Caso 4 Caso clinico

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ANLISE DE CASO CLNICO 4 (CEASC- Dermatologia)

Data da consulta: 19/08/15Nome: Maria Vieira MarquesGnero: FEM Data de nascimento: 14/02/1927 Idade: 88Naturalidade: Belo Horizonte Procedncia/ origem: Belo Horizonte

1. ANAMNESE:

Motivo principal da consulta: Bolhas e leses espalhadas pelo corpoHistria da molstia atual: Paciente acamada, no responsiva e em uso de O2 por mscara com dispositivo externo acoplado, vem acompanhada da filha que relata que a paciente iniciou quadro dermatolgico em 11/02/2015, aps o aparecimento de febre repentina, seguida do aparecimento das leses. Filha queixa que mesmo aps internao por PMN entre 13/03/15 e 28/03/15, quadro dermatolgico foi negligenciado pela equipe da Santa Casa (SIC). Segundo a filha, as leses acometem todo o corpo, poupando apenas face, e iniciam formando bolhas, que se rompem espontaneamente, surgindo bolhas, que predominam em MMII, associado h odor desagradvel. Faz acompanhamento do quadro crnico com o mdico do posto de sade, por visita domiciliar. Quadro de Alzheimer de longa evoluo.

Histria pregressa:Diversas internaes por PNMHAS: Em uso de Losartana 25mg

2. EXAME FSICO:

Dados vitais e antropomtricos:FR: 17irpm FC: 63 bpm PA: 130x80

-Pele: Presena de mltiplas leses por todo o corpo, predominado em MMII e MMSS, em sua maioria formada por crostas cicatriciais circulares e bem delimitadas. Presena de bolhas tensas e de carter amarelado em regio patelar. Ausncia de leses em mucosas.

-EctoscopiaPaciente acamando, no deambula, no responsivo. Hidratado, normocorado-COONGSem cadeias linfonodais palpveis.-Sistema respiratrioTrax simtrico, sem abaulamentos ou retraes, com expansibilidade adequada e ausculta evidenciou murmrio vesicular fisiolgico, sem a presena de rudos adventcios.-Sistema cardiovascularTrax simtrico, sem abaulamentos ou retraes, com expansibilidade reduzida ; Ritmo Cardaco Regular em 2 tempos, sem sopros. -AbdomePlano, simtrico, sem presena de cicatrizes, abaulamentos ou retraes. Parede abdominal ntegra, sem visceromegalia. Rudos Hidroareos presentes.

3. HIPTESE DIAGNSTICA: Penfigide BolhosoHASDemncia por doena de Alzheimer

4. CONDUTAS:Solicitado bipsia de lesoRastreamento para neoplasias: RX trax, US abdominal, TSH, RNI, Sangue oculto em fezes e EPFEncaminho para Ginecologia Retorno com biopsia

5. SUMRIO DE EVOLUO DO PACIENTE:Aguardando retorno com a bipsia para avaliar iniciou de TTO e rastreamento das neoplasias.

6. REFLEXES:

7.1- O que aprendi de novo com este caso: Quadro muito interessante, que provavelmente fixar os conhecimentos desta doena para que eu tenha capacidade de diagnostica-la no futuro. Mais uma vez, a filha relatou uma demora extrema para a paciente ser diagnosticada, mesmo aps trs meses de internao na Santa Casa. Sendo uma doena importante de se ter o diagnostico, pois, o tratamento eficaz e devido a possibilidade de ser uma sndrome que pode relacionar-se a neoplasias preexistentes.

Foto das leses: (com consentimento familiar):

REVISO DA LITERATURA SOBRE PENFIGIDE BOLHOSO

Penfigide bolhoso doena bolhosa auto-imunesubepidrmica, que acomete indivduos idosos, sendo comum acima dos 60 anos de idade, embora possa raramente ocorrer tambm na infncia. No h predileo por raa ou sexo.

MANIFESTAES CLNICAS: Caracteriza-se por bolhas grandes e tensas de contedo claro ou hemorrgico que aparecem sobre pele normal ou eritemato-edematosa urticariformes e intensamente pruriginosas. As leses tm predileo pelas reas flexurais, particularmente face interna das coxas, virilha, axilas, parte inferior do abdome, podendo acometer todo o corpo, embora alguns doentes possam apresentar doena deforma localizada. Pode haver comprometimento mucoso que ocorre em cerca de 10 a 35% dos doentes, geralmente limitado mucosa bucal. Os lbios so raramente acometidos. A associao de neoplasias e penfigide bolhoso relatada, porm parece no haver aumento de incidncia de doenas malignas nos doentes de penfigide bolhoso, quando comparados com indivduos da mesma faixa etria. Alguns autores sugerem que doena maligna associada e presena de leses mucosas seriam mais frequentes nos doentes de penfigide bolhoso sem anticorpos circulantes detectados no exame deimunofluorescncia indireta.Doentes com penfigide bolhoso podem apresentar em 50% eosinofilia no sangue perifrico, podendo estar correlacionada ao aumento srico de IgE.DIAGNSTICO: Feita a suspeita clnica, necessria a confirmao laboratorial via exame histopatolgico e imunofluorescncia. histologicamente, o penfigide bolhoso apresenta bolha subepidrmica, no acantoltica e infiltrado inflamatrio com numerosos eosinfilos, moncitos e alguns neutrfilos.TRATAMENTO: Os tratamentos indicados para o penfigide bolhoso so corcicosterides sistmicos, habitualmente prednisona 1 m g/kg/dia at o controle das leses e reduo gradual. Outros tratamentos indicados sodapsona 100 mg/dia, tetraciclina 2 g/dia associada nicocinamida 1,5 g/dia, metotrexato 5 mg/semana, azatioprina 2 mg/kg/dia, ciclofosfamida 2 mg/kg/dia, micofenolaro mofetil 25-35 mg/kg/dia at a dose de 3 g/dia, ciclosporina 3 mg/kg/dia, imunoglobulina endovenosa 2 mg/ kg/ms e plasmaferese.Corticosterides tpicos podem ser indicados na doena localizada.PROGNSTICO: Demonstra-se uma mortalidade de 17% aps trs meses de evoluo e de 31% aps 6 meses de evoluo, sendo as principaiscausas de bito sepse e doena cardiovascular. So fatores de pior prognstico: idade maior de 86 anos, estado geral comprometido e doena cutnea generalizada.