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SciELO Books / SciELO Livros / SciELO Libros SANTIAGO, CC. Argamassas tradicionais de cal [online]. Salvador: EDUFBA, 2007. 202 p. ISBN 978-85-232-0471-6. Available from SciELO Books <http://books.scielo.org >. All the contents of this chapter, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution-Non Commercial-ShareAlike 3.0 Unported. Todo o conteúdo deste capítulo, exceto quando houver ressalva, é publicado sob a licença Creative Commons Atribuição - Uso Não Comercial - Partilha nos Mesmos Termos 3.0 Não adaptada. Todo el contenido de este capítulo, excepto donde se indique lo contrario, está bajo licencia de la licencia Creative Commons Reconocimento-NoComercial-CompartirIgual 3.0 Unported. Outros constituintes das argamassas Cybèle Celestino Santiago

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    SANTIAGO, CC. Argamassas tradicionais de cal [online]. Salvador: EDUFBA, 2007. 202 p. ISBN

    978-85-232-0471-6. Available from SciELO Books .

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    Outros constituintes das argamassas

    Cyble Celestino Santiago

  • Outros constituintesdas argamassas

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    Alm da cal e da areia, materiais utilizados na maioria dasargamassas antigas estudadas, vrios outros constituintes forameventualmente a eles adicionados, ou adotados em seu lugar. Comoexemplo, citam-se os seguintes: pozolana, cermica moda, p demrmore, terraos fluviais do Baixo Reno, cinzas de Tournai, carvo,sangue, suco de frutas ou de vegetais, leite, queijo, palha, plo animal,cerveja, arroz, aafro, acar, resinas, leos, sebo, vinho, urina, clara deovo, algodo, amido, banha de porco, cabelo, excremento, fibras, gesso1 .

    Belidor, por exemplo, sugeriu como ingrediente opcional na confecode argamassas hidrulicas, p oriundo da pulverizao de pedaos devasos e mache-fer2 proveniente de hulha queimada associada a p dematerial cermico e pedra de m de moinho e calcrio3 .

    Pelos exemplos dados, pode-se verificar que tanto adies orgnicas,quanto inorgnicas, foram utilizadas no decorrer dos sculos. Cada uma,entretanto, tinha uma funo especfica.

    J que no possvel relacionar todos os exemplos interessantesencontrados na bibliografia, nem tampouco discorrer sobre todos osaditivos supramencionados, sero tecidas, neste captulo, consideraesapenas acerca de alguns tipos de pozolanas.

    De maneira geral, todos os minerais que, por aquecimento, originama perda de ies OH da sua rede cristalina, e que, depois dessa perda,so susceptveis de mudarem de rede, mostraro comportamentopozolnico4 .

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    Logo, o universo dos materiais considerados como pozolanas muitoamplo. Norman Davey, por exemplo, subdividiu as pozolanas em doisgrandes grupos, a saber5 :

    Pozolanas naturais:

    Pozolanas italianas;

    Terra de Santorim (Grcia);

    Trass (Alemanha);

    Cinzas vulcnicas do Japo, Portugal, Frana e Espanha;

    Terras diatomceas, diatomitas, trpoli, calcrio silicoso decomposto,farinha fssil.

    Pozolanas artificiais:

    Argila xistosa queimada, diatomita e pumicita queimadas, cermicaqueimada;

    Cermica pulverizada e fragmentos cermicos;

    Algumas escrias.

    Alberto de Castro e Antnio Lima (sc. XX), por sua vez, deram aseguinte definio:

    Materiais naturais, artificiais ou certos subprodutos industriais denatureza siliciosa, aluminosa que revelam a propriedade de secombinarem, temperatura ordinria, e em presena da gua, com ohidrxido de clcio e outros componentes do cimento hidratado,originando compostos de grande estabilidade qumica na gua ecom propriedades aglutinantes6 .

    Neste captulo, sero dadas informaes sobre pozolanas italianas,p cermico, terraos fluviais do Baixo Reno e cinzas de Tournai,ingredientes dos quais se obteve maiores detalhes nas fontes consultadas.

    Pozolanas italianas

    A primeira reserva natural de pozolana descoberta no mundoencontrava-se em Pozzuoli, nas imediaes da atual cidade de Npoles(Itlia). Por esta razo, Vitrvio referiu-se ao material como p de Pozzuoli,e caracterizou-o como uma terra especial daquela regio, que produzia

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    efeitos maravilhosos quando misturada com cal e pedra moda7 . Os livrosconsultados ratificam isto.

    Material de origem vulcnica, a pozolana confere hidraulicidade sargamassas, o que tambm amplamente aceito pelos autores estudados.Esta propriedade propicia sua utilizao em locais midos ou alagadios.Por isto, era recomendada pelo mestre romano, e por outros que lhesucederam, na construo de portos. No obstante, o material pode serutilizado em locais secos, adquirindo boa resistncia aps o endurecimento,conforme igualmente evidenciado nos textos analisados, desde quedurante o processo a argamassa seja mantida mida. As argamassaspozolnicas endurecem exatamente devido reao cal-pozolana queocorre em presena de gua8 . Isto porque o material apresenta elevadaporosidade, o que favorece a reao entre a pozolana e a cal extinta, coma formao de compostos hidrulicos.

    Constatou-se, atravs da bibliografia, que a origem das pozolanasfoi atribuda ao de fogos subterrneos, sem que fosse indicada umaligao direta entre o material e a atividade vulcnica, de maneira geral.

    No texto atribuvel a Milizia, no qual a pozolana foi considerada comoa areia mais adequada para as construes9 , tem-se que Vitrvio,conforme Filandro10 , teria dito que:

    [...] A pozolana apenas uma mistura de terra com tufo, com betumee com qualquer outra parte sulfrea, mistura preparada por fogossubterrneos11 .

    Na traduo de Blnquez, a descrio dada por Vitrvio no foi esta.Pelo que parece, ocorreu algum problema com algumas das tradues,ou com a interpretao do texto. O que se tem em idioma espanhol oseguinte:

    [...] nas entranhas daqueles montes h terra e numerosas fontes degua quente, que no existiriam se no estivessem debaixo defortssimos fogos, alimentados ou por enxofre ou por almen ou porbetume. Este fogo e estas chamas, ao penetrar e atuar atravs dosmeandros e veias da terra, a fazem leve, e o tufo (ou a toba) que aliexiste isento de umidade12 .

    Pelo que se pode deduzir do texto traduzido por Agustn Blnquez, obetume, o enxofre ou o almen serviriam apenas para alimentar o fogo

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    subterrneo, e no estariam presentes na composio da pozolana, comoparece pela indicao dada no texto atribuvel a Milizia.

    Para Gioseffe Viola Zanini, a pozolana consistia em um tipo de terraqueimada pelo fogo13 ; Belidor informou que a pozolana, materialconsiderado como um p, era constituda por terra e tufa queimadas pelosfogos subterrneos que saam das montanhas, nas proximidades doslocais onde era tirada, da sua admirvel propriedade de endurecer debaixoda gua ou em presena de umidade14 . Ambos os autores foram, pois,favorveis origem deste material ser decorrente da sua queima por fogossubterrneos.

    Negreiros foi mais especfico: considerou a pozolana como umaespcie de areia e destacou que era um material vitrificado, da ser resistente umidade e secar com rapidez:

    [...] a dita areia chamada pussolana [sic], he uma materia vitrina, eporisso rezistente s humidades e muito desecante, que, segundo opensar de muitos, soffreu a aco dos antigos vulcanos15 .

    Com relao s reservas naturais do produto, durante muito tempo,a nica fonte conhecida de pozolana foi, aparentemente, a indicada porVitrvio, em Pozzuoli, imediaes de Npoles (Itlia).

