resduos desses pases.

    Quadro 2.1 Contribuio Individual das Fontes de Origem em % dos RCD.

    Fonte: NGULO (2000). 1. LAURITZEN (1994); 2. PENG et al. (1997); 3. PINTO (1999), JOHN (2000); 4. ZORDAN (1997), HENDRICKS (1993).

    Pas RCD

    Milhes

    (t/ano)

    Resduo de

    Construo

    Milhes

    (t/ano)

    Resduos de

    Demolio

    Milhes

    (t/ano)

    % de

    Resduo de

    Construo

    no RCD

    % de

    Resduos de

    Demolio no

    RCD

    Ano

    Alemanha1 32,6 10 22,6 31 69 1994

    E U A2 31,5 10,5 21 33 66 1994/

    1997

    Brasil3 70 35 35 30-50 50-70 1999

    Japo1 99 52 47 52 48 1993

    Europa

    Ocidental4 215 40 175 19 81

    Previso

    2000

  • 28

    Segundo ANGULO (2000), as principais fontes de ocorrncia para a gerao dos

    RCD, esto:

    na elaborao do projeto, causando erro de contratos e ou modificaes no projeto;

    na interveno, causando excesso ou ausncia de ordens, alm de erros no

    fornecimento;

    na manipulao dos materiais, causando danos durante o transporte dos materiais e

    realizando estoques inadequados;

    na operao e outras aes, causando mau funcionamento dos equipamentos, uso

    de materiais incorretos, sobras de materiais em dosagens, vandalismos e roubos.

    A produo de insumos para a construo civil, alm de consumir recursos naturais,

    tambm produz resduos. Segundo JOHN (2001), em geral, a gerao de RCD antecede ao

    incio da obra.

    O nvel de desenvolvimento da indstria da construo civil, os tipos de materiais

    predominantes, o desenvolvimento de obras consideradas especiais juntamente com o

    desenvolvimento econmico e a demanda de novas construes na regio, interferem na

    quantidade, composio e caractersticas dos RCD. Essa variabilidade na composio dos

    RCD, apresenta caractersticas diferenciadas para cada pas, estado, cidades e municpios,

    justificando a heterogeneidade em sua composio (CARNEIRO, 2005). O Quadro 2.2

    identifica a composio dos RCD em diferentes estados brasileiros onde possvel observar

    um maior percentual de resduos de concreto e argamassa no estado de So Paulo, seguidos

    por Salvador e Florianpolis.

  • 29

    Quadro 2.2 Composio do RCD em diversas cidades brasileiras. Material Origem

    So Paulo/SP1 Ribeiro Preto/SP

    2 Salvador/BA

    3 Florianpolis/SC

    4

    Concreto e

    Argamassa

    Solo e Areia

    Cermica Rochas

    Outros

    33

    32

    30 -

    5

    59

    -

    23 18

    -

    53

    22

    14 5

    6

    37

    15

    12 -

    36

    Fonte: CARNEIRO (2005). 1. BRITO FILHO (1999)citado por JONH (2000); 2. ZORDAN (1997); 3. PROJETO ENTULHO BOM (2001); 4. XAVIER et al. (2002).

    Em 11 municpios brasileiros pde-se definir a origem e o volume mdio de gerao

    de RCD atravs do manual Manejo e Gesto de Resduos da Construo Civil elaborado pela

    (CEF, 2005). Foi constatado neste estudo que 20% da gerao de resduos eram provenientes

    de novas residncias, 21% de edificaes novas, acima de 300m, e que 59% desses resduos

    eram gerados por reformas, ampliaes e demolies.

    Segundo MORAIS (2006), nas obras de demolies so os tijolos e concretos que se

    apresentam com maior representatividade nos resduos. Enquanto que a gerao dos RCD,

    originadas de novas construes, esto nas perdas fsicas resultantes do processo construtivo

    desde a fundao, a elevao das alvenarias, nos revestimentos e acabamentos das

    edificaes.

    Na cidade do Recife, SILVA et al. (2007) diagnosticaram que o ndice de perda de

    materiais cermicos nas novas construes, em particular na fase de acabamento, chega a

    atingir uma mdia de 4,11% durante sua aplicao. So 03(trs) tijolos desperdiados a cada

    1,0m de tijolos assentados, o que representa um ndice de perda mdio de 13,91% na cidade

    do Recife (SIQUEIRA et al., 2008).

    A gerao de resduos tambm influenciada pela forma como se constroem as

    edificaes e como se faz a gesto dos resduos de construo e demolio (OLIVEIRA et al,

    2008). Segundo o autor, 10% de todo o material utilizado em uma obra transforma-se em

    resduo, um percentual significativo do custo total de uma obra.

  • 30

    2.2.3 Gerao de RCD na cidade do Recife-PE

    Segundo SILVA (2003), bastante significativa a gerao de RCD na cidade do Recife.

    Estima-se que 65% a 70% dos resduos procedem da demolio de antigas construes

    enquanto que 30% a 35% dos resduos so de novas construes.

    Por ser uma metrpole em desenvolvimento, vem apresentando alto ndice de novas

    construes em acelerado processo de verticalizao, o que muito preocupante, tendo em

    vista, segundo BARKOKBAS Jr. et al. (2002), s existir at o ano de 2004, uma rea para

    deposio para todos os tipos de resduos da cidade. Ainda segundo os autores, causando

    inmeros pontos de deposio irregular com a falta de fiscalizao por parte do Poder Pblico

    no que se refere ao cumprimento das leis vigentes.

