CA‡ADORES E COLETORES - .CA‡ADORES E COLETORES META Refletir sobre as primeiras formas de sociabilidade

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  • CAADORES E COLETORES

    METARefletir sobre as primeiras formas de sociabilidade apresentadas pelo

    homem.

    OBJETIVOSAo final desta aula, o aluno dever:

    definir primeiros elementos do comportamento humano cultural e suas formas sociais;

    definir o conceito de perodo Paleoltico.

    PR-REQUISITOSTer assimilado o contedo da aula, diviso do trabalho, cultura e sociedade

    Aula 5

    Alfredo Julien

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    Pr-Histria

    INTRODUO

    A variedade cultural com que se apresentam as sociedades humanas resultado de um longo processo de diferenciao, ocorrido a partir das formas organizativas presentes entre os primeiros seres humanos. Foi so-mente no processo das transformaes histricas que foram aparecendo sociedades com organizaes e diviso do trabalho cada vez mais complexas e variadas. Nesta aula, teremos como tema as primeiras sociedades humanas, procurando estabelecer quais seriam seus comportamentos sociais.

    Ilustrao representando o homem do perodo paleoltico desempenhando o fabrico de ferramentas de pedra.(Fonte: http://www.profviseu.com).

    Ver glossrio no final da Aula

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    Caadores e coletores Aula 5EVOLUO SOCIAL

    A cincia nos mostra que o aparecimento das sociedades humanas, como o de todas as formas de vida, na Terra resultado de um longo processo evolutivo. No nosso objetivo estabelecer como se operou esse processo. Consideramos que, para esse tema, basta apenas declararmos nossa concordncia com a idia da evoluo das espcies, operada pelo processo de seleo natural.

    Estudos cientficos mostram que os seres humanos atuais e chim-panzs compartilham pelo menos 98% de identidades em suas estruturas genticas. Esses mesmos estudos indicam ainda que a separao entre as linhas evolutivas que levaram ao ser humano e aos chimpanzs ocorreu h sete milhes de anos.

    Vrias pesquisas cientficas concluram que o homem faz parte de uma linhagem de primatas origi-nada h 58 milhes de anos antes do presente e que sofreu diversas outras divises, resultando na separao em duas linhagens: uma levando aos macacos africanos (cercopitecneos) e a outra aos chimpanzs, gorilas, orangotangos, gibes e homindeos. O grfico acima apresenta as relaes evo-lutivas entre os principais grupos de primatas citados. Os nmeros indicam o tempo de divergncia entre as linhagens, em milhes de anos. O quadro traz as distncias genticas (em %) entre os trs gneros de hominides mais prximos ao homem (chimpanz, gorila e orangotango).Fonte: CARVALHO, Fernando Lins de; DINIZ-FILHO, Jos Alexandre Felizola e VALVA, Fabrcio DAyala. Evoluo humana e o povoamento da Amrica. So Cristvo: MAX, 2005, p. 6.

    No possvel delimitar de forma taxativa o processo evolutivo que gerou a espcie humana, a partir de um ancestral comum partilhado com os chimpanzs. H muita discusso e controvrsia a respeito desse assunto.

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    Pr-Histria

    O QUE CRIACIONISMO?

    Criacionismo um termo que incorpora todas as crenas de que as origens do universo e da vida so atribuveis ao sobrenatural e a meios milagrosos. No Cristianismo, o Criacionismo diz que Deus (a divindade crist) criou o mundo e tudo o que h nele, a partir do nada. Os criacionistas acreditam que a explicao do incio do mundo dada no Gnesis, o primeiro volume do Velho Testamento, a verdadeira explicao das origens de tudo o que vemos em nosso redor. A abertura de Gnesis diz: No princpio, Deus criou os cus e a terra. A terra, porm, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Esprito de Deus pairava por sobre as guas. Disse Deus: haja luz; e houve luz. A criao do Universo e tudo o que h nele levou seis dias. No primeiro dia, Deus criou a luz e a escurido. No segundo, Ele criou os cus e no terceiro, a terra seca e a vegetao. Deus criou o Sol e a Lua no quarto dia; peixes e pssaros no quinto dia e os animais terrestres e os seres humanos, no sexto dia. A explicao da criao no Gnesis a base para todo o criacionismo cristo, ao passo que h, na verdade, muitos tipos diferentes de criacionistas dentro do Cristianismo. Um criacionista da terra plana, por exemplo, acredita no somente que Deus criou o mundo a partir do nada, mas tambm que a Terra plana, imvel e tem somente cerca de 6 mil anos. Um criacionista moderno, por sua vez, aceita as vises da astronomia moderna e os mtodos de datar geologicamente que determinam que a Terra tem bilhes de anos, mas no aceita as descobertas da biologia moderna: ele acredita que as espcies s podem evoluir com a permisso de Deus.

    TEORIA DO PLANO INTELIGENTE

    A Teoria do Plano Inteligente (IDT) a forma de criacionismo mais nova no Brasil, mais sofisticada e menos marcadamente

    religiosa que agora se importa dos Estados Unidos.

    Alm do que um tema que envolve um conhecimento especializado: o da paleontologia, que est fora de nossas possibilidades. Aqui nos ateremos somente aos aspectos sociais envolvidos nesse percurso evolutivo, deixando de lado a questo biolgica do problema.

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    Caadores e coletores Aula 5O debate entre os que defendem as idias evolucionistas e as criacionistas

    intenso. Voc pode participar dele navegando pela internet! L, caro aluno ou cara aluna, voc ver a que ponto chega o calor das discusses. No temos a inteno de entrar nesse debate. A nossa posio muito mais simples. No estamos interessados nos aspectos da evoluo biolgica e sim no processo de transformaes histricas e culturais. Alm do mais, parece-nos que nossas idias a respeito do assunto no conflitam com a Teoria do Plano Inteligente.

    A pergunta que estabelecemos como ponto de partida para orientar nossa reflexo a seguinte: de que formas se organizariam as primeiras so-ciedades humanas? Uma questo que, lembramos, no pode ser respondida de maneira objetiva e inquestionvel.

    Em termos biolgicos, o primeiro vestgio deixado pela linha evolutiva, que levou aos homens modernos, foi o aparecimento de seres que desenvolv-eram a habilidade para a postura ereta, andando com desenvoltura sobre as duas pernas. Richard Klein, em seu livro O Despertar da Cultura, nos traz as seguintes observaes sobre esses nossos antepassados mais longnquos.

    Os mais antigos representantes da linha humana ainda se pareciam e agiam muito como os macacos, e um eventual observador poderia t-los confundido com um tipo de chimpanz. No entanto, havia uma diferena essencial: no cho, preferiam caminhar de p, sobre duas pernas. Tecnicamente eles so conhecidos hoje como australopitecos, mas na aparncia e no comportamento podiam se chamar macacos bpedes.

    Klein observa que embora a estrutura anatmica dos australopitecos indique que eles preferiam caminhar de p, no que respeita ao comporta-mento deviam assemelhar-se aos chimpanzs. A observao importante, pois nos alerta para o fato de que a postura ereta por si s no um sinal inequvoco para um correspondente comportamento humano. Os australo-pitecneos eram bpedes, mas, provavelmente, no possuam as capacidades mentais caractersticas dos seres humanos.

    Mas quais seriam essas capacidades essenciais que definiriam o com-portamento humano de todos os outros animais? Como afirmamos an-teriormente, o comportamento humano caracteriza-se pela sua qualidade de produzir cultura, por meio da capacidade altamente desenvolvida de inventar tecnologias, formas sociais e idias. Assim, para ns, os primeiros indcios de comportamento propriamente humano estariam relacionados a vestgios que pudessem comprovar o desenvolvimento de habilidades nesses trs campos.

    No campo da tecnologia para a produo de instrumentos, embora os primeiros australopitecneos tenham surgido por volta de 6 milhes de anos atrs, os primeiros sinais de artefatos de pedras produzidos por seres

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    Pr-Histria

    humanos primitivos datam somente de 2,5 milhes de anos. Eram ferra-mentas simples de pedras lascadas talhadas de forma rudimentar.

    Oldowayense: seixos ta lhados ( chop-ping tools). (Fonte: BRZILLON,M. Dicionrio de Pr-H i s t r i a , p. 198 , 1998).

    De princpio, os utenslios fabricados pelos seres humanos primitivos eram rsticos e simples, feitos de pedras lascadas

    Comentando os resultados obtidos pelos trabalhos de escavao em um stio arqueolgico na frica Oriental, s margens do lago Turkana, onde estudava os restos materiais de um grupo de humanos primitivos, que teria vivido no local h 1,5 milhes de anos, Glynn Isaac observa:

    O stio proporcionou uma evidncia particularmente clara sobre algumas coisas que os primeiros homindeos faziam: eles repetidamente carregavam pedras para alguns locais de sua preferncia e faziam com elas alguns implementos simples de gume afiado. Para esses mesmos lugares parecem que levavam partes de carnias de alguns animais. Uma vez l, eles presumivelmente comiam a carne e certamente quebravam os ossos para obter o tutano. Quando as pessoas perguntam por que os homindeos no comiam carne onde a encontravam, eu posso apontar uma srie de razes potenciais. possvel que simplesmente fossem comer sombra, mas parece ainda mais provvel que eles levassem a comida para locais especiais por razes sociais muito particularmente para alimentar os mais jovens, e at mesmo para alimentar seu companheiro e seus parentes. Comportamentos de partilha de alimentos como este tornaram-se parte universal do padro humano num dado estgio da evoluo (LEAKEY, 1982, p.89).

    Os indcios materiais encontrados nesse stio sugerem que os indi-vduos desse grupo possuam uma dieta alimentar baseada tanto na carne como em vegetais, e que compartilhavam alimentos, estabelecendo uma

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    Caadores e coletores Aula 5

    Mapa indicativo da localizao do lago Turkana.(Fonte: http://www.homepage.mac.com).

    rede de relaes que os coloca claramente na direo da evoluo humana, distinguindo-os do puramente animal.

    A economia baseada na coleta de carnes e veget