    Muitos autores, ao discorrerem sobre as caractersticas do material,mencionaram o fato claramente, o que ora exemplificado atravs datranscrio de passagens retiradas dos textos dos autores listados a seguir:

    Plnio Existem ainda, alm destas, outras espcies de terra: e quemno se maravilharia, que a pior parte dessa, e por isto chamada p,nas colinas de Pozzuoli, servisse para consertos mesmo em presenada gua do mar? Tal p, to logo imerso, torna-se pedra nica,que a cada dia se faz mais inexpugnvel e mais forte, principalmentemisturando-se com cal de Cuma16 ;

    Alberti Na zona de Pozzuoli h em abundncia um tipo de p quemisturado gua de mar endurece como pedra17 ;

    Cataneo O p de pozolana da regio em torno ao monte Vesviotem a vantagem de todas as areias: pois, sendo de tufo secoqueimado, tendo-lhe sado o licor, torna-se mais leve, e melhor: eao mistur-la depois com cal, e com gua, recebendo imediatamente

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    o licor, fazem corpo junto; e imediatamente recebendo o humor,do pega rpida s construes, s quais no s o mar e a foradas guas no podem ser nocivos, mas endurece de tal maneira afbrica, principalmente a parte sob a gua, que a parede torna-sepedra nica, e isto no maravilha: quando querem, colocam nomar a dita pozolana e, por si s torna-se pedra [...]18 .

    J. F. Blondel considerou a pozolana como:

    [...] matria betuminosa, que se encontra nas imediaes do Vesvio,a qual composta de partes metlicas e de pequenos cristais muitosperos ao toque: misturando esta pozolana com cal de mrmore oude conchas, resulta em uma argamassa que a gua torna mais firme,ao invs de a destruir19 .

    No existe, a priori, uma razo para ser misturado com pozolanaapenas cal de mrmore ou de conchas. Por outro lado, da anlise dascitaes de Alberti e Cataneo anteriormente transcritas, verificou-se que apozolana, sozinha, tinha a capacidade de endurecer na gua. Nos demaistextos, foi indicada a mistura do material com areia, ou com areia e cal.

    curiosa a caracterizao do material como uma matria betuminosa,o que deve ter ocorrido exatamente por causa da sua propriedade deresistir ao da gua.

    Quanto descoberta de novas jazidas, alm daquela das imediaesdo Vesvio, sabe-se que, posteriormente, pozolanas de outrasprovenincias foram utilizadas em construes, no apenas na PennsulaItlica, mas em outros pases, o que pode ser notado em diversos textos,como naquele atribuvel a Milizia:

    Vitrvio, por ver jazidas de pozolana apenas no entorno de Npoles,quebrou a cabea para explicar porque em outros locais no existiam:mas em outros locais, existiam; e em Roma, onde vivia Vitrvio, asjazidas abundavam mais do que em qualquer outro lugar. Impossvelque ele no as visse! Talvez ainda no tivessem sido descobertas20 .

    Os textos de Belidor21 e Negreiros22 tambm podem ser citados comoexemplos do conhecimento de outras jazidas. Na segunda edio do textode Giovanni Branca, datada de 1718, foi mencionada, por exemplo, apozolana de Roma23 . Por outro lado, nesse mesmo texto informou-se que,na falta da pozolana, se devia preparar a argamassa com um materialsimilar:

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    [...] pedaos pequenos de peperino de S. Fiorge com certa terra decor cinza escura, que cavada em Monte Rotondo em um lugarchamado Rene, ambas as matrias vitrinas e por isso resistentes umidade, como a pozolana de Roma (matria tambm vitrina), e quesegundo o parecer de alguns, sofreu a ao de antigos vulces24 .

    O material citado, que consiste em tufo vulcnico25 alterado, apresentapropriedades pozolnicas, embora muito menores do que aquelas daspozolanas oriundas dos tufos vermelhos e cinzas.

    No j citado texto atribuvel a Milizia, tambm foi encontrada refernciaa outro tipo de material de origem vulcnica, similar pozolana, existentenas imediaes do Vesvio:

    Em Npoles e no seu entorno encontram-se sob a terra muitos estratosde uma certa espcie de pedrinhas similares a pequenas pedras-pomes, e um tanto amareladas como pedaos de telhas pulverizados,chamados de rapilli, ou seja, lapilli. Esta matria tambm produzidapor vulces, e faz tima liga com a cal26 .

    Este material era possivelmente o mesmo ao qual Scamozzi, conformeRodolico, havia feito referncia, como pode ser verificado atravs da leiturada passagem a seguir transcrita:

    [...] sob os tufos cavam a pozolana de cor branca um pouco esmaecida,e tima nas argamassas, e sob a pozolana encontram o grapello, ouverdadeiro serepillo (como esses dizem), o qual uma matria umtanto amarelada, e como pedacinhos de telhas ou telhas planasmodos: a qual serve para fazer os terraos, e o menor usam para fazergranzolo ao rebocar as paredes. Grapello e serepillo so nomesdialetais dos locais de extrao das pozolanas27. (grifos no existentesno original)

    Foram encontrados outros pormenores do material consultando-sediretamente o texto de Scamozzi:

    Em Npoles, alm de muitos outros locais do reino, cavam uma certamatria a que chamam grapillo, que a nosso parecer uma espciede tufo duro e em bolinhas como avels e nozes, e os menores, de cortendente ao amarelo: onde o mais grosso e o mediano servem parafazer terraos e o menor, para misturar na argamassa para rebocar asparedes; sendo que em ambos os casos propicia excelente pega28 .(grifo no existente no original)

    Possivelmente tal material era a pozolana correspondente ao tufoamarelo napolitano.

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    Ao escrever sobre cal, Filarete informou que, segundo a crena, amelhor era aquela extinta sob uma camada de uma espcie de areiachamada pozolana. Tal ingrediente, em sua opinio, oferecia grandevantagem se usado em substituio areia. Foram indicadas no seutexto vrias jazidas, alm daquela situada nas imediaes do Vesvio29 .

    Manuel Losada considerou a pozolana como uma areia de cor deporcelana, pois disse o seguinte:

    A areia de cor de porcelana, a qual nas obras e construes que sefazem nas guas, faz grandssimo efeito, pois com rapidez fazexcelente pega e os edifcios ficam fortssimos30 .

    O material apontado por este autor devia, realmente, ser uma pozolananatural, pois apesar de ter sido chamado de areia, foi recomendado parauso em obras aquticas, e tambm no foi mencionada a mistura com cal.

    Philibert de lOrme, ao citar Plnio que havia falado na diversidadede terras e da areia de Putzoli31 , e em outros tipos de terras que endureciamcomo se fossem pedras , tambm utilizou o termo pourcelane, informandoque era uma areia negra32 . No restam dvidas que o material ao qualse atribua esta denominao era a pozolana vitruviana.

    Por outro lado, h discrepncia nas informaes a respeito dascoloraes existentes. A este respeito destacam-se ainda, a ttulo deilustrao, as definies dadas por Belidor e por J. F. Blondel, que somuito similares:

    Pozolana. Terra avermelhada que substitui a areia na Itlia e que,misturada com cal, propicia uma excelente argamassa que endureceem presena de gua33 . (grifo do autor)

    Este p avermelhado, e no outra coisa que a terra bruta, misturadacom o tufo pelos fogos subterrneos que saem das montanhas emtorno das quais so tiradas34 .

    No texto Principii di architettura civile35 , e em outros, como nos deFlibien e de Rieger36 , que o antecederam, a pozolana foi considerada comoareia. Flibien a indicou como timo material por propiciar uma boa ligao,podendo at ser usado em abbadas. S que, estranhamente, nomencionou seu uso em obras hidrulicas, a utilidade maior deste material37 .

    Destaca-se que, no catlogo da exposio internacional havida emLondres, em 1862, ao fazer-se referncia s pozolanas de Santarm (Ilha

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    de So Miguel) e da Ilha Terceira, ambas em Portugal, elas foram chamadasde massapez38 .

    No Brasil, a denominao massap significa um solo constitudobasicamente por argila montmorilonita, bastante freqente, dentre outroslocais, no Recncavo Baiano39 . Frisa-se este ponto apenas para que sefique atento para as eventuais confuses decorrentes de termos similaresusados para produtos completamente diferentes, o que fatalmente leva aerros de interpretao, principalmente quando se trata do estudo demateriais antigos40 . J se teve a oportunidade de abordar o problema aotecerem-se consideraes acerca do saibro, no captulo sobre areia, porexemplo.