    Em geral, so as construes de prdios de mltiplos andares as principais fontes

    geradoras de RCD no Recife, em mdia 57% do total coletado. Seguida de 17% provenientes

    de reformas e ampliaes trreas, 10% pelas construes de residncias trreas, 7% de coleta

    industrial e servios, 6% de demolies e 3% geradas por servios de limpeza de terrenos

    (CARNEIRO, 2005). Ainda segundo o autor, so 840m de volume dirio de RCD coletado

    na regio, sendo os bairros de Boa Viagem, Graas, Espinheiro e Boa Vista os maiores

    geradores de RCD, tendo em vista o grande nmero de edificaes de mltiplos andares

    existentes no local.

    2.2.4 Gerao de RCD no Municpio de Petrolina-PE

    Nos ltimos anos, a indstria da construo civil, em Petrolina, tem se destacado

    pelo crescimento do nmero de edificaes de mltiplos andares. Porm, as pesquisas sobre a

    gerao de RCD ainda incipiente, PEREIRA JNIOR (2006). O volume de RCD gerados

    no municpio de Petrolina-PE, segundo PINHEIRO (2006), bastante significativo. 48,67 %

    dos RCD gerados na regio so provenientes de obras demolies, 30,83% tm procedncia

  • 31

    de limpeza de terrenos e movimentao de terras, 15,08% tm procedncia de perdas no

    processo construtivo e 5,42% tm outras procedncias. A anlise dos estudos mostrou que os

    resultados obtidos so provenientes de obras de demolies e que os resduos de alvenaria e

    revestimento representam 25,25% de todo o volume de entulho gerado no municpio.

    2.3 Gesto de RCD

    Para definir um modelo de gesto de RCD seja atravs de instrumentos legais e ou

    atravs de um plano de diretrizes do Municpio, o que se deve levar em conta a organizao

    e a orientao do setor quanto a melhor destinao desses resduos.

    Portanto, os atuais 48,67% de RCD gerado no Municpio de Petrolina-PE precisam ser

    reconhecidos e adotados pelos seus geradores de limpeza urbana, assim como se faz

    necessrio, obter solues durveis para a absoro eficiente desses volumes (PINHEIRO,

    2006).

    Para isso, ainda segundo o autor, a proposta de uma gesto diferenciada dos resduos

    de construo e de demolio fundamental para a compreenso da destinao adequada dos

    resduos e deve ser constituda de:

    1. captao mxima de RCD por meio de reas de atrao diferenciada para pequenos e

    grandes geradores e coletores;

    2. reciclagem dos resduos captados em reas especialmente definidas para

    beneficiamento;

    3. alterao de procedimentos e culturas quanto intensidade da gerao, correo da

    coleta e da disposio e possibilidade de reutilizao dos resduos reciclados.

    A gesto de RCD tem como objetivo a melhoria da limpeza urbana, reduo dos

    custos, facilidade de disposio de pequenos volumes gerados e os descartes dos grandes

    volumes gerados, preservao ambiental, incentivo s parcerias e reduo da gerao de

  • 32

    resduos nas atividades construtivas bem como na preservao do sistema de aterros para a

    sustentao do desenvolvimento. Neste pensamento, MARQUES NETO (2005), conforme

    (Figura 2.1), prope ao municpio de So Carlos/SP um sistema de gesto integrada entre as

    prefeituras e o setor gerador, constando de: aprovao de Programas Municipais de

    Gerenciamento de RCD, execuo de Projetos de Gerenciamento de RCD, instalao e

    implementao de reas licenciadas de triagem e reciclagem de RCD, reduo, reutilizao e

    reciclagem dos RCD. Este sistema apresenta propostas de aes estruturadas em um

    planejamento sustentvel e diferenciado para os RCD que eliminam a possibilidade de aes

    corretivas e no preventivas podendo ainda, ser adotado em vrias localidades.

    A publicao da Resoluo 307 do CONAMA de 05 de julho de 2002 veio oferecer

    reforo no combate aos problemas de gerao e de destinao dos resduos de construo e de

    demolio em mbito tanto nacional, como estadual e municipal.

    Alguns estados e municpios programam medidas de reduo dos RCD, analisando os

    princpios gerais para a gesto dos resduos no canteiro, direcionando os trabalhos para a

    reduo, reutilizao, a reciclagem e a valorizao dos resduos da construo, alm de propor

    aes de melhoria na gesto desses resduos.

    Algumas cidades brasileiras como So Paulo, Belo Horizonte e Salvador j

    apresentam sistemas de gerenciamento dos RCD e algumas delas mesmo antes da Resoluo

    307/02 do CONAMA.

  • 33

  • 34

    Na cidade de Belo Horizonte, desde 1993, foi criado um plano pioneiro denominado

    Programa de Correo Ambiental e Reciclagem dos Resduos de Construo (PINTO,

    1999). Este programa de gesto diferenciada prev aes especficas de captao, reciclagem,

    informao ambiental e recuperao de reas degradadas com quatro unidades de recebimento

    para captao de RCD. Esse programa fez parte de um conjunto de aes que constituiu um

    modelo de gesto de resduos slidos de Belo Horizonte premiada pela Fundao Getlio

    Vargas e a Fundao Ford em 1996, como melhores experincias de gesto municipal

    brasileira. Alm disso, a cidade conta com duas usinas de reciclagem que processam os

    materiais utilizando-os em pavimentao e manuteno de vias urbanas, e em servios como

    preparao de vias internas e clulas no aterro municipal, substituindo o solo importado.

    Na cidade de So Paulo, para solucionar o problema dos descartes indevidos de

    resduos de construo, conciliando o crescimento econmico da cidade com a qualidade do

    ambiente para a populao, foi criado em 18 de setembro de 1998 o decreto n. 37 633 que

    Regulamenta a coleta, transporte, a destinao final de entulho, terras e sobras de materiais

    de construo, de que trata a lei n. 10 315, de 30 de abril de 1987, da outras providncias

    (PONTES, 2007).

    Segundo CARNEIRO (2005), o Decreto n. 42. 217/02 da Prefeitura municipal de So

    Paulo veio definitivamente solucionar o problema dos RCD, criando as reas de Transbordo

    e Triagem de Entulhos, as chamadas ATTs, que prev a instalao de pontos de entregas

    voluntrias desses resduos.

    Em Salvador, a adoo de medidas para minimizar os problemas de gerao de

    resduos acontece desde 1981. Em 1996, atravs do Projeto Entulho Bom, EDUFBA (2001),

    foram mapeados pontos de deposio irregular de resduos de construo com objetivo de

    melhorar o ambiente urbano, reduzir os custos com a coleta e beneficiar os pequenos

    geradores. Tais aes visavam a instalao de pontos de descarga de resduos, a educao

  • 35

    ambiental, fiscalizao e monitorao desses pontos e por fim, a remediao de reas

    degradadas.

    Em Recife, as medidas para solucionar os problemas gerados pelos descartes de RCD

    oriundos da construo civil, foram iniciadas somente a partir da Resoluo 307/02 do

    CONAMA. Foi atravs da cartilha Projeto Entulho Limpo/PE de agosto de 2003 elaborada

    pelo grupo AMBITEC da Escola Politcnica da Universidade de Pernambuco - POLI/UPE e

    pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE, e aprovada pelo

    SEBRAE/PE, que determinou os princpios e tcnicas de produo mais limpa para as

    empresas construtoras e a promoo de educao ambiental nos canteiros de obra. O resultado

    do projeto, segundo CARNEIRO (2005), forneceu subsdios para a tomada de decises por

    parte das construtoras e do poder pblico.

    Atravs da referida cartilha, o poder pblico alm de elaborar um Programa de

    Gerenciamento de Resduos da Construo civil sob a forma da lei municipal n.17. 072

    (2005) criou pontos para coleta de at 1m3 de pequenos volumes de RCD.

    Quanto s empresas construtoras geradoras de RCD da cidade de Recife, as mesmas

    encontram-se desenvolvendo trabalhos no sentido de se adequarem Resoluo evitando o

    desperdcio e vislumbrando tcnicas de reutilizao desses resduos. Atravs de pesquisa

    realizada por PONTES (2007), as empresas que adotaram a metodologia Obra Limpa SP e

    ou as que esto desenvolvendo outras adaptaes para atender Resoluo 307 encontram

    dificuldades em conscientizar os funcionrios quanto importncia do gerenciamento dos

    resduos na obra, ou seja, em criar conscincia ambiental aos seus funcionrios. Uma outra

    dificuldade est na falta de soluo para a destinao final de alguns resduos, em especial o

    gesso. Porm, segundo observao do autor, todas as empresas apresentam um canteiro de

    obra mais limpo e procuram se adequar s determinaes da Resoluo 307/CONAMA. Para

  • 36

    o que se faz necessrio, um maior acompanhamento da metodologia adotada e uma maior

    fiscalizao por parte do Poder Pblico.

    No geral, os projetos de gerenciamento que devero ser implantados nos canteiros de

    obras, visam segregao dos resduos, promovendo de acordo com a classe a destinao

    adequada para cada tipo de material. Sendo ento, de responsabilidade do grande gerador

    fazer a triagem, o acondicionamento e o transporte desses resduos.

    A mesma resoluo determina que os geradores dos RCD devam ter como objetivo

    principal a no gerao desses resduos, e secundariamente, a reduo, reutilizao e

    reciclagem. E com essa viso, vrias pesquisas esto sendo desenvolvidas, buscando novas

    possibilidades de reciclagem dos RCD.

    2.3.1 Reduo dos RCD

    A principal forma de se ter uma poltica de reduo dos RCD um planejamento

    adequado de cada passo da obra, evitando-se os desperdcios pelo retrabalho e/ou pela falta de

    previso de uma determinada etapa. Segundo SCHNEIDER (2003), o planejamento de

    minimizao dos RCD deve acontecer j no incio da obra, em especial, especificando os

    materiais quanto sua durabilidade e uma possvel reciclabilidade. Ainda segundo o autor,

    alguns pases como: Alemanha, Coria e Japo, introduziram instrumentos regulatrios ou

    econmicos nessa rea. Com leis de recomendaes para o maior uso de materiais reciclados

    e ou reciclveis.

    Na cidade de So Paulo, at o ano de 2002, o municpio limitava-se a proibir a

    deposio em vias e logradouros pblicos estabelecendo a responsabilidade ao poder pblico

    quanto coleta transporte e destinao de at 50 kg /dia por gerador (SANTOS, 2007).

  • 37

    Em Recife, a forma encontrada para reduo dos RCD, veio a partir de 04 de janeiro

    de 2005 atravs da lei municipal n.17.072 que estabelece critrios de gerenciamento desses

    resduos para o municpio. So eles:

    1 - identificar os grandes e pequenos geradores;

    2 - proibir qualquer volume de deposio de RCD, de podao e jardinagem em

    volumes superior a 100 l/dia;

    3 - classificar, segregar e identificar os RCD gerados no local de origem;

    4 - obter a licena de operao da obra para o incio das atividades, bem como a

    aprovao do rgo de limpeza urbana do municpio atravs de um projeto de

    gerenciamento para cada canteiro de obra;

    5 - apresentar Secretaria de Planejamento juntamente com o pedido de alvar, o

    projeto de gerenciamento dos RCD;

    6 - criaes de Instalaes para o recebimento dos RCD (os PRR - Posto de

    Recebimento de Resduos).

    2.3.2. Reutilizao dos RCD

    Segundo a resoluo 307 do CONAMA, reutilizao o processo de reaplicao de

    um resduo, sem que o mesmo tenha sido transformado.

    O reaproveitamento de resduos slidos como materiais para a construo civil,

    segundo BRUM et al. (2000), so de fundamental importncia, pois so alternativas de

    controle e de minimizao dos problemas ambientais causados pela gerao de subprodutos

    de atividades urbanas e industriais.

    Estudos mostram que os resduos produzidos numa obra podem ser reutilizados na

    mesma obra, desde que utilizados procedimentos adequados e disponibilidade de recursos que

    podero ser utilizados para esse aproveitamento. Esses procedimentos e disponibilidades de

  • 38

    recursos dependero das caractersticas socioeconmicas e culturais de cada municpio.

    Aterramento, base e sub-base de pavimentao, so alguns dos mais usuais procedimentos de

    reutilizao dos RCD.

    Em pases como: Holanda, (1997); Dinamarca, (1997); Blgica, (1998); Alemanha,

    (2001) e Sucia, (2002), um dos instrumentos mais utilizados para facilitar o

    reaproveitamento dos RCD, so a triagens obrigatrias desses materiais no local de sua

    gerao com o intuito de prevenir o solo quanto deposio de materiais reciclveis e

    reutilizveis (MURAKAMI et al., 2002).

    Em Recife, estudos desenvolvidos por CARNEIRO (2005), identificam a reutilizao

    do RCD para o municpio que segundo a autora, deve atingir um menor custo e um

    aproveitamento ambientalmente adequado em uso na produo de componentes de concreto,

    em base e sub-base de pavimentao e em aterramento. Segundo ROCHA e SPOSTO (2005),

    respeitando sempre as caractersticas scio-econmica e cultural da regio.

    2.3.3. Reciclagem dos RCD

    Na escala social, alm dos benefcios trazidos pela aplicao de materiais reciclados

    como forma de gerao de emprego e reduo nos custos de construo de habitaes

    populares, pode-se afirmar atravs dos estudos (EPA, 1998, citado por JOHN, 2000, p.30),

    que estes benefcios aumentam a competitividade.

    A reciclagem de RCD iniciou-se na Europa, onde a frao de material reciclado

    provenientes de resduos de construo chega a atingir cerca de 90%. o caso da Holanda,

    que segundo HENDRICKS (2000), j discute a certificao do produto reciclado. Diferente

    do que se encontra no Brasil, onde a reciclagem de materiais de RCD encontra-se ainda em

    fase de pesquisa LIMA (2003).

  • 39

    Apesar do pequeno nmero de estudos realizados no Brasil em RCD utilizados em

    dosagens estruturais, os resduos de construo se comparado com outros resduos apresentam

    grande potencial de reciclabilidade (OLIVEIRA et al., 2007).

    Existem no Brasil, aproximadamente, 13 usinas de reciclagem de RCD. A primeira,

    inaugurada em 1991, denominada usina de entulho de Itainga, localizada na zona sul de So

    Paulo, e outras como as de Londrina no Paran e as de Belo Horizonte em Minas Gerais

    (ZORDAN, 1997 citado por SANTOS, 2007). Desde ento, vrios municpios brasileiros,

    geralmente controlados pelo Poder Pblico, prosseguem com as construes das unidades de

    instalaes de reciclagem, Em geral, no h reciclagem massiva no Brasil, muito embora,

    exista uma preocupao crescente para com o beneficiamento desse material.

    Em dezembro/2007 foi inaugurada no Brasil mais uma usina de reciclagem para

    beneficiamento de RCD com capacidade de at 300m/dia. A mesma encontra-se localizada

    no bairro de Mangabeira, situada na cidade de Joo Pessoa no Estado da Paraba.

    Para a reciclagem dos materiais e reduo na extrao da matria prima do meio-

    ambiente bem como na diminuio da poluio, algumas possibilidades de reciclagem j esto

    sendo utilizadas em algumas cidades brasileiras, como confeco de blocos de concreto para

    vedao e pavimentao de estradas.

    Em Recife, alguns pesquisadores apresentam propostas para a utilizao dos materiais

    reciclveis, a exemplo de FERREIRA et al. (2006), que desenvolveu estudos que envolvem a

    interao solo-concreto convencional com o agregado reciclado em obras de conteno. O

    estudo foi desenvolvido em dois bairros da cidade do Recife e avalia a rugosidade das

    superfcies em contato com dois tipos de solos, um de areia argilosa (SC) e um outro com

    argila de baixa compressibilidade (CL) de Formao Barreiras. O resultado obtido pelos

    autores apresenta a relao entre o ngulo de atrito solo-muro e o ngulo de atrito do solo

  • 40

    ( ) variando de 3/4 a 1 na areia argilosa (SC) no bairro do Ibura e de 1/3 a 3/4 em funo da

    rugosidade da superfcie de contato na argila (CL) do bairro da Nova Descoberta (Figura 2.2).

    Figura 2.2 - Relao do ngulo de atrito solo-muro com ngulo de atrito do solo. Fonte: FERREIRA et al.(2006).

    Um outro estudo tambm desenvolvido na cidade do Recife foi elaborado por

    OLIVEIRA et al. (2007), que avaliou a resistncia compresso do concreto com uso de

    agregado de RCD, onde fora observado atravs de ensaios uma menor resistncia

    compresso e um maior consumo de cimento, consequentemente obtendo um maior custo

    para a produo do concreto. Mesmo assim, segundo os autores, o aproveitamento desses

    resduos trar grande benefcio ambiental cujo valor de difcil mensurao e contribui para

    resolver um dos problemas urbanos, que a destinao final dos RCD.

    Estudos relatam ainda a utilizao de RCD reciclado como agregado mido em

    obras de melhoramento de solo que, segundo SILVA et al. (2008), este RCD na forma

    reciclada apresenta grande potencialidade de uso em estacas de compactao de areia e brita

    devido similaridade encontrada entre as amostras de RCD e o p de pedra. Tal uso tende a

    provocar uma reduo nos custos das obras de melhoramento do solo, alm de contribui para

    a preservao do meio ambiente.

  • 41

    2.4. Legislao

    A legislao e as Normas Tcnicas existentes para os RCD, constituem fundamental

    importncia para a elaborao de trabalhos cientficos bem como para direcionar os agentes

    geradores de resduos, a sua aplicabilidade e reutilizao nos canteiros de obras.

    2.4.1. Legislao Internacional

    Preocupados com as questes ambientais, pases como Estados Unidos, Japo,

    Alemanha e Holanda, criaram instituies para o desenvolvimento de reciclagem de materiais

    de RCD. So elas;

    Estados Unidos: Associao de Resduos Slidos da Amrica do Norte (SWANA);

    Japo: Sociedade de Construtores do Japo (B.S.S.J.); Comit Tcnico 121 DRG

    (Demolition and Reuse of Concrete) da Unio Internacional de Laboratrios de Ensaios e de

    Pesquisas sobre Materiais e Construes (RILEM).

    Alemanha: Instituto Alemo para a Identificao e Garantia de Qualidade (RAL);

    Comunidade Europia: Comit CEN/TC-154 AHG Recycled Aggregates;

    Holanda: Centro Holands para Pesquisas e Cdigos em Engenharia (CUR);

    2.4.2. Legislao Nacional

    Segundo COSTA (2003), as normas tcnicas representam importante instrumento

    para viabilizar o exerccio da responsabilidade para os agentes pblicos e os geradores de

    resduos. Para isso, foram preparadas normas tcnicas;

    Resduos da construo civil e resduos volumosos - reas de transbordo e triagem -

    Diretrizes para projeto, implantao e operao NBR 15.112/2004 possibilitam o

    recebimento dos resduos para posterior triagem e valorizao. Tm importante papel na

  • 42

    logstica da destinao dos resduos e poder se licenciados para esta finalidade, processar

    resduos para valorizao e aproveitamento.

    Resduos slidos da construo civil e resduos inertes Aterros Diretrizes para

    projeto, implantao e operao NBR 15.113/2004 soluo adequada para disposio dos

    resduos Classe A, de acordo com a Resoluo CONAMA n. 307, considerando critrios para

    reservao dos materiais para uso futuro ou disposio adequada ao aproveitamento posterior

    da rea.

    Resduos slidos da construo civil - reas de reciclagem - Diretrizes para projeto,

    implantao e operao NBR 15.114/2004 possibilitam a transformao dos resduos da

    construo classe A em agregados reciclados destinados a reinsero na atividade da

    construo;

    Agregados reciclados de resduos slidos da construo civil-Execuo de camadas de

    pavimentao Procedimentos; NBR 15.115/ 2004.

    Agregados reciclados de resduos da construo civil Utilizao em pavimentao e

    preparo de concreto sem funo estrutural Requisitos NBR 15.116/ 2004.

    Na esfera Federal, a legislao Brasileira est estruturada em vrios rgos, a saber:

    rgo superior (Conselho do Governo), rgo Central (Secretaria do Meio Ambiente da

    Presidncia da Repblica), rgo Consultivo Deliberativo (Conselho Nacional do Meio

    Ambiente), rgo Executor (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais

    Renovveis)-IBAMA, rgos Seccionais Estaduais, rgos Locais. Como disposto pela lei

    de n. 8.028 de 1990, o CONAMA um rgo consultivo e deliberativo com finalidade de

    assessoria, estudos e propostas ao conselho governamental, estabelecendo polticas e

    diretrizes relativas ao meio ambiente e recursos naturais.

    A assinatura do decreto de n. 4 875/2006, realizada na cidade de So Paulo, tornou

    obrigatrio o uso de material proveniente da reciclagem de RCD nas obras e servios de

  • 43

    pavimentao de vias pblicas da capital paulista. Uma importante iniciativa, pois prev que

    as contrataes de servios de engenharia bem como os seus projetos, devero contemplar o

    uso de materiais reciclados (PONTES, 2007).

    Analisando a legislao na esfera Estadual, a lei n. 12.008 de 2001 que dispe sobre a

    poltica de resduos slidos e suas providncias para o estado de Pernambuco, tem como

    objetivo: proteger o meio ambiente, evitar o agravamento dos problemas dos resduos slidos,

    estabelecerem polticas governamentais para a gesto dos resduos e amplia o nvel de

    informaes existentes integrando o cidado s questes de resduos slidos.

