BOAL E BENE: contamina§µes para um teatro menor .director Augusto Boal created it during the years

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  • SILVIA BALESTRERI NUNES

    BOAL E BENE:

    contaminaes para um teatro menor

    Tese apresentada Banca Examinadora da Pontifcia

    Universidade Catlica de So Paulo, como exigncia parcial

    para obteno do ttulo de Doutor em Psicologia Clnica, sob a

    orientao do Prof. Doutor Luiz Benedicto Lacerda Orlandi.

    Doutorado em Psicologia Clnica

    PUC/SP

    So Paulo 2004

  • Ao Alexandre,

    ao Pedro

    e aos meus pais,

    com muito amor.

  • AGRADECIMENTOS

    Muitas pessoas e algumas instncias acadmicas colaboraram para a

    realizao desta tese, dentre as quais agradeo especialmente:

    - CAPES e ao PICDT-UFRJ, pelo indispensvel suporte financeiro;

    - aos meus colegas do Departamento de Psicologia Social do Instituto de Psicologia

    da UFRJ, pelo apoio decisivo;

    - ao meu autodenominado (des)orientador, professor Luiz Orlandi, pela escuta, pelas

    preciosas sugestes, sempre to certeiras e carinhosas, e pela estimulante

    convivncia, propiciando-me colecionar marcas que ainda vo ressoar por muito e

    muito tempo;

    - aos demais professores do Ncleo de Estudos e Pesquisas da Subjetividade, Suely

    Rolnik e Peter Pelbart, que, junto ao professor Orlandi, mantm, pela vitalidade de

    suas aulas, trajetos e propostas, esse osis acadmico do qual tive o prazer de

    participar;

    - aos queridos colegas do Ncleo, muito especialmente aos amigos Alexandre Henz,

    Damian Kraus e rika Inforsato, e tambm Maria Evangelina Piragino e Maria

    Helena Falco, que, na frtil troca de figurinhas, tornaram ainda mais agradveis a

    produo, a procura, as descobertas e as invenes;

    - aos superamigos, incansveis, que colaboraram, um no incio, outro ao final deste

    processo, Arthur (professor Arthur Arruda Leal Ferreira), que teve a pacincia e o

    carinho de ler meu projeto de tese e contribuir para sua realizao, e Guig

    (Guilherme Xavier Sobrinho), pelo acompanhamento inestimvel da feitura dessa

    tese, com quem pude renovar a amizade de anos, que se iniciou na paixo comum

    pelo teatro e que se mantm na descoberta de outras afinidades e disponibilidades;

  • - a Jean-Paul Manganaro, por sua extrema generosidade em compartilhar idias e

    ceder material de e sobre Bene; a Camille Dumouli e a Giorgio Passerone, que

    tambm forneceram precioso material e informaes para esta tese; e ao professor

    Daniel Lins, por me ter franqueado tais contatos;

    - queles que acolheram minhas questes e participaram com uma escuta atenta e

    com a troca de idias, professores Cassiano Quilici, Walter Lima Torres, Peter

    Pelbart, Marta Isaacson e Mauricio Lissovsky;

    - aos amigos da enda Brasil, particularmente Sonia Carvalho, Marcela Moura,

    Paulo Knauss e Cynthia Bogossian, pelas ricas reflexes compartilhadas no mbito

    do projeto Teatro Vivo da Mar;

    - aos queridos manicuros, Lampi, Peninha e Len, cuja experincia compartilhada e

    amizade sempre presente continuam dando frutos;

    - s queridas Eliana Scheler Reis e Marisa Hutz, que acompanharam analtica,

    afetiva e atentamente fases diferentes deste processo e sem as quais tudo teria

    sido bem mais difcil;

    - a todos que cuidaram com carinho do Pedro, de mim, dos meus arquivos e/ou de

    meus textos - Xande, Maria Albertina, Paulo Cesar, Tnia, Maria Helena, Paulo,

    Ingrid, Albertina, Roselane, Eliane, Marcelo, Joo Cndido, Tulio, Srgio - e ao

    prprio Pedro, que cresceu com a tese e j aprendeu a se cuidar;

    - aos meus pais, Guido e Davina, pelos cuidados mencionados acima, pelo estmulo

    aos estudos e pelo apoio nas minhas mais diferentes empreitadas, contanto que

    eu estivesse feliz;

    - e ao meu amor, Alexandre (Quadros), pelos cuidados, pela pacincia, pelo

    estmulo sem concesses e por todas as intensidades que temos experimentado

    juntos.

