Clockwork Orange

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Academic work to discipline editorial design.

Text of Clockwork Orange

  • Laranja Mecnica 1Parte I

  • Laranja MecnicaPa

    rte

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  • Laranja Mecnica 3Parte I

  • Laranja MecnicaAnthony Burgess

    TraduoNeloson Dantas

  • Sumrio

    Parte I

    Parte II

    Parte II

    11

    103

    193

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  • Introduo

    A Laranja Mecnica, um relato autobiogrfico de Alex, um jovem inteligente, admirador de Beethoven, sexo, drogas e ultraviolncia. Na luta constante para afirmar sua individuali-dade, das piores maneiras possveis, (mas o que se pode espe-rar de um garoto de quatorze anos?). Contra uma sociedade hipcrita, que longe de conseguir resolver suas contradies, se utiliza de mtodos repressivos como se pudesse extirpar o mal, ignorando que esse inerente ao homem.

    Mais ainda, a ruindade faz parte do ser, do eu, tanto em mim quanto em vocs no odinoque, e este eu feito por Bog, ou Deus, e o seu grande orgulho e radoste. Mas o no-ser no pode aceitar o mal, quer dizer, os do governo, os juizes e os colgios no podem permitir o mal porque no podem permitir a individualidade. E no a nossa Histria moderna, meus irmos, a histria de bravas individualidades malenques lutando contra essas mquinas enormes? Quanto a isto, meus irmos, eu estou falando com toda a seriedade. Mas, o que fao, fao porque gosto.

    Mesmo Escrito em 1962, notaram alguma diferena com a realidade? Pelo seu contedo critico e proftico da sociedade moderna, Antonhy Burguess, com certeza est no mesmo nvel de importncia para literatura quanto George Orwell e Aldous Huxley, que provavelmente foram autores que lhe inspiraram. Nascido na Inglaterra em 1917, lutou na 2o Guerra Mundial, o que lhe deu uma boa idia da brutalidade e selvageria que o homem pode chegar e todas as medidas repressivas e total-itrias que podem vir agregadas em utopias de mundos justos e igualitrios.Sua obra, A laranja Mecnica serviu de inspirao para peas de teatro e o clssico do cinema, dirigido por Stanley Kubrick, o qual ele considera a sua obra-prima.No esquecendo de avisar das mais de 200 grias criadas pelo autor, inspirado em expresses russas e neologismo da lngua inglesa. O vocabulrio est no final do livro.

  • Parte

    I

  • Laranja Mecnica 11Parte I

    Qual vai ser o programa, hein?

    Tinha eu, quer dizer, Alex e meus trs drugues, quer dizer, Pete, Georgie e o Tapado, o Tapado sendo realmente tapado, e ns estvamos sentados no Leitebar Korova, rassudocando o que fazer da noite, num inverno agitado, preto e gelado, uma merda, se bem que seco. O Leitebar Korova era um mssito de tomar leitecom, e vs, meus irmos, j podem ter se esque-cido como eram aqueles mssitos, com as coisas mudando to escorre hoje em dia e todo mundo muito rpido pra esquecer, os jornais tambm no muito lidos. Bom, o que vendiam l era leite com alguma coisa. No tinham licena pra vender bebi-da, mas tambm ainda no tinha nenhuma lei contra prodar algumas das novas vssiches que eles costumavam botar no moloco, de modo que a gente podia pitar ele com velocete, ou sintemesque, ou drencrom, ou uma ou duas outras vssiches que deixavam a gente uns bons e tranquilos quinze minutos horrorshow admirando Bog e Todos os Seus Bem Aventurados Anjos e Santos no sapato esquerdo, e com luzes pipocandodentro do mosgue. Ou se podia pitar leite com facas, como a gente costumava dizer, e isso deixava a gente afiado e pronto pra uma sujeira de vintecontraum, e era isso que a gente estava pitando naquela noite com que eu estou comeando a histria. Nossos bolsos estavam cheios de dengue, portanto, no havia realmente necessidade, do ponto de vista de crastar mais tutu, de toltchocar um veque velho qualquer num beco e vide-ar ele nadando no prprio sangue, enquanto a gente contava a fria e dividia por quatro, nem de fazer ultraviolncia com alguma trmula ptitsa estarre de cabelo branco numa loja e a sair esmecando com o recheio da caixa. Mas, como diz o outro, o dinheiro no tudo. Ns quatro estvamos vestidos no rigor da moda que, naquele tempo, eram umas malhas pretas muito justas, com um acolchoado preso as virilhas por baixo da malha, sendo isso pra proteger e tambm uma espcie de desenho que

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    ficasse visvel, havendo uma certa luz, de modo que eu tinha um com formato de aranha, Pete tinha um rquer (quer dizer, mo), Georgie tinha uma flor muito bacaninha e o coitado do Tapado, um cretino dum litso (rosto, quer dizer) de palhao, porque o Tapado no tinha muita noo das coisas e era, sem sombra da menor duvida, o mais tapado de ns quatro. Depois, a gente estava usando jaquetas cintadas sem lapelas, mas com aqueles enchimentos enormes nos ombros (a gente dizia pletchos) e que eram uma espcie de arremedode quem tinha os ombros realmente assim. Depois, meus irmos, a gente estava usando aqueles gravates largos, feito lenos, esbranquiados, que pareciam pur de cartfel, ou batata, com uma espcie de desenho marcado em cima do tecido com um garfo. A gente usava o cabelo no muito longo e calava botas pesadas horrorshow pra chutar. Qual vai ser o programa, hein? Tinha trs devtchecas sentadas juntas no balco, mas ns, os maltchiques ramos quatro e geralmente o negcio era um por todos e todos por um. As tais gurias tambm estavam no rigor da moda, de perucas roxas, verdes e cordelaranja nos respectivos glivers, cada peruca no custando menos do que trs ou quatro semanas de trabalho de cada uma delas, pelos meus clculos, e usavam pintura combinando (quer dizer, arcoris em volta dos glazes e a rote muito pintada). Depois, elas estavam de vestidos longos pretos, muito lisos e, na altura dos grudes,tinham plaquetas de prata com diversos nomes de maltchiques escritos Joe, Mike e outros mais. Era pra ter Os nomes dos diversos maltchiques com quem elas tinham espatado antes dos catorze anos. Olhavam muito na nossa direo e eu estava com vontade de dizer que ns trs (isso seria com o canto da boca, claro) devamos dar uma sada pra fazer um pouco de pol e deixar o coitado do Tapado pra trs porque era s questo de cupetar pra ele um meio litro de branco, mas dessa vez com uma bom-bada de sintemesque dentro, mas isso no ia ser da regra do

  • Laranja Mecnica 13Parte I

    jogo. O Tapado era muito feio, que nem o nome dele, mas numa briga suja ele era muito horrorshow e muito bom de bota. Qual vai ser o programa, hein? O tcheloveque sentado ao meu lado, sendo o assento de pelcia comprido e dando a volta a trs paredes, estava muito noutra, com os glazinhos esgazeados e meio engrolando eslovos como Aristteles obra peleosso no campo ciclame fica forficulada aguda. Estava mesmo viajando, longe, em rbita, e eu sabia como era o negcio, que eu j tinha experimentado como todo mundo, mas naquela ocasio eu j estava achando que era uma vssiche muito covarde, meus irmos. A gente ficava l depois de beber o moloco e ai vinha o mssel de que tudo em volta estava como que no passado. A gente videava tudo, sim, tudo muito claro as mesas, o estreo, as luzes, as gurias e os maltchiques mas era assim uma vssiche qualquer que tinha estado l, mas j no estava mais. E a gente ficava meio hipnotizado pela bota, ou pelo sapato, ou por uma unha, e ao mesmo tempo era agarrado por trs da gola e sacudido como se fosse um gato. Sacudido e sacudido at no fica nada. Perdia o nome, o corpo, a personalidade, e nem ligava, ficava esperando que a bota ou a unha ficasse amarela, e cada vez mais amarela. Ai, as luzes comeavam a estourar como se fossem atnicas e a bota, ou a unha, ou, podia ser, um sujinho nos fundilhos virava um mssito grande, grande, grande, maior do que o mundo todo e a gente ia ser apresentado ao velho Bog, ou Deus, quando tudo tivesse acabado. Depois a gente voltava terra, a meio choramingando com a rote toda se preparan-do prum buaaaaaaa. Bem, tudo isso muito agradvel mas muito covarde. A gente foi posto nesse mundo s pra entrar em contato com Deus. Esse tipo de coisa capaz de esgotar toda a fora e toda a bondade de um tcheloveque. Qual vai ser o programa, hein? O estreo estava ligado e a gente tinha a impresso do que a

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    golosse do cantor estava se mexendo de um lado pro outro do bar, voando pro teto e depois mergulhando de novo e zunindo de parede a parede. Era Berti Laski, rouquejando um sucesso j muito estarre chamado Voc Empola a minha tinta. Uma das trs ptitsas no balco, a de peruca verde, estava mexedo com a barriga pra dentro e pra fora, ao ritmo daquilo que chamavam de msica. Eu sentia as facas do moloco comear a espetar e j estar pronto pra um pouco de vintecontraum. Por isso, berrei: Fora fora fora fora! e ai rachei o tal veque que estava sentado ao meu lado e joguei ele longe, estalandolhe uma tapona no uco, ou ouvido, mas ele no sentiu e continuo com o seu Ferragens telefnicas e quando o longiclulo ficar ratatatat. Ele ia sentir direitinho quando ficasse bom, de volta da viagem. Fora pra onde? disse Georgie. Ah, s pra andar um pouco disse eu e videar o que que pinta no horizonte, meus irmozinhos. Ento a gente se mandou pela grande ntchi de inverno e caminhou descendo o Marghanita Boulevard, depois virou na Boothby Avenue e l a gente encontrou bem o que estava procurando, um passatempozinho malenque pra comear a noitada. Tinha um veque estarre, tremulo,com pinta de professor, de culos, a rote aberta pro ar frio da noite. Tinha livros debaixo do brao e um guardachuva sebento e estava dobrando a esquina da Bblio Pblica que muito poucas ludes freqentavam naquele tempo. Na verdade, nunca se via muita pinta de burgus velho nas ruas, naquele tempo, depois do cair da noite, assim com a escassez de policia e ns os jovens maltchiquezinhos solta, e aquele velho com pinta de professor era o nico andando na rua inteira. E