    No mbito municipal, a cidade do Recife esta amparada pela lei municipal n. 16.377

    de 1998, pelo decreto n. 18.082 de 1998 que dispe sobre transporte e os resduos de

    construo e outros no abrangidos pela coleta regular do municpio, prestao de servios de

    coleta, transporte e destinao final de resduos. E pela lei n. 17.072 de 2005 criada para

    atender a resoluo do CONAMA, que estabelece as diretrizes e critrios para o Programa de

    Gerenciamento de Resduos da Construo Civil, a qual define o grande gerador; enquadra os

    pequenos geradores a 1m3/dia; obriga a classificao, separao e identificao dos resduos

    gerados; exige a licena de operao desses resduos e a criao de instalaes para receber os

    resduos em seus pontos de coleta (PONTES, 2007).

    Apesar da ateno que se tem dado em atender as leis e normas estabelecidas no Brasil

    sobre os resduos de construo, a atual legislao ainda pouco expressiva se comparada

    especialmente com as vigentes em outros pases (ANGULO et al., 2004), muito embora, aps

    a implantao dos critrios e procedimentos estabelecidos pela resoluo 307 do CONAMA

    (2002), isso tenha mudado representando uma importante iniciativa para a reduo dos

    materiais de RCD e consequentemente uma minimizao nos impactos ambientais.

  • 44

    2.5. Gesto de RCD no municpio de Petrolina/PE

    Em Petrolina/PE, significativa a gerao de resduos slidos urbanos no municpio,

    acarretando grandes danos sociais, econmicos e ambientais para uma populao de

    aproximadamente 268 000 habitantes. comum identificar deposio irregular de RCD em

    vrios pontos da cidade. prtica comum haver montes de entulhos em praas, terrenos

    baldios, estradas e margens do Rio So Francisco. Nesse entendimento e na necessidade de se

    criar critrios para atendimento da Resoluo 307 do CONAMA, a Prefeitura de Petrolina/PE

    criou um plano de trabalho que contemplar no ano de 2008, a construo de uma usina de

    reciclagem de resduos da construo civil, primeira usina do Estado de Pernambuco com

    capacidade de processamento de 20 toneladas/hora, visando minimizar o impacto ambiental

    causado pelo volume de gerao de RCD e reaproveitar esses resduos na fabricao de

    produtos para a construo civil, bem como gerar emprego e renda para a populao carente

    da regio combatendo assim, a excluso social.

    O projeto contar com a parceria da Universidade do Vale do So Francisco -

    UNIVASF, do Centro Federal de Educao Tecnolgica de Petrolina - CEFET, do Conselho

    Regional de Engenharia e Arquitetura - CREA, da Empresa de Limpeza Urbana Municipal, da

    Secretaria de Urbanismo da Prefeitura Municipal, da Secretaria de Desenvolvimento Social

    Juventude e Cidadania da PM e da Associao e/ou Cooperativa de Catadores de Lixo de

    Petrolina.

    O valor total desse projeto, em 2005, orado em R$ 1.252.661,56 (hum milho,

    duzentos e cinqenta e dois mil, seiscentos e sessenta e hum reais e cinqenta e seis

    centavos), sendo 88,77 % deste valor oriundo do Ministrio da Cincia e Tecnologia do

    Governo Federal, que sero utilizados em despesas correntes para obteno de material de

    consumo, servios de terceiros e compra de mquinas e de equipamentos e, 11,23% do

    mesmo, a ttulo de contrapartida, de responsabilidade da Prefeitura Municipal de Petrolina,

  • 45

    para aquisio do terreno que ser utilizado para a instalao da usina (PREFEITURA

    MUNICIPAL DE PETROLINA, 2005).

    Os resduos de construo que sero beneficiados funcionaro principalmente como

    base e sub-base para pavimentao de ruas e estradas, agregados em pr-moldados para a

    construo civil alm de argamassas e concretos. Pode substituir areia e brita, total ou

    parcialmente, contribuindo para reduo do impacto ambiental causado pela extrao destes

    materiais.

    O desenvolvimento de produtos para a construo civil a partir do entulho reciclado no

    municpio de Petrolina/PE ser feito inicialmente em Laboratrio. Sero pesquisados

    processos para fabricao de blocos para alvenaria e bloquetes para pavimentao, peas para

    meio-fio, etc.

    A estimativa do volume de resduos de construo gerado na cidade, verificando a

    situao atual da deposio final e a avaliao dos principais componentes do resduo, ser

    executada pela equipe tcnica contratada pela prefeitura que caracterizaro o material

    beneficiado atravs de ensaios de: Massa Especfica, Massa Unitria, Granulometria por

    peneiramento, Teor de Material Pulverulento, Impurezas Orgnicas, Inchamento da Areia e de

    Abraso Los Angeles.

    Alm desses ensaios, sero feitos estudo do aproveitamento dos resduos reciclados

    em produtos para a construo civil atravs de testes laboratoriais, estabelecendo-se traos

    indicativos para as diversas finalidades. So testes de: Resistncia a Compresso, Resistncia

    de Aderncia Trao, Absoro de gua por Imerso, Absoro de gua por Capilaridade,

    Reteno de gua em argamassas e de Resistncia trao por compresso diametral.