    Segundo Manuel Hijosa, o tradutor para o idioma espanhol do textode Giovanni Branca, na verso italiana ter-se-ia falado de pozolana, produtousado na Itlia em substituio areia, mas como esse material notinha uso na Espanha, no foi traduzido o trecho correspondente41 . PormHijosa, como alguns dos autores consultados, no considerou a pozolanacomo areia, mas, sim, como um eventual substituto para aquele material.Isto mais condizente com a realidade, do ponto de vista atual, tendo-seem mente a definio de areia.

    Negreiros, por sua vez, classificou a pozolana como areia. Este era,de acordo com o seu texto, o nico material de construo que no haviaem Portugal na poca, pois os demais eram disponveis, e de timaqualidade. Ainda na opinio do mesmo autor, a areia disponvel emPortugal s apresentava o inconveniente de uma secagem mais lenta doque a pozolana, porm propiciava o mesmo resultado, aps seca42 .

    Uma argamassa feita simplesmente com cal area e areia noapresenta hidraulicidade. Logo, no poderia ter o mesmo comportamentode uma argamassa feita com pozolana. O que se pode inferir que, ouNegreiros fez a comparao baseado no uso de uma mistura base decal hidrulica, ou analisou obras executadas em locais secos. Neste ltimocaso, a pozolana funcionaria possivelmente como um inerte.

    Negreiros, em outra passagem do seu texto, disse que a pozolana,apesar de apresentar secagem mais rpida do que uma argamassatradicional de areia, adquiria tanta solidez que propiciava aos construtoresa reduo da espessura das paredes, o que estava sendo colocado emprtica na Itlia, na poca43 .

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    Da anlise desta informao, conclui-se, mais uma vez, que odesempenho final de uma argamassa de cal e areia no podia serrealmente igual quele de uma argamassa de cal e pozolana, como estemesmo autor havia afirmado anteriormente.

    Para Belidor, autor anterior a Negreiros, a argamassa que continhapozolana era a melhor do mundo, tanto para lugares secos quantomidos44 . Em um texto do sculo XIX, da autoria de Berthault-Ducreux,entretanto, j se destacava que o comportamento do material a seco eradiferente daquele obtido em ambiente mido, o que se pode perceberatravs da transcrio feita:

    No apenas o bom p de tijolo, mas tambm a melhor pozolana, secomporta com a cal, mais ou menos como um p inerte, se a argamassada qual ela faz parte no for imersa ou ao menos mantida sobumidade45 .

    A areia funciona como carga, na argamassa. Logo, qualquer outromaterial pulverulento, que no reagisse com a cal, funcionaria de modosemelhante. Isto aconteceria quando as argamassas com pozolana oup cermico no estivessem imersas, ou no fossem mantidas midas.

    Como Negreiros e Belidor diziam que o material se comportava acontento a seco, supe-se que as propriedades hidrulicas do materialno estavam sendo consideradas, no momento. De fato, as argamassasde cal e areia teriam comportamento completamente diferente se usadasem ambientes secos ou midos.

    Sobre argamassas com pozolana, Alessandro Vittorio dAntoniPapacino deu uma informao diversa dos demais autores investigados:

    Dever haver toda atteno precisa na construco destes edificios,para que pela continuao do tempo se no introduza a humidade queresulta das chuvas, e neve nos armazens, que devem ser bem secos.Para isto he necessario, que no s no tempo da construco, masainda depois, estes edificios estejo cubertos naquelles paizes que porserem sugeitos a geadas, fica inutil o uso da possolana46 .

    Este foi o nico autor encontrado que mencionou que a argamassacom pozolana no serviria em locais sujeitos a geadas. Talvez porque agua usada na mistura de endurecimento da argamassa, congelando-se, no permitisse que a reao cal-pozolana ocorresse, de modo que aargamassa no adquiriria propriedades pozolnicas.

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    O portugus Antnio Coutinho (sc. XX) informou que era possvel aclassificao do magma a partir do qual uma determinada rocha teriasido formada, atravs da anlise qumica, em xidos elementares, da ditarocha47 . No entanto, este mesmo autor julgou que era difcil concluir aque tipo de magma pertencia uma determinada pozolana, visto que serianecessrio um alto grau de alterao da rocha para que se tivesse ummaterial com altas propriedades pozolnicas. Mas complementou:

    [...] o conhecimento destas rochas permite no s uma arrumaolgica dos diferentes tipos de pozolana, mas tambm prever mesmoo comportamento pozolnico de certas rochas lvicas48 .

    A pozolana um tipo de solo especial, de origem vulcnica, quecontm uma componente altamente vtrea e vrios minerais associados.Atualmente, j possvel, atravs de ensaios de laboratrio, identificar-se,em uma argamassa antiga, de qual vulco provm a pozolanaeventualmente nela presente. Isto conseguido pela anlise dos mineraisassociados, com o auxlio da difrao de raios-X. Por exemplo, os italianosFranco Massazza e Mario Pezzuoli (sc. XX), ao mencionarem os resultadosdos ensaios realizados em amostras do concreto romano utilizado nasfundaes do Coliseu, informaram terem detectado, por meio de difraode raios-X, leucita, diopsita, melilita e quartzo (provenientes dos finos e dapozolana, materiais no retidos na peneira de malha 40mm), e hidrxidode gehlenita e calcita (resultantes da reao pozolnica e da carbonataoda cal)49 .

    De maneira similar, atravs de anlises laboratoriais, foi identificadaa pozolana usada por Michelangelo Buonarotti (1475-1564) na CapelaSixtina como sendo do Lazio, da regio ao Norte de Roma, e no daregio da Campania, como se pensava. Isto porque os mineraisassociados pozolana, na argamassa analisada, eram tpicos de umvulco existente no Norte de Roma, e no estavam presentes nos outrosvulces das imediaes daquela cidade50 .

    Sabe-se que o arquiteto Jos Trindade Chagas detectou pozolanaem algumas das amostras da taipa do castelo de Alccer do Sal, emPortugal. No entanto, de acordo com a bibliografia, as jazidas portuguesasdesse material eram desconhecidas na poca em que a obra foi erguida.Valeria a pena confrontar as caractersticas das amostras encontradas

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  • Argamassas tradicionais de cal 151

    na taipa do supracitado castelo com as das pozolanas provenientes dejazidas conhecidas no pas. Desta maneira, verificar-se-ia se o materialutilizado foi local ou veio de alhures, trazidos por antigos navegantes.Trabalho similar foi feito pelo italiano Giacomo Chiari (sc. XX) e por outrosinvestigadores para o mausolu de SantElena51 .

    A ttulo de ilustrao, indicam-se elementos que podem estar presentesnas pozolanas: xidos de cromo, alumnio, ferro, magnsio, mangans,cobalto e nquel52 ; feldspatos sdicos, potssicos, calco-sdicos(plagioclsios), clcicos; feldspatides (leucitas, nefelinas, sodalitas,noseanas ou noselitas, hauynas, melilitas); alm desses, podem aindaser encontrados piroxenas, olivinas, biotitas, apatitas, zircnios,magnetitas, ilmenitas e hornblendas53 .

    Atualmente, na realizao de ensaios padronizados pelo grupoNormal54 , usa-se a pozolana superventilada de Salone (Toscnia). Procede-se desta maneira de modo a evitar divergncias de comportamento entreos vrios tipos de pozolanas existentes na natureza, em decorrncia dediferentes constituies de materiais, quer entre os tipos dos mineraisassociados presentes, quer no que diz respeito aos seus percentuais.

    invivel a identificao da presena de pozolana em umaargamassa antiga, unicamente atravs da anlise da sua composioqumica. Por este meio, pode-se apenas constatar que o material apresentacaractersticas hidrulicas (pozolnicas), mas no possvel afirmar se aresponsabilidade por tais caractersticas foi decorrente da incluso depozolana mistura. O comportamento pozolnico de determinadaargamassa pode ser atribudo, pois, a diversas composies.

    Leduc, ao mencionar os materiais usados pelos holandeses,informou que, na falta de pozolana, usavam trass55 de Andernach, umtufo vulcnico das margens do Reno (trecho do vale de Brohebach)56 .

