Augusto Boal - Apresentação Grupo

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Augusto Boal

Augusto BoalO Teatro do OprimidoAugusto Boal:

-Carioca, nasceu em 16 de maro de 1931 e faleceu em 2 de maio de 2009.

- Estudou Engenharia Qumica na UFRJ.

-Na dcada de 50, em Columbia, junto aos estudos em Engenharia Qumica, estudoudramaturgia e direo na School of Dramatic Arts. (com John Gassner, professor deTennessee Willians e Arthur Miller)

- De volta ao Brasil em 1956, passa a integrar o Teatro Arena de So Paulo junto a JosRenato nas tarefas de direo.

- Em sua primeira direo, ganha o prmio revelao de direo da Associao Paulistade Crticos de Artes, em 1956. A pea era Ratos e Homens, de John Steinbeck.

- Junto a Jos Renato, responsvel pela guinada do teatro de Arena.

- Atuao decisiva para o engajamento da esquerda brasileira.- Reinvindicaes nacionalistas, em voga na segunda metade dos anos 1950.

- Em 1957, escreve uma comdia (ainda longe das anlises sociolgicas brasileiras) dirige um texto de Sean OCasey, sem sucesso de pblico

Eles No Usam Black Tie, dirigido por Jos Renato, salva o Arena de fechar suas portas.

- Boal sugere um Seminrio de Dramaturgia, e as produes fruto desse encontro compem a fase nacionalista que permeou os anos seguintes.

- Em 1959, dirige Chapetuba Futebol Clube, de Oduvaldo Vianna Filho; Gente como aGente, de Roberto Freire e A Farsa da Esposa Perfeita, de Edy Lima. No caso do texto de Roberto Freire, no sentido de escapar dos esteretipos regionalistas, foi necessrio uma pesquisa ampla sobre modos de falar, aes e comportamentos das regies brasileiras por parte dos integrantes e dos atores.- Em 1960, h uma produo conjunta do Teatro de Arena com o Teatro Oficina: Fogo Frio, de Benedito Ruy Barbosa. Alm desse trabalho, houve vrios outros em conjunto das duas companhias, como a orientao dos atores do Oficina por Boal, a direo feita por ele de A Engrenagem, adaptao de Boal e de Jos Celso Martinez e, em 1961, a pea Jos, do Parto Sepultura, escrita por Boal, dirigida por Antnio Abujamura, com os atores do Oficina e estreia no Teatro de Arena.

- Ainda em 1960, com o texto Revoluo na Amrica do Sul, sob direo de Jos Reato, Boal considerado um dos melhores dramaturgos do perodo. H uma relao prxima com o teatro de Bertold Brecth, pela forma no realista que o texto inicia, utilizando a tcnica do distanciamento e abrindo espao para Jos Renato se utilizar das tcnicas de Brecht. H uma significativa crtica poltica e social nesse texto.- Em 1961, dirige Pintado de Alegre, de Flvio Migliaciio, O Tratamento de um Cangaceiro, de Chico de Assis.

- A partir de 1962, Jos Renato sai do Arena, inicia-se a nacionalizao dos clssicose encerra-se a produo dos textos do Seminrio de Dramaturgia que aconteceu no final de 1961 e que quase faliu o Arena. Boal chama ateno como encenador de A Mandrgora, de Maquiavel.

- Em 1963, encena O Novio, de Martins Pena, e volta a trabalhar com o Oficina dirigindo Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams. Depois segue-se O Melhor Juiz, O Rei, de Lope de Veja (cujo terceiro ato sofre uma modificao ao ponto de subverter o original).

Em 1964, encenado Tartufo, de Molire.

Com o golpe militar em 1964, Boal vai ao Rio de Janeiro e dirige o show opinio, com Z Kti, Joo do Vale e Nara Leo (posteriormente substituda por Maria Bethnia) e, uma iniciativa de um grupo (Centro Popular de Cultura) que foi posto na ilegalidade. Foi assim que comeou o Teatro Opinio.