  • _______________________________________________________________________________________________

  • RESUMO

    Esta tese se prope a discutir formas de contaminao no teatro do oprimido a partir

    de aspectos do teatro contemporneo e das filosofias da diferena, especialmente a

    obra dos autores Gilles Deleuze e Felix Guattari. O teatro do oprimido um conjunto

    de tcnicas teatrais, organizadas em diferentes modalidades, que tem como principal

    objetivo colocar algumas maneiras de fazer teatro a servio da transformao social,

    possibilitando a seus praticantes expressar e debater, atravs da cena, situaes

    opressivas que vivem e compartilhar com as platias a busca de alternativas para o

    fim dessas opresses. Nasceu especialmente das inquietaes, invenes e

    sistematizaes de seu criador, o brasileiro Augusto Boal, nos anos 60, e hoje

    praticado em dezenas de pases. Recebendo boa acolhida em movimentos

    progressistas, tem evitado alianas com o teatro contemporneo, ao mesmo tempo

    em que prope como experincia teatral uma concepo de ator, dramaturgia e

    cena restritos ao campo da representao. Exclui, assim, de suas prticas e

    anlises, modos de subjetivao e de fazer artstico que propiciem o advento do

    novo, no como mera novidade, mas como inveno de outros modos de vida.

    Pensar em maneiras de contaminar essas prticas com problemticas colocadas

    contemporaneamente pela arte e pelas filosofias da diferena pode produzir um

    campo frtil de tenso nas concepes de subjetividade e fazer artstico e na

    inveno de novas formas de resistncia, propiciando, talvez, novas conexes e

    agenciamentos no universo das militncias e das aes sociais, polticas e estticas

    de esquerda. Partindo de um texto do filsofo Gilles Deleuze sobre o teatro de

    Carmelo Bene, escolheu-se como vrus contaminante a obra desse pluriartista

    italiano, devido radicalidade de sua busca por um teatro sem espetculo e por um

    novo ator, sem substncia, fazendo do seu um teatro menor. Levantam-se alguns

    aspectos relevantes da obra de Bene, que ajudam a pensar o teatro do oprimido e

    suas bases e propostas, especialmente quanto a uma adeso ou recusa ao

    naturalismo em teatro, e algumas alternativas a essa concepo artstica, o que,

    acompanhando Deleuze e Guattari, foi aqui denominado de "atos de minorao".

    Este um trabalho de abertura de vrios caminhos de pesquisa no campo de tenso

    que liga arte, poltica e novos modos de resistncia.

  • ABSTRACT

    This thesis intends to discuss forms of contamination in the theater of the oppressed

    based on aspects of contemporary theater and the philosophies of difference,

    especially the works of Gilles Deleuze and Felix Guattari. The starting point of this

    investigation is a text by the philosopher Gilles Deleuze about the actor, director and

    playwright Carmelo Bene. The work of this Italian artist was chosen as contaminating

    virus due to the radicalism of his quest for a theater without spectacle and for a new

    actor, without substance what can be called a minor theater. The theater of the

    oppressed is a body of techniques and theater games, which main aim is to place

    certain ways of making theater at the service of social transformation. The Brazilian

    director Augusto Boal created it during the years of dictatorship in Latin America, and

    nowadays it is practiced in dozens of countries throughout the world. These

    techniques allow the people who practice them to express and debate, through the

    scene, oppressive situations from their lives, sharing with the spectators the search

    for alternatives that can put an end to that oppression. Adopted by progressive

    movements all over the world, it has, so far, avoided alliances with contemporary

    theater, while at the same time it proposes, as a theatrical experience, a conception

    of actor, drama and scene that is restricted to the field of representation. That

    excludes experiences that favor the advent of something new, not as mere novelties,

    but as inventions of other ways of life. To investigate ways to contaminate these

    practices with the questions currently being put forth by art and by the philosophies of

    difference can help to create new connections in the field of activism and social

    action, politics and esthetics of the left. Some relevant insights into Benes work were

    used as virus, such as: his refusal to adopt a naturalistic theater, the alternatives he

    created for it, and minoring acts (based on Deleuze and Guattari) in theater and

    social life. This work opens up several strands of research in the field of tension that

    links art, politics and new forms of resistance.

  • ... sabemos que para o que se segue temos de escutar

    outras vozes e necessitamos que estas outras vozes se escutem entre elas. Precisamos de um encontro, dois, trs, muitos encontros para poder construir juntos este caminho - e se este caminho no existe, pelo menos nos divertimos bastante tratando de encontr-lo ...

    Subcomandante Marcos

  • SUMRIO

    INTRODUO 10

    0 A MANICURE APAIXONADA 19

    1 BOAL, O TEATRO DO OPRIMIDO E O TEATRO-FRUM 32

    1.1 Historinha um tanto til 32

    1.2 Catarse e transgresso 44

    1.3 Teatro-frum: outras histrias e algumas quest es 58

    1.4 Boal, Stanislavski, Zola e o naturalismo em tea tro 71

    2 CARMELO BENE: PISTAS DE CONTGIO, PROPOSTAS DE

    CONTAMINAO 90

    2.1 Outra historinha um tanto til 91

    2.2 Ator, naturali