    Para implantao da usina de reciclagem, foram quantificadas e especificadas

    mquinas e equipamentos para a sua instalao, so eles: Alimentador Vibratrio com

    capacidade de 30 m/h motor eltrico trifsico, Transportador de Correia fixa com capacidade

  • 46

    de transporte de 30 m/h motor eltrico blindado trifsico, Britador de Impacto de 20 t/h em

    circuito aberto passantes em peneira de 60 mm, Calha Metlica em chapa de ao,

    Transportador de Correia Fixo de capacidade de transporte de 40 m/h motor eltrico blindado

    trifsico, Transportador de Correia Mvel com capacidade de transporte de 30 m/h para leira

    de estoque at 4,5m trifsico, Im Permanente, Quadro Eltrico de comando de proteo de

    motores acima de 40CV, Sistema Antip para controle ambiental, com capacidade de 40

    V/rnin, Sistema Anti-Rudo para controle ambiental, com manta de borracha

    antichoque/rudo, Estrutura Metlica de Sustentao tipo desmontvel, Bicas de Transferncia

    em chapa de ao, Peneira Vibratria Apoiada com capacidade de 25 m/h e rea de

    peneiramento 2,5 m, Plataforma Metlica completa com guarda-corpo de segurana e escada

    de acesso, P Carregadeira com potncia bruta do motor maior ou igual a 150 hp, Caminho

    Poliguindaste com capacidade de movimentar container de 5,0 m de capacidade volumtrica,

    Caminho Basculante com Caamba e capacidade de carga til com equipamento 8,9 t com

    caamba basculante de 5,0 m de capacidade volumtrica. Betoneira Giratria com

    capacidade volumtrica de 0,35 m, com motor eltrico trifsico, Mesa Vibratria com

    superfcie mnima de 400 x 150 cm de baixa rotao, Conjunto de Formas para produo de

    pr-moldados do tipo; bloquetes para pavimentao; bloco de fechamento e vedao e peas

    para meio-fios e guias, alm de um Micro-Computador e uma Impressora Matricial (Figura

    2.3 e 2.4).

  • 47

    Figura 2.3 Mquinas e Equipamentos da Usina de RCD de Petrolina-PE. a)Vista do eletrom e correias transportadoras; b) Vista parcial do britador.

    Fonte: O Autor (2008).

    Figura 2.4 Mquina e Equipamentos da usina de RCD de Petrolina PE. a) Obra civil da cabine de comando; b) Vista do britador.

    Fonte: O Autor (2008).

    2.6. Caractersticas Geo-Ambientais no municpio de Petrolina/PE

    2.6.1 Generalidades

    Pernambuco apresenta condies agroecolgicas distintas, com grandes variaes em

    termos de clima, vegetao, solo, recursos hdricos, dentre outros; apresentando ambientes

    com diferentes potencialidades de explorao. O conhecimento destas variaes de

    fundamental importncia quando se pretende implantar uma estratgia de desenvolvimento

    rural em bases sustentveis.

    a) b)

    a)

    a)

    b)

    a)

  • 48

    Petrolina, municpio do estado de Pernambuco, que em 1840 servia apenas como

    travessia do Rio So Francisco, para os viajantes vindo do Cear, Piau e Pernambuco com

    destino a Bahia e ao Sul do Pas, chamava-se Passagem de Juazeiro.

    (http://www.mp.sp.gov.br/acesso em: 4/10/2007).

    Localizada em pleno serto, Petrolina encontra-se s margens do Rio So Francisco,

    faz divisa com o estado da Bahia. Possui terras frteis o que proporciona crescimento e

    desenvolvimento cidade, abrindo portas ao turismo e a execuo de obras de Engenharia.

    Forma o maior aglomerado humano do semi-rido. Integra em conjunto com os municpios de

    Lagoa Grande, Santa Maria da Boa Vista, estes localizados em Pernambuco, e os municpios

    baianos de Juazeiro, Remanso, Casa Nova e Sobradinho, a Regio de Desenvolvimento

    Econmico Integrado - RIDE - So Francisco (Figura 2.5). (EMBRAPA SEMI-RIDO 2001).

    Figura 2.5 Mapa Poltico do Estado de Pernambuco Brasil Fonte: EMBRAPA SEMI-RIDO - 2001

  • 49

    2.6.2 Caractersticas Fisiogrficas do Municpio

    Petrolina est situada margem esquerda do rio So Francisco distante 734 km da

    capital Pernambucana, estando a uma altitude de 376 metros. A sede do municpio de

    Petrolina est localizada na Latitude 9 23' 55" sul e uma Longitude 40 30' 03" oeste com

    uma populao de 268.339 habitantes e uma rea de 4.756,8 Km2 (IBGE, 2007).

    2.6.3 Clima e Vegetao

    O clima nesta rea, segundo a classificao de Kppen, apresenta-se como tropical

    semi-rido, tipo Bswh, seco e quente na parte norte e semi-rido quente estpico na parte sul,

    caracterizado pela escassez e irregularidade das precipitaes com chuvas no vero e forte

    evaporao em conseqncia das altas temperaturas. A temperatura uniforme durante todo o

    ano apresentando uma mdia diria de 25 a 35C com precipitao mdia anual de 400 e 600

    mm, concentrada no perodo de dezembro a abril e a evapotranspirao em torno de 5-6 mm

    por dia. A vegetao constituda por plantas xerfilas devidas s caractersticas climticas da

    regio. Esta vegetao conhecida como "Caatinga" sendo representada pela famlia das

    Cactceas, das Malvceas e das Euforbiceas (EMBRAPA, 2000).

    2.6.4 Caractersticas Geolgicas, Geomorfolgicas e Pedolgicas de Petrolina.

    Segundo MOTTA (2004), as caractersticas geolgicas da regio de Petrolina so

    constitudas litologicamente de paragnaisse, micaxisto e granito, os quais se apresentam

    cortados por finos veios de quartzos, aplitos e pegmatitos que, no micaxisto, chegam a

    apresentar acentuadas espessuras. Em meio a este micaxisto, tm-se intercalaes lenticulares

    locais de quartzito e bastante granada. Estas rochas apresentam-se bastante dobradas e

    trabalhadas pelo metamorfismo regional que ocorreu na rea, como tambm por processos

    hidrotermais, quer decorrentes do metamorfismo regional, quer como conseqncia das

  • 50

    ltimas fases do magmatismo que determinou a intruso do granito. A seqncia de rochas na

    regio, repousando discordante sobre um gnaisse prfiro de seqncia mais antiga, tem, no

    paragnaise o seu membro mais inferior, sobre o qual repousa concordantemente o micaxisto,

    sendo ambas as rochas cortadas pelo granito e por falhamento, portanto, mais recentes que as

    citadas rochas, que apresentam caractersticas que sugerem a sua correlao com a Formao

    Parelhas, da Srie Cear, de idade algonquiana.

    Quanto a sua Geomorfologia, Petrolina, segundo a EMBRAPA (2000), apresenta

    quatorze unidades geomorfolgicas distintas. Estas unidades foram reunidas em cinco macro-

    unidades, de acordo com suas similaridades. a Macro-unidade Tabuleiro, denominada TAB,

    que abrange as unidades tabuleiro Tpico, Misto e Degradado que juntos ocupam cerca de

    64% do territrio municipal; a Macro-unidade Pediplano, denominada PED e abrange as

    unidades Pediplanos Plnico, Podzlico, Vrtico e Litlico, ocupando cerca de 26%

    da rea do municpio; a Macro-unidade Arenito-Quartzosa, denominada de SAQ e

    compreende as unidades morfolgicas Superfcies Arenito-Quartzosa 1 e 2, esta macro-

    unidade ocupa cerca de 4,5% da rea; encontra-se ainda, a Macro-unidade Terrao Fluvial,

    denominada de TF, ocupando rea de 2,5% e compreende as unidades Terrao fluvial 1, 2 e 3

    e por fim, a Macro-unidade Serras e Serrotes, denominada de SER, que compreendem as

    unidades geomorfolgicas Serras e Serrotes 1 e 2. Corresponde a apenas cerca 1% da rea do

    municpio de Petrolina.

    Segundo MOTTA, (2004), as classes de solos que representam a pedologia e que so

    predominantes no municpio de Petrolina so os Latossolos Amarelo e Vermelho-Amarelo; os

    Podzlicos Amarelo e Vermelho-Amarelo; Podzlicos pedregosos (concrecionrios e no);

    Podzlicos Vermelhos-Amarelos (profundos e pouco profundos); Podzlicos vermelhos

    (rasos e pouco profundos); Podzlico Vermelho-escuro; os Planassolos, Cambissolos,

  • 51

    Vertissolos, Regossolos, Solos Aluviais, Areias Quartzosas e os Solos Litlicos que esto

    indicados na Figura 2.6.

    Figura 2.6 - Classificao dos solos do municpio de Petrolina

    Fonte ZAPE-EMBRAPA-2001

  • 52

    CAPTULO III MATERIAIS E MTODOS

    3.1. Campo de Atuao

    O campo de atuao desta pesquisa o setor secundrio da economia, especificamente

    na indstria da construo de edifcios de mltiplos andares do municpio de Petrolina,

    situada margem do Rio So Francisco.

    Observa-se a diversidade das obras de engenharia, desde o arrojo de sua arquitetura

    com edifcios de mais de 12 pavimentos, como nos diferentes processos construtivos

    utilizados em sua execuo.

    Alm das obras civis, sero analisados para efeito de estudos de impacto ambiental, os

    descartes dos RCD em reas de deposio irregular que causam degradao ao ambiente e ao

    ser humano.

    3.2. Tipo e Natureza da Pesquisa

    O estudo em questo consiste em uma pesquisa de campo de natureza exploratria e

    descritiva, visando a identificao dos materiais descartados pela indstria da construo civil

    e a possvel reutilizao desses materiais, seja em blocos ou subleitos de estradas.

    3.3. Coleta de Dados

    A coleta de dados abrange cinco momentos distintos.

    No primeiro momento, inicialmente, foi realizada uma pesquisa bibliogrfica, com o

    objetivo de estabelecer um marco terico que possibilite a elucidao quanto importncia

    do tema proposto, como tambm, identificar os impactos gerenciais da adoo de

    tecnologias de reutilizao dos RCD, nas empresas de construo civil. A pesquisa

  • 53

    bibliogrfica fornecer as bases conceituais para a definio das variveis e indicadores da

    pesquisa de campo.

    No segundo momento, a pesquisa de campo utilizou questionrios, que conforme em

    anexo, e serviram para obter as informaes das empresas de engenharia da regio em

    relao a seus RCD.

    No terceiro momento solicitou-se o aceite das empresas para participar do estudo, e

    indicao do responsvel tcnico para fornecer os dados necessrios para a execuo

    da pesquisa. O procedimento para a pesquisa de campo, descrita a partir deste

    momento, ser adotada para as dez empresas de engenharia que faro parte desta

    pesquisa.

    No quarto momento foram realizadas reunies do pesquisador com os responsveis

    tcnicos das empresas contatadas bem como o departamento de obras da Prefeitura

    Municipal de Petrolina, onde foram apresentados os objetivos da pesquisa e

    solicitados a responderem ao questionrio.

    No quinto momento, foi conduzida a anlise dos resduos descartados pelas obras de

    construo e de demolio, identificando o processo de segregao desses materiais e

    verificando sua devida destinao. Neste momento, foi o confronto dos dados

    levantados pelo questionrio e a observao direta do pesquisador, inclusive com

    registro fotogrfico das principais atividades.

    3.4. Tratamento e Anlise dos Dados

    Considerando a natureza da pesquisa, os dados receberam