    A anlise qumica no serve para identificar as pozolanas, mas amicroscopia permite uma clara caracterizao do material: alm dadiferena, facilmente visvel, entre os diversos minerais associados, apozolana aparece sob uma forma caracterstica57 (il. 13). Esta mais umaprova da importncia da interdisciplinaridade para a conservao e arestaurao: se o profissional se valer apenas da colaborao de umqumico na identificao deste componente das argamassas, a resposta

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    obtida pode no ser conclusiva, mas com a contribuio de um gelogo,no restam dvidas se o material ou no uma pozolana.

    O italiano Girolamo Masi, autor que considerou a pozolana comouma espcie de terra e defendeu o princpio que, se misturada com a cal,a argamassa resultante seria a melhor possvel58 , indicou como sendo detima qualidade para a construo o tipo existente nos arredores de Romae de Pozzuoli, tambm avermelhado, porm tendente ao preto. Em suaopinio, no entanto, a pozolana branca, tambm disponvel naqueleslocais, era inadequada para os mesmos fins59 .

    Jean-Baptiste de Rom de lIsle ainda citou, alm das pozolanaspretas, vermelhas e brancas, outros tipos existentes:

    As pozolanas cinzas, marrons, pretas, amareladas, avermelhadas etc.,que no so mais que detritos das mesmas lavas porosas e celulares,passando com o tempo ao estado de cor ocre ou argiloso, e com a qualfazemos este ligante to vantajoso para as construes sob agua60. (grifo do autor)

    Sabe-se que h pozolanas de vrias cores. A simplificao daindicao, por parte de alguns dos autores consultados, deve ter sidoocasionada pelo seu desconhecimento de muitas das variedadesexistentes. A cor, entretanto, no responsvel por diferenas no seucomportamento, porm d indcios de provenincias diversas e outrasdiferenas, principalmente no que diz respeito sua fase vtrea61 .

    No supracitado texto de De Rom de lIsle, foi dito que as pozolanasterminavam por se converter em um p argiloso vermelho ou amarelado,macio e untuoso ao tato62 . No ficou claro se o autor julgava que aspozolanas se transformavam ainda em seu estado natural ou apsutilizadas na argamassa, nem a qual tipo especfico se referiu. Peloscomentrios feitos, a impresso que se teve foi que o material ao qual DeRom de lIsle fez meno foi realmente uma argila.

    P cermico

    O p cermico teve ampla utilizao em argamassas, no decorrerdos sculos. Referncias a este ingrediente so encontradas nabibliografia, ao menos desde a poca vitruviana, tendo sido freqentementecitado com a denominao de ciment ou cyment. O que variou, ao longo

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    de todo este perodo, foi o tipo de cermica utilizada na pulverizao (tijolosou telhas, novos ou velhos), sua proporo, a incluso, ou no, de outroscomponentes na mistura e o tipo de aglomerante usado.

    Vitrvio63 , Faventino e Paldio Rutlio64 aconselharam a adio dop cermico para melhorar a qualidade da argamassa, se feita com areiade rio. Martini, no entanto, sugeriu uma mistura mais complexa envolvendoeste componente, de modo a conferir certa impermeablidade ao produtofinal, como pode ser constatado atravs da citao a seguir:

    Se desejarmos fazer algum esmalte, estuque, concreto ou umaverdadeira calada,devemos pegar dois alqueires de p de telha,dois alqueires de cal, meio alqueire de limalhas de ferro. E estes juntose misturados com decoco de casca de olmo. E assim, por 15 diasmexendo e embebendo, depois esmaltando aquilo que quer,passando todo dia borra de azeite ou gordura com a colher de pedreiro,ao fim vers que libera gua65 . (esta citao similar de Cataneo)

    Neste caso, entretanto, foi acrescentada, aparentemente com ainteno de melhorar o desempenho da mistura, a borra do azeite ou agordura.

    DAviler recomendou o uso de material cermico pulverizado(preferencialmente o uso de p de telha), alm da cal e da areia, naproporo 1:1,5 (cal, ciment) quando a inteno fosse conferir hidrauli-cidade argamassa66 . Ressalta-se que este foi o primeiro autor estudadoque fez referncia explcita mistura de p de material cermico com a calviva67 .

    Sendo o p um inerte, no deveria reagir, ao ser misturado com oxido de clcio, ao longo do processo de extino deste. Logo,possivelmente no deveria haver diferena em misturar o p com a calviva, ou com a cal extinta.

    Em vrios textos antigos, principalmente dicionrios especializados,como, por exemplo, naquele da autoria de Flibien, encontrou-se, acercado uso do ciment, a seguinte informao:

    [...] nosso ciment para fazer a argamassa, que a telha moda [...]68 .

    J no dicionrio de Belidor, a definio dada foi semelhante, mas nomesmo verbete, foi indicado que este material poderia ser empregado emargamassas em contato com a gua:

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    Ciment. a telha moda, que misturada com a cal, faz a melhorargamassa, e que de bom uso para as obras feitas na gua69 .

    Na bibliografia pesquisada, foram ainda encontradas outrasreferncias ao uso de material cermico modo nas argamassas, com aindicao que deveria ser oriundo de telhas, como no exemplo acima. Jem outros textos, como em La science des ingenieurs, do prprio Belidor,foi especificado que o material deveria provir de telhas velhas, bem cozidas,pulverizadas, sendo o p passado por peneira de padeiro:

    Aquela que ser empregada nos rebocos e cisternas, tanto por cimaquanto por baixo, ser feita de cascos de telhas velhas bem cozidas,sem que nela sejam usados tijolos; ela ser bem batida, pulverizadae passada na peneira de padeiro, e a argamassa feita com doisquintos de cal viva de Boulogne e trs quintos do dito ciment, tudobem batido e resolvido todos os dias consecutivos at aquele em queser usada70 . (esta informao consta das especificaes para acisterna de Calais)

    Notou-se a indicao do uso de cal viva no caso desta argamassa,feita com o trao 1:1,5 (cal, p de telha)71 . O mesmo tipo de argamassafoi tambm recomendado em outros trechos de tal livro, com igualfinalidade72 . Belidor indicou ainda o trao 1:1 (cal, p de telha) para obras

    [...] que no so de responsabilidade, mas que merecem algumaateno73 .

    Em Architecture hydraulique, Belidor descreveu um engenho para opreparo do ciment74 , apresentando inclusive uma gravura elucidativa domesmo75 (il. 14).

    No preparo do ciment, certos autores recomendaram que fosse usadop de tijolo, ao invs de p de telha, como a maioria indicava. Foramlevantadas algumas hipteses para justificar a sugesto para o p cermicoser obtido unicamente a partir da pulverizao de telhas, de preferncia,velhas:

    Por ser um material que deveria sempre ter um melhor cuidado nopreparo, no que diz respeito moldagem e ao cozimento, j queteria que ser utilizado como agente de proteo contra a penetraoda gua nas construes, ou seja, em coberturas ou no revestimentode paredes sujeitas a constantes chuvas;

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    Pela maior oferta do material;

    Porque talvez o material velho, intemperizado, conferisse melhorespropriedades argamassa76 ;

    Se fossem usadas telhas novas, aparentemente se estariadesperdiando mo-de-obra. Assim sendo, a telha s deveria serusada aps haver cumprido a sua funo bsica: cobrir os imveis,impedindo o ingresso da gua de chuva. O problema que podiaocorrer, neste caso, seria a introduo de sais solveis naargamassa, caso as telhas fossem provenientes de coberturas nasproximidades do mar, zona rica em aerossol salino77 ;

    Por ser um material de pouca espessura, haveria possibilidade deser mais bem queimado que o tijolo.

    J. F. Blondel explicou que o ciment deveria ser de p de telha, porqueo tijolo era mais terroso que a telha (deste modo, o seu p no teria tantacapacidade de resistir a cargas). Logo, s deveria ser utilizado quandono houvesse telha disponvel78 .

    Quanto recomendao dada por certos autores para o p serpeneirado, era plenamente justificvel: propiciaria uma maior homoge-neizao do produto final e, conseqentemente, a argamassa apresentariapropriedades similares em sua totalidade.

    Na opinio do autor do texto Memoires critiques darchitecture, jque a cal, sozinha, no servia para unir as pedras, podia ser misturadacom o material cermico pulverizado, de modo a ter o seu uso viabilizado79 .O ciment, em sendo constitudo por p cermico80 , seria feito de terraalterada pelas chuvas, que lhe acrescentaria sais de cobre e de enxofre81 ,da o produto reter a causticidade dos seus sais:

    A pulverizao ou o amassamento do ciment lhe d diferenteconfigurao; ele fica cheio de pontas, sua substncia estvel; porqueele no esmaga as pontas sob nenhum outro mineral, e sustenta todo opeso; a abundncia de seus sais e a multiplicidade de seus ngulos, lhesconferem sua tenacidade, e lhes fornecem meios mais imediatos e maisvivos de melhor aderncia. dessa boa adeso que vem o provrbio eleconstruiu de cal e ciment, pois uma obra deste tipo eterna82 . (grifo noexistente no original)

    O autor concluiu, pois, que o p de telha, ao ser misturado com acal, emprestar-lhe-ia a abundncia de sais e sua dureza e, pelo fato de

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    ser multifacetado, melhoria as caractersticas do material. Deste modo,se poderia obter uma obra de grande durabilidade.

    Pensar que o ciment era composto por vrios tipos de sais apenasmais uma prova do desconhecimento da constituio dos diversosmateriais usados na construo. Quanto melhoria da qualidade damistura devido angulosidade apresentada pelas partculas de materiaiscermicos, a observao faz sentido, pois propicia, de fato, uma maioraderncia entre os componentes da argamassa.

    Uma obra feita com bons materiais, realmente, possui grandedurabilidade, da o autor do texto acima transcrito ter feito aluso aoconhecido provrbio. Porm considerar a obra como eterna era um exageroque se admite somente como metfora. No entanto, esta no foi a nicareferncia encontrada dizendo que um determinado material poderiapropiciar durabilidade infinita a uma edificao.

    O ciment foi material de ampla difuso at o sculo XVIII, sempre que sedesejava conferir certa hidraulicidade a uma argamassa. Foi consideradopor alguns autores contemporneos, precisamente por esta sua propriedade,como um aditivo pozolnico. John Ashurst, por exemplo, afirmou o seguinte:

    Pozolana tornou-se um nome genrico para todo aditivo que ir reagircom cal para produzir uma pega hidrulica [...]. Construtores romanostambm usaram tijolos, telhas e vasos cermicos pulverizados eescria de ferro como aditivos pozolnicos83 .

    Atravs dos ensaios de capilaridade ascendente realizados no NTPR,concluiu-se que a funo do p cermico em uma argamassa, no sentidode evitar a penetrao da umidade, no estava correlacionada inibioda capilaridade84 , mas, sim, distribuio da porosidade85 . Sabe-se queo tamanho problemtico dos poros est compreendido entre 0,1 e 1m. Aincluso de p cermico na mistura aparentemente responsvel pelareduo da quantidade de poros com esta dimenso. Logo, a argamassarealmente resiste mais ao da gua, tornando-se menos susceptvel degradao dos sais, por cristalizao.

    Em Salvador, foram encontrados macios de argamassas compostospor cal, areia e material cermico pulverizado nas escavaes arqueolgicasefetuadas no Forte de Santo Alberto, construo do perodo colonial. Estesmacios, que at hoje se apresentam bastante ntegros, foram executadosnas plataformas das canhoneiras, de modo a absorverem o impacto

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    transmitido s carretas pelos disparos dos canhes. Esta uma provaconcreta da utilizao da argamassa com p cermico.

    Terraos fluviais do Baixo Reno

    Este ingrediente, mencionado por vrios autores franceses e italianosdo sculo XVIII, aparentemente ainda no foi estudado pelos investigadorescontemporneos que esto envolvidos com a constituio das argamassasantigas. Ao menos no foram encontrados em livros, revistas especializadas,nem nos anais de congressos recentes sobre o assunto, informaes aeste respeito. Tampouco se conseguiu descobrir investigaes em andamentono Centro Gino Bozza (CNR-Milo), no laboratrio da Superintendncia dosBens Histricos e Artsticos (Veneza) e no LNEC (Portugal). No entanto, emum texto de finais do sculo XIX, da autoria de Castanheira das Neves, foicitado um material que teria propriedades similares s das pozolanas, eque deveria ser este ao qual se faz referncia:

    [...] trass de Holanda (rocha feldspathica muito abundante nas margensdo Rheno [...]86 .

    A definio dada por Belidor, em La science des ingenieurs, paraeste material, foi a seguinte:

    Terraos fluviais do Baixo Reno. uma espcie de p feito de umaterra que se acha bem perto do Baixo Reno, na Alemanha, e nasimediaes de Colnia; ns a cozemos como o gesso; e a reduzimosem seguida a p. Este p excelente para a composio daargamassa quando queremos construir na gua87 .

    No mesmo texto foi informado que os terraos fluviais do Baixo Renoapresentavam tonalidade cinza e, se puro o que era raro, no entender deBelidor era timo para obras aquticas e para resistir s intempries.

    No Dictionnaire portatif de lingnier, do prprio Belidor, texto publicadovinte e seis anos depois de La science des ingenieurs, tambm seencontrou exatamente a mesma definio88 , o que prova que este material,com propriedades hidrulicas, ainda era empregue, ao menos na Frana,naquele perodo.

    Para fazer uma argamassa com tal produto colocava-se uma camadado mesmo sobre uma camada de cal viva, previamente molhada. Apsum repouso de dois a trs dias, misturava-se tudo89 .

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    Os terraos fluviais do Baixo Reno entravam na argamassa emsubstituio da areia, apesar de se ter, pela simples leitura da definiodada por Belidor, a impresso de que o material seria um aglomerantehidrulico, e no um agregado, j que foi informado que o material erasubmetido queima e reduzido a p.

    J. F. Blondel, por sua vez, descreveu o terrasse como sendo:

    [...] uma pedra de cor acinzentada, que encontramos perto do BaixoReno, na Alemanha, e nos Pases-Baixos. Ela se prepara como o gesso,e ns a esmagamos em seguida para a destemperar com a cal90 .

    No texto atribuvel a Milizia, publicado em 1785, tambm foramencontradas informaes a respeito do uso deste material:

    No entorno de Colnia e do Baixo Reno se usa uma espcie de pcinza chamado Terraos fluviais do Baixo Reno, e se faz de uma terraque se coze e se macera como o gesso [...]. At os calhaus de qualquerlugar espedaados, e reduzidos a p, do uma espcie de Terraosfluviais do Baixo Reno, que unido com a cal faz um timo ligante91 .

    Por mais de meio sculo, pelo menos, este material foi utilizado naconfeco de argamassas. Supe-se que os chamados terraos fluviaisdo Baixo Reno deveriam consistir em tufo ou lava vulcnica, j que abacia do Reno rica nesse tipo de rocha, ou ento eram materiais similaresao trass. Castanheira das Neves, por exemplo, citou o trass de Holanda,como visto anteriormente. Sendo assim, poderia ser includo no rol daspozolanas naturais. Levanta-se a hiptese que o trass de Andernach,mencionado por Leduc92 , fosse o mesmo produto.

    Cinzas de Tournai

    De acordo com os ensinamentos de Belidor, o material conhecidocomo cinzas de Tournai era muito utilizado em argamassas, na sua poca,mas ningum havia explicado bem suas propriedades at ento. Por estarazo, tal engenheiro militar se props a dar algumas informaes arespeito do assunto. Estas informaes constam tanto do livro La sciencedes ingenieurs, quanto do Dictionnaire portatif. A definio apresentadapor Belidor foi a seguinte:

    Cinzas de Tournai. O entorno de Tournai fornece uma pedra muitodura, da qual fazemos uma cal excelente. Quando esta pedra est no

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    forno, destaca-se em pequenas parcelas que caem na grelha, ondeelas se misturam com a cinza do carvo mineral; e como esta cinzano outra coisa que pequenas parcelas de hulha calcinada, amistura que com elas se faz que compe o que chamamos Cinzas deTournai, que so usadas tal como as tiramos do forno93 .

    Belidor ensinou, ainda, que as cinzas de Tournai eram timas paraobras aquticas, pelo fato do material apresentar similaridades misturade cal com carvo ou mache-fer pulverizados. Ambas as argamassascompostas com estes ingredientes teriam, pois, boa hidraulicidade.

    O material foi definido de maneira similar no texto setecentistaatribuvel a Milizia94 e, tambm, no dicionrio de Bouillet, do sculo XIX,como pode ser verificado a seguir:

    [...] mistura de pedra de cal calcinada e de cinzas de carvo mineral,que serve de ligante para os cadinhos e que empregamos tambms vezes como ligante hidrulico95 .

    As cinzas de Tournai consistiam, provavelmente, em uma mistura depierre bleu de Tournai com hulha, calcinadas em conjunto. Sendo a pierrebleu de Tournai um calcrio sem peculiaridade alguma, ou seja, que noapresenta constituintes que o diferenciam de outro qualquer, esta misturaprovavelmente deve ter existido em outros locais, em decorrncia da calcinaode outros tipos de calcrios usando-se a hulha como combustvel.

    Seria possvel, atravs de alguma anlise qumica ou microscpica,identificar as cinzas de Tournai dentro de uma argamassa, ou simplesmentese constataria ser uma argamassa com certa hidraulicidade? Talvez s sepudesse verificar a hidraulicidade da mistura. No se pode afirmar isto, aocerto, sem o auxlio de ensaios laboratoriais. Existe a possibilidade de, pormeio da combinao de anlises diversas96 , concluir-se exatamente queeste material estava presente em alguma amostra de argamassa antiga.

    Notas1 SANTIAGO, Cyble Celestino. Aditivos orgnicos em argamassas antigas. Salvador,UFBA, 1992. Dissertao de mestrado. Cap. III, p. 16.2 BOUILLET, M. N.. Dictionnaire universel des sciences, des lettres et des arts. 12 ed.,Paris, Hachette et Cie, 1877. p. 1002 Machefer [...] scories demi vitreuses, quisagglomrent dans les foyers des forges o lon travaille le fer et forment le rsidu dediverses houilles quon brle. Elles sont composes doxydes terreux, de schistes et dunpeu doxyde de fer // [...] escrias semi-vitrosas, que se aglomeram nas fornalhas das

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    forjas onde trabalhamos o ferro e formam o resduo de diversas hulhas que queimamos.Elas so compostas de xidos terrosos, de xistos e de um pouco de xido de ferro.3 BELIDOR, Bernard Forest de. La science des ingenieurs. Paris, Claude Jombert, 1729.L. III, Cap. IV, p. 12.4 COUTINHO, Antnio de Sousa. Pozolanas, betes com pozolanas e cimentospozolnicos..., Apndice IV, p. 151.5 DAVEY, Norman. A history of building materials, London, Phoenix House, 1961. Cap. XII,p. 102.6 CASTRO, Alberto Gomes de. LIMA, Antnio Vasconcelos. Cincia e tecnologia dosmateriais. Gondomar, Universidade de Trs-os-Montes e Alto Douro, 1988. Cap. VI, p.497.7 VITRUVIO, Marco Lucio. Los diez libros de arquitectura, traduo, prlogo e notas deAgustn Blnquez. Barcelona, Iberia, 1955. L. II, Cap. VI, p. 45.8 MASSAZZA, Franco; PEZZUOLI, Mario. Some teachings of a roman concrete, Mortars,cements and grouts used in the conservation of historic buildings (anais do simpsio deRoma, 3-6.11.1981). Roma, ICCROM, 1982, p. 220-245. p. 220.9 [MILIZIA, Francesco]. Principii di architettura civile... t. III, L. I, Cap. IV, p. 39.10 Guillaume Philander, um dos famosos comentaristas do tratado vitruviano (sc. XVI).11 [MILIZIA, Francesco]. Principii di architettura civile..., t. III, L. I, Cap. IV, p. 37. la pozzolanaaltro non sia che un miscuglio di terra con tufo, con bitume, e con qualche altra partesulfurea, miscuglio preparato da fuochi sotterranei.12 VITRUVIO, Marco Lucio. Los diez libros de arquitectura, traduo de Agustn Blnquez...,L.II, Cap. VI, p. 45. [...] en las entraas de aquellos montes hay tierra y numerosas fuentesde agua caliente, que no existiran si no estuviesen debajo fortsimos fuegos, alimentadoso por azufre o por alumbre o por betn. Este fuego y estas llamas, al penetrar y actuar atravs de los meandros y venas de la tierra, la hacen ligera, y el tufo (o la toba) que all existees lmido y enjuto.13 ZANINI, Gioseffe Viola. Della architettura. 2 impr.. Pdua, Giacomo Cadorino, 1677. L. I,Cap. XV, p. 66.14 BELIDOR, Bernard Forest de. La science des ingenieurs..., L. III, Cap. IV, p. 11.15 NEGREIROS, Joz Manuel de Carvalho. Jornada pelo Tejo, [Lisboa], Cd. 80 (AHM),1792. fls. 54v.16 PLINIO (o Antigo). Historia naturale. Trad. de Ludovico Domenichi. Veneza, G. Ferrari,1561/1568. L. XXXV, Cap. XII, p. 1113. Sonci anchora oltra queste altre specie di terra: &chi non si maraviglierebbe, che la peggior parte dessa, & perci chiamata polvere, ne collidi Pozzuolo, si mettesse per riparo con londe del mare? Laqual polvere subito ch tuffatadiventa pietra dun pezzo, chogni di si fa piu inespugnabile & piu forte, massimamentemescolandosi con calcina di Cuma.17 ALBERTI, Leon Battista. De re dificatoria (Florena, 1495). Trad. de Giovanni Orlandi,introd. e notas de P. Portoghesi, ed. bilinge latim/italiano, Larchittetura, Milo, Il Polifilo,1966. t. I, L. II, Cap. IX, p.142. Nella zona di Pozzuoli vi in abbondanza un tipo di polvereche mischiata allacqua di mare si indurisce in pietra.

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    18 CATANEO Pietro. I quattro primi libri di architettura (Veneza, Figliuoli di Aldo, 1554), fac-smile, Ridgewood, The Gregg Press Incorporated, 1964. Cap. III, fls. 29 Destaca-se queesta informao foi dada por Cataneo no captulo sobre areia do seu tratado. La polverepozzolana di campagna intorno al monte Vessuvio [sic], porta il vanto di tutte le rene:peroche, essendo di tufo secco arsicciato, essendone uscito il liquore, ne diviene piuleggiera, & migliore: & nel mescolarla dipoi con la calcina, & con lacqua, ricevendo subitoil liquore, fanno insieme corpo; & con prestezza ricevendo lhumore, fanno le fabrichedurissima presa, alle quali non solo la fortuna del mare, & la possanza dellacqua non punuocere, ma si indurisce di maniera la fabrica, massime la parte sotto lacqua, che di unasolo pietra tutto il muro si dimostra, & ci non meraviglia: quando vogliono, che, ponendoin mare la detta polvere pozzolana, da per se sola diventa pietra.19 BLONDEL, Jacques-Franois. Cours darchitecture. Paris, Desaint, 1777. v. VII, t. VI,Cap. III, p.127. [...] matire bitumineuse, qui se trouve dans les environs du Vesuve,laquelle est compose de parties mtalliques & de petits cristaux trs pres au toucher: Enmlant cette pozzolane avec de la chaux de marbre ou de coquillage, il en rsulte un mortierque leau affermit au lieu de le dtruire.20 [MILIZIA, Francesco]. Principii di architettura civile..., t. III, L. I, Cap. IV, p. 38. Vitruvio, dalnon vedere cave di pozzolana che ne contorni di Napoli, si lambicc il cervello a spiegare,perch altrove non ve ne fossero: ma altrove ve nerano; e Roma, dove viveva Vitruvio, neabbondava pi di qualunque altro luogo. Possibile chei non le vedesse! Forse non si eranoancora scoperte.21 BELIDOR, Bernard Forest de. La science des ingenieurs..., L. III, Cap. IV, p. 11 Esteautor indicou pozolanas na Itlia e nos Pases Baixos.22 NEGREIROS, Joz Manuel de Carvalho. Jornada pelo Tejo..., fls. 54v Forammencionadas, nesse texto, pozolanas vermelhas e pretas em Portugal.23 BRANCA, Giovanni. Manuale darchitettura. Comentrios e acrscimos de GiovanniSoli. 5a ed., Modena, Soc. Tipografica, 1789. L. I, Cap. IV, p. 9.24 Id., loc. cit. [...] minuzzoli di peperino di S. Fiorge con certa terra di color bigio nericcio,che cavata a Monte Rotondo in luogo detto Rene, materia ambedue vetrine, e perciresistente allumidit come la pozzolana di Roma materia vetrina anchessa, e che a giudiziodalcuni ha sofferto lazione di antichi vulcani.25 Tufo dos montes Albanos, na provncia de Roma.26 [MILIZIA, Francesco]. Principii di architettura civile..., t. III, L. I, Cap. IV, p. 38. In Napolie ne suoi contorni trovansi soterra strati copiosi duna certa specie di pietruzze simili apicciole pomici, e alquanto giallette come pezzi di tegola o di coppi pesti, dette col rapilli,cio lapilli. Anche questa materia produzione di vulcani, e fa ottima lega colla calce.27 RODOLICO, Francesco. Le pietre della citt dItalia. 2 ed., Florena, Felice le Monnier,1953. p. 392 [...] sotto a tuffi cavano la pozzolana di color bianco alquanto rimesso, etottima nelle malte, e sotto alla pozzolana ritrovano il grapello ovvero serepillo (come essidicono), il quale una materia alquanto gialletta, e come pezzetti di tegoli o embrici pesti: ilquale serve a far i terrazzi, e del pi minuto ladoprano per granzolo nellintonacar le mura.28 SCAMOZZI, Vincenzo. Lidea della architettura universale (Veneza, V. Scamozzi, 1615). fac-smile, n.o 9, Sala Bolognese, Arnaldo Forni, 1982. Parte II, L. VII, Cap. XXI, p. 236 In Napolioltre molti altri luoghi del regno cavano una certa materia, laquale chiamano grapillo, che parer nostro una specie di tufo duro, & in ciottolini como avelllanne [sic], e nocciuoli, edepi minuti, di color tendente al giallo: laonde del pi grosso, e del mezano si servono per

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    far terrazzi, e del pi minuto lo serbano per meschiar nelle malte, per intonacar le mura;essendo che cosi in quelli come in questi fa una presa grandissima.29 FILARETE (Antonio Averlino). Trattato di architettura, Milo, Il Polifilo, 1972. v. I, L. III, p. 66 [...] e questa la cavano delli campi e strade como si fa ancora qui a Milano // ...e esta acavam nos campos e estradas como se faz ainda aqui em Milo.30 LOSADA, Manuel. Critica y compendio especulativo-practico de la arquitectura civil,Madrid. Antonio Marin, 1740. t. I, tratado I. Proemiales. Proposio V, p. 11/12. La arenade color de porcelana, la qual en las obras, y fabricas que se hacen en las aguas, hacegrandissimo efecto, porque con presteza hace grandissima presa, y los edificios salenfuertissimos.31 Pozzuoli.32 DE LORME, Philibert. Le premier tome de larchitecture (Paris, Frederic Morel, 1567),fac-smile, Traits darchitecture. Paris, Lonce Laget, 1988. L. I, Cap. XVII, fls. 28.33 BELIDOR, Bernard Forest de. Dictionnaire portatif. Paris, Charles-Antoine Jombert, 1755.p. 253 Pozzolane. Terre rougetre qui tient lieu de sable en Italie, & qui, mle avec de lachaux, fait un excellent mortier qui durcit leau.34 BLONDEL, Jacques-Franois. Cours darchitecture..., v. VII, t. V, De la maonnerie, Cap.V, Art. IV, p. 193. Cette poudre est rougetre, & nest autre chose que de la terre brutemle avec le tuf, par les feux souterreins qui sortent des montagnes aux environs desquelleson la tire.35 [MILIZIA, Francesco]. Principii di architettura civile..., t. III, L. I, Cap. IV, p. 37.36 RIEGER, Christiano (Pe.). Elementos de toda la architectura civil: con las mas singularesobservaciones de los modernos, Madrid, Joachn Ibarra, 1763. Parte IV, Cap. I, p. 235,227.37 FLIBIEN, Andr. Des principes de larchitecture, 3 ed., Paris, la Veuve et Jean BaptisteCoignard Fils, 1699. L. I, Cap. XII, p. 34.38 CATALOGUE DES PRODUITS minraux du Portugal. Exposition Universelle de Londres(1862). London, C. Whiting/Beaufort House, 1862. p. 23/24.39 Regio que envolve a Baa de Todos os Santos.40 Enquanto a pozolana requer a presena da gua para funcionar de maneira satisfatria,o solo denominado massap sofre muitas variaes volumtricas, quando em suapresena, podendo, nestas circunstncias, causar problemas muito grandes edificao.41 BRANCA, Juan. Manual de arquitectura. Trad., comentrios e acrscimos de ManuelHijosa, [6 ed.], Madrid, la Viuda de D. Joachn Ibarra, 1790. L. I, Cap. IV, p. 9/10.42 NEGREIROS, Joz Manuel de Carvalho. Jornada pelo Tejo..., fls. 54v.43 Id., ibid., fls. 55.44 BELIDOR, Bernard Forest de. La science des ingenieurs..., L. III, Cap. IV, p. 11.45 BERTHAULT-DUCREUX. Thorie et pratique des mortiers et ciments romains. Paris,Carillion-Goeury, 1833. p.127. Non seulement la bonne poudre de brique, mais encore lameilleure pouzzolane, se conduit avec la chaux, peu prs comme une poudre inerte, si lemortier dont elle fait partie nest pas immerg, ou au moins maintenu lhumidit.46 PAPACINO, Alessandro Vittorio dAntoni. Architectura militar. Trad. de Pedro J. Xavier.Lisboa, Typ. Regia Silviana, 1795. t. IV, p. 243.

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    47 COUTINHO, Antnio de Sousa. Pozolanas, betes com pozolanas e cimentospozolnicos, Lisboa, LNEC, 1958. Memria n. 136. Parte II, Cap. V, p. 53.48 Id., ibid., Apndice I, p. 143.49 MASSAZZA, Franco; PEZZUOLI, Mario. Some teachings of a roman concrete...,p. 220-245. p. 222.50 Informao dada pela Dra. Marisa Laurenzi-Tabasso, do ICCROM (Roma/Itlia).51 CHIARI, Giacomo et al. Le malte pozzolaniche del mausoleo di SantElena e le pozzolanedi Torpignattara, Materiali e strutture: problemi di conservazione. Roma, LErma diBreschneider, 1996. n. 1 (ano VI), p. 1-36.52 COUTINHO, Antnio de Sousa. Pozolanas, betes com pozolanas e cimentospozolnicos..., Apndice II, p. 147.53 Id., ibid., Apndice I, p. 143/144.54 Comit criado na Itlia, h alguns anos, para discutir e padronizar os ensaios e asanlises necessrias para se caracterizar de maneira satisfatria os materiais de construo,no mbito da conservao e da restaurao.55 Trass uma pozolana natural alem, e no um produto diverso.56 LEDUC, E., Chaux et ciments. 2 ed.. Paris, J. B. Baillire et fils, 1919. Cap. I, p. 12.57 Quando analisada em uma lmina delgada, a pozolana conhecida por sua estruturafenoclstica vtrea e pelas figuras de quenching, alm de sua elevada porosidade. estaelevada porosidade que favorece as reaes entre a pozolana e a cal extinta, com aformao de compostos hidrulicos.58 Tanto para obras aquticas como para aquelas em terrenos secos.59 MASI, Girolamo. Teoria e pratica di architettura civile. Roma, Antonio Fulgoni, 1788. Cap.I, I, p. 35.60 DE ROM DE LISLE, Jean-Baptiste. Cristallographie. 2 ed.. Paris, LImprimerie deMonsieur, 1783. t. II, p. 640, III Les pouzzolanes grises, brunes, noires, jauntres,rougetres, & c. qui ne sont quun dtritus de ces mmes laves poreuses & cellulaires,passant avec le temps ltat ocreux ou argileux, & dont on fait ce ciment si vant pour lesconstructions sur.61 CHIARI, Giacomo et al. Le malte pozzolaniche del mausoleo di SantElena e le pozzolanedi Torpignattara..., p. 7.62 DE ROM DE LISLE, Jean-Baptiste. Cristallographie..., t. II, p. 656, III.63 VITRUVIO, Marco Lucio. Los diez libros de arquitectura, traduo de Agustn Blnquez...,L. II, Cap. V, p. 44.64 PLOMMER, Hugh. Vitruvius and later Roman building manuals, Cambridge, The UniversityPress, 1973. p. 37.65 MARTINI, Francesco di Giorgio. Architettura civile e militare, Trattati di architettura,ingegneria e arte militare, comentrios de Corrado Maltese, Milo, Il Polifilo, 1967. v. I, p.115/116 Si alcuno smalto, stucco o calcestruzzo overo lastrico fare vorremo, pigliaraipolvare di tegole staia due, calcina staia due, scaglia di ferro staia mezzo. E questi intrisi emisti con dicozioni di bucce dolmo. E cos per tempo di d quindici rimenando imbeverando,dipoi smaltando quello che vuoi, colla cazzuola ogni giorno deffregando con morca dolioo lardo per infin tanto vedrai che lacqua rendi.

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    66 DAVILER, Augustin Charles. Cours darchitecture, 3ed., Amsterdam, George Gallet,1699. t. I. p. 214.67 Id., loc. cit. [...] il se broye avec de la chaux vive dont un tiers suffit sur deux tiers deciment // ...ela se prepara com cal viva, da qual um tero suficiente para os dois deciment.68 FLIBIEN, Andr, Des principes de larchitecture..., 1699, p. 376. [...] nostre ciment faire du mortier, qui est de la tuile cass [...]69 BELIDOR, Bernard Forest de. Dictionnaire portatif de lingnieur..., p. 65. Ciment. Cestdu tuileau concass, qui ml avec de la chaux fait le meilleur mortier, & qui est dun bonusage pour les ouvrages fonds dans leau.70 BELIDOR, Bernard Forest de. La science des ingenieurs..., L. VI, p. 76 Celui qui seraemploy aux renduits & citernaux, tant du dedans que du dessus, sera fait avec tuileaux devieilles tuiles bien cuites, sans quil soit employ aucune brique; il sera bien battu, pulveris,& pass au tamis du boulanger, & le mortier fait avec deux cinquimes de chaux vive deBoulogne, & trois cinquiemes du dit ciment, le tout bien battu, & dml tous les joursconsecutivement jusqu ce quil soit employ.71 Neste caso, a areia no foi, ao menos aparentemente, includa na mistura.72 BELIDOR, Bernard Forest de. La science des ingenieurs..., L. IV, Cap. XII, p. 82 Porexemplo, neste captulo isto tambm ocorre.73 Id., ibid., L. III, Cap. V, p. 15. [...] qui ne sont point de la derniere consquence, mais quimritent pourtant quelquattention.74 BELIDOR, Bernard Forest de. Architecture hydraulique. Paris: Jombert Jeune, 1782/1790. t. I, Parte I, L. II, Cap. III, p. 359.75 Id., ibid., t. I, Parte I, L. II, Cap. II, Prancha 4, Fig. 5.76 O material, por ser mais poroso, poderia dar origem a um p mais macio. O problemaseria a eventual presena de sais e de microorganismos, mas isto no foi mencionadonos textos consultados.77 comum, ainda hoje, quando as telhas fissuram, a penetrao da gua por estespontos, carreando os sais solveis eventualmente depositados em sua superfcie para ointerior da construo.78 BLONDEL, Jacques-Franois. Cours darchitecture..., v. VII, t. V, Cap. V, Art. III, p. 187.79 O autor no informou que uma argamassa feita simplesmente com cal e areia tambmestaria viabilizada.80 No caso, foi indicado o uso de telha moda.81 [FREMIN]. Memoires critiques darchitecture. Paris: Charles Saugrain, 1702. p. 105.82 Id., ibid., p. 108 La pulverisation ou le concassement du ciment luy donne differentconfiguration; il est plein de pointes, sa substance est ferme; cest pourquoy il ne scrassepoint sous aucun autre mineral, il en soutien tout le poids; labondance de ses sels & lamultiplicit de ses angles luy acquierent sa tenacit, & ils luy fournissent des moyens plusprompts & plus vifs de saccrocher, cest de cette vive adhesion, quest venu le proverbe, ilbtit chaux et ciment, parce quun ouvrage de cette sort est ternel.83 ASHURST, John. Mortars, plasters and renders in conservation, Londres, EASA/RIBA,1983. p. 12. Pozzolana has become a generic name for any additive which will react with

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    lime to produce a hydraulic set [...] Roman builders also used bricks, tiles and potterycrushed to dust and ground iron slag as pozzolanic additives.84 OLIVEIRA, Mrio M. de; SANTIAGO, Cyble C.; AMARAL, Allard M. do; MONTEIRO,Tersandro Paes do R.. Soil-containing mortars in the restoration of monuments. Textoapresentado no IV ICAM, Cancn, 1995.85 OLIVEIRA, Mrio M. de; SANTIAGO, Cyble C., JESUS, Jos Augusto Brito de, OLIVEIRA,Teresa Cristina M. de. Argamassas bastardas: origens e propriedades, Atas da 2 SemanaPensando em Argamassas, Salvador, DCTM/EPUFBA, Maro/96, p. 24-34. p. 29.86 CASTANHEIRA DAS NEVES, J. da P. Estudo sobre algumas caes hydraulicas emagnesianas nacionaes, Revista de Obras Pblicas e Minas, Lisboa, t. XXIII, Jul./Set.1892, n. 271 a 273. p. 207-304. p. 208.87 BELIDOR, Bernard Forest de. La science des ingenieurs..., L. III, Cap. IV, p. 12. Terrasse de Holande. Cest une espce de poudre fait dune terre qui se trouve assez prsdu bas Rhin en Allemagne & aux environs de Cologne; on la cuit comme le pltre; & on lareduit ensuite en poudre. Cette poudre est excellente pour la composition du mortier quandon veut btir dans leau.88 BELIDOR, Bernard Forest de. Dictionnaire portatif de lingnieur..., p. 306.89 BELIDOR, Bernard Forest de. La science des ingenieurs..., L. III, Cap. V, p. 16.90 BLONDEL, Jacques-Franois, Cours darchitecture..., v. VII, t. V, Cap. V, Art. IV, p. 193. [...] une pierre de couleur gristre, quon trouve prs du Bas-Rhin, en Allemagne, & dans lesPays-Bas. Celle-ci si prpare comme le pltre, & on lcrase ensuite pour la dtremper avecde la chaux.91 [MILIZIA, Francesco]. Principii di architettura civile..., t. III, p. 41. Ne contorni di Coloniae del basso Reno si usa una specie di polvere grigia, detta terrazza di Olanda, e si fa di unaterra, che si cuoce e si macer come il gesso [...] Anche i ciotolli di qualunque luogo roventati,e ridotti in polvere, danno una specie di terrazza dOlanda, che unita colla calce fa un ottimocemento.92 LEDUC, E.. Chaux et ciments, 2 ed.. Paris, J. B. Baillire et fils, 1919. Cap. I, p. 12.93 BELIDOR, Bernard Forest de. La science des ingenieurs..., L. III, Cap. V, p. 16 // BELIDOR,Bernard Forest de, Dictionnaire portatif de lingnieur..., p. 54. Cendre de Tournai. Lesenvirons de Tournai fournissent une pierre trs-dure, dont on fait une chaux excellente.Quand cette pierre est dans le four, il sen dtache de petites parcelles qui tombent sous lagrille, u elles se mlent avec la cendre du charbon de terre; et comme cette cendre nestautre chose que de petites parcelles de houille calcine, cest le mlange qui sen fait quicompose ce quon appelle cendre de Tournai, qui se dbite telle quon la tire du four.94 [MILIZIA, Francesco]. Principii di architettura civile..., t. III, p. 41.95 BOUILLET, M. N.. Dictionnaire universel des sciences, des lettres et des arts..., p. 289,verbete cendre. [ ...] mlange de pierre chaux calcine et de cendres de charbon deterre, qui sert de ciment pour les coupelles et quon emploi aussi quelquefois commeciment hydraulique.96 Anlise qumica e anlise petrogrfica, por exemplo.

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