-Em 1965, no retorno de Boal a So Paulo, ele inicia o ciclo de musicais dentro do Arena e, junto a Edu Lobo e Gianfrancesco Guarniere, do forma ao Arena Conta Zumbi, em que foi encenado o primeiro experimento com o sistema coringa. (O coringa faz as interligaes de 8 atores que se revezam entre todos as personagens teatralizandocenas fragmentadas).

- Aps o sucesso da prtica, h novas verses do Arena Conta que resultam na teorizao do mtodo. No mesmo ano, Boal escreve e dirige Terra Conta Bahia, direomusical de Gilberto Gil e Caetano Veloso, com Maria Bethnia e Tom Z no elenco.

- Ainda em 1965, Boal dirige o texto Tempo de Guerra, escrito junto a Guarnieri e construdo com os poemas de Brecht. Participaram: Gil, Gal Costa, Tom Z e Bethnia.

- Em 1966, dirige O Inspetor Geral, de Nikolai Gogol, retomando os clssicos em uma montagem mal sucedida.-Ganha, em 1967, o prmio Molire pela criao do Sistema Coringa

-Tambm em 1967, vem a Arena Conta Tiradentes repetindo a frmula criada do sistema coringa e centrando outro movimento: a Inconfidncia Mineira. A msica, com Theo Barros, e a unidade visual, com Flvio Imprio, tm importncia significativa na pea. Essa a mais importante atuao de Boal no ano, j que outras como O Crculo de Giz Branco Caucasiano, de Brecht teve apenas a estreia e La Moschetta, de Angelo Beolco uma mal sucedida atualizao de um clssico.

- Concebida e encenada por Boal, a Primeira Feira Paulista de Opinio reuniu depoimentos de vrios autores sobre o Brasil de 1968. Esto presentes peas de Lauro Csar Muniz Brulio Pedroso, Guarnieri, Jorge Andrade, Plnio Marcos e Boal. Mesmo com os vrios cortes da censura (mais de 70) e a proibio da pea, ele insiste e luta pra que ela continue em cartaz.- Com a decretao do Ato Institucional n 5, no final de 1968, o Arena viajaexcursionando pelos Estados Unidos, Mxico, Peru e Argentina. Boal escreve e dirige o Arena Conta Bolivar.

- No retorno ao Brasil, cria O Teatro Jornal 1 edio. A Equipe de Boal torna-se o Teatro Ncleo Independente, grupo importante na periferia de So Paulo dos anos 1970.

- Em 1971, preso e exilado, Boal prossegue sua careira no exterior. Nos cinco anos posteriores, desenvolve a estrutura terica dos procedimentos do Teatro do Oprimido.

- Inicialmente na Argentina, em 1971, Boal encena Torquemada, um texto dele mesmo sobre a Inquisio e Tio Patinhas e a Plula, em 1974, em Nova York.- o Teatro do Oprimido desenvolveu o Teatro Invisvel na Argentina, como atividade poltica, e o Teatro Imagem, para estabelecer um dilogo entre as Naes Indgenas e os descendentes de espanhis na Colmbia, Venezuela, Mxico, etc. Hoje, essas formas so usadas em todos os tipos de dilogos.

-Muda-se para Portugal, trabalha com o grupo A Barraca e monta A Barraca conta Tiradentes, em 1977. L escreve Mulheres de Atenas, adaptado de Lisstrata, de Aristfanes, com msicas de Chico Buarque.- Em 1978, estabelece-se na Frana, criando o Ceditade Centro para pesquisa e difuso do teatro do oprimido. No mesmo ano, Paulo Jos dirige Murro em ponta de faca, texto de Boal sobre os exilados polticos.

- Em 1979, Boal visita o Brasil para ministrar um curso no Rio de Janeiro. No ano seguinte, retorna juntamente com seu grupo francs, para apresentar o Teatro doOprimido, j difundido pelo mundo todo.

- Nos anos de 1980, na Frana, comeou o que foi chamado de Mtodo Boal de Teatro e Terapia, ou O Arco ris do desejo.- Em 1984, com a anistia, Boal retorna ao Brasil, fixando-se no Rio de Janeiro masviajando por todo o mundo, nos lugares onde ministra cursos e desenvolve atividadeligadas ao Teatro do Oprimido. Realiza encenaes internacionais ao longo e depois doexlio, em Nova York, Lisboa, Paris, Hong kong, Nuremberg e Wuppertal.

- Aps seu regresso, em 1985 dirige o musical O Corsrio do Rei de sua autoria; em1986 dirige Fedra de Jean Racine, com Fernanda Montenegro no papel principal; em1987dirige Malasangre de Griselda Gambaro e em 1989 dirige Encontro Marcado deFernando Sabino.

- No final de 1992, Boal convidado por grupos do Centro do Teatro do Oprimido epor praticantes do Teatro Frum a ser vereador. Ele se candidata com a condio de quehaja uma campanha teatral para sua candidatura e eleito. O processo d nome a maisuma tcnica do teatro de Boal: o teatro Legislativo.

- Em 1999 dirige Carmen, de Bizet, sambpera de Boal, Marcos Leite e Celso Branco.A cena como instrumento de transformao social e liberdade

Boal - questiona as convenes ideologias

Cenas com contedos brasileiros

O teatro: ensaio da vida

O teatro: instrumento de capacitao para o espectador oprimido

Teatro: ensaio da ao social.

Boal um cientista teatral > experimentaes teatrais (teatros)

Boal um inovador de Brecht cria a ponte.

A funo do TeatroSer humano ser artista (Esttica do Oprimido)

Teatro popular > do povo para o povo > aprender criando e criar aprendendo

A verdadeira criao artstica a que tenta mudar o sistema perceptivo de uma poca.

Transformaes: o espectator agente ativo

Paulo Freire > Pedagogia do Oprimido;

Teatro Legislativo

Arco-ris do Desejo > Virglio: a forma de execuo que estava errada;

Ser solidrio significa correr o mesmo risco Che Guevara.

A Peruana > a ideia para a ao e o Teatro Forum. Possibilidades de solues = paletas de cores. Conflito/ Crise (Ideograma chins)

Sistema Coringa > 1 - desvincular o ator do personagem; 2- Atores narradores (explicaes/ entrevistas - quebra de continuidade dramtica/ entrelaamento de passado e futuro/ participao do pblico); 3- Ecletismo de estilo; 4 Msica.

Pontos Positivos do sistemaInovaes e Experimentaes:

Prticas Teatrais de boal O teatro descoberto (ideologias sociais)

Decomposio do ritualDecomposio do tempoMultiplicao das perspectivas ticas Aplicao de um ritual de uma cena em outra; Repetio do ritual Rituais simultneos.

1948 > TBC > Teatro Brasileiro de Comdia > SP

1955 > reao ao TBC > Teatro Paulista dos Estudantes > teatro de rua, para trabalhadores em fbricas, com repertrio brasileiroBrasil

1956 volta ao Brasil (EUA). Diretor artstico do Arena. Propostas cnicas alternativas..Monta, no Arena, De ratos e homens (Steinbeck) e Os fuzis da me Carrar (Brecht)Seminrio de Dramaturgia de So Paulo1959 > estreia de Revoluo na Amrica do Sul de Boal > Jos da Silva > efeitos de distanciamento1963 > nacionalizao dos clssicos Ditadura > Teatro Invisvel1976 Portugal Frana > Meu caro amigo (Chico Buarque/Francis Hime)CEDITAE > (cop in the head);Brasil

5 Bienal de BerlimDocumentrioBoal em BelfastAs categorias do teatro popular em Boal:

No seu livro Categorias do teatro popular, escrito no ano 1970, Boal adota o principio de Brecht pelo qual o povo deve ser o destinatrio de toda arte, de ali provem a ideia que a arte no se pode converter numa simples reflexo da realidade, mas, deve pretender mudar a realidade, o papel do artista ser o agente transformador da realidade.Define o teatro como essencialmente popular, porm no admite sua subservincia a uma elite ou setores minoritrios. A ideia usar o teatro como uma arma poltica, no seu sentido amplo, onde tudo poltica, ainda que no se fale dela.

Ento, em essncia, o teatro como toda arte deve ser popular e apontar a ser um ente transformador da realidade.Para determinar quais so as categorias doteatro popular, primeiro define as diferenciasentre populao e povo. Para Boal, populao a totalidade dos habitantes de um pas oudeterminada regio. J o termo povo, inclui saqueles que alugam sua fora de trabalho, querdizer trabalhadores operrios, camponeses eaqueles que temporal e ocasionalmente estejamassociados a eles, em contrapartida, aqueles quepertencem populao, mas no ao povo, soos burgueses, os proprietrios, os latifundiriose aqueles que se encontram associados a suaideologia como os executivos. Baseado nessas definies, subdivide as categorias em quatro: a primeira categoria o teatro do povo para o povo; a segunda um teatro perspectiva para outro destinatrio que no o povo; a terceira um teatro de perspectiva anti-povo e cujo destinatrio infelizmente o povo; e a quarta teatro jornal.Teatro do povo para o povo.

Nesta categoria definida como eminentemente popular. Seus temas no tem restries sempre que sejam destinadas a transformar a sociedade, e promover a desalienao e a luta contra a explorao do povo. Esta categoria subdividida em a. teatro de propaganda; b. teatro didtico; e c.teatro cultural.

Companhia do Lato (SP - Brasil)

Yuyackani (Per)Teatro perspectiva para outro destinatrio que no o povo.

Aqui se incluem aqueles teatros profissionais independentes que se mantm em funo de um publico burgus, pequeno burgus ou tm apoio do estado. Aqui o popular est na perspectiva que assume, ainda que essas peas no sejam presenciadas pelo povo.

Teatro de perspectiva anti povo e cujo destinatrio infelizmente o povo.

Esta a categoria patrocinada pelas classes dominantes com o fim de modelar a opinio pblica. Esta categoria no tem nada de popular porque serve para manter o estado de opresso sobre o povo, mostrando-o de maneira passiva e subalterna.

Intereses creados Jacinto Benavente

Teatro jornal.

Esta categoria surgiu logo aps a violenta represso do ano 1968 no Brasil que tornou impossvel a realizao de espetculos populares.

Esta categoria foi pensada para ser trabalhada em pocas de crises sociopolticas, prescinde do artista e borra a diferencia entre ator e espectador. Um de seus objetivos era desmitificar a objetividade da imprensa e demonstrar que o teatro pode ser feito por qualquer pessoa em qualquer lugar.

Teatro do oprimido (TO)

O TO nasce e evolui como uma resposta a uma determinada situao social e poltica de America Latina. Seu comeo em Brasil no ano 1968, na forma do teatro jornal produto das dificuldades impostas pelo governo militar para fazer teatro.

Nesta primeira etapa brasileira possvel vislumbrar em Boal uma conscincia de acabar com as barreiras impostas pelo sistema teatral dominante. Destruir as barreiras entre protagonista e coro, todos devem ser protagonistas e coros (Sistema Coringa)

Na Argentina, Boal tenta repetir o feito no Brasil, mas a ditadura militar impossibilitou sua tarefa. Nasce o teatro invisvel, feito clandestinamente.

Sua experincia no Peru, trabalhando com dramaturgia simultnea onde era preparado um roteiro at o ponto de resoluo da trama, a qual era feita com a ajuda dos espectadores provando as diferentes alternativas que se propunham para resolver os problemas expostos. Isto se denominou teatro foro. Em base a estas experincias, Boal aponta dois princpios fundamentais do TO: transforma o espectador em protagonista da ao dramtica; no s buscar a reflexo sobre o passado mas preparar-se para o futuro.

necessrio que o TO seja massivo para ser eficaz e til.

Amplia as ideias de Brecht referentes funo do teatro. Brecht falou que o teatro deve estar a servio da revoluo. por isso que a temtica do TO deve ser concreta, real e urgente.

Teatro do OprimidoReferncias bibliogrficas

BOAL, Augusto. A esttica do oprimido. Rio de janeiro: Garamond, 2009.BOAL, Augusto. El arco Iris del deseo. Trad. Jorge Cabezas Moreno.Barcelona: Alba Editorial, 2004.BOAL, Augusto. Funcin ritual, comercial y poltica del arte: un nuevoconcepto. Em: Revista Conjunto No. 150, publicacin de la Casa de lasAmricas.BOAL, Augusto. Teatro de Augusto Boal. So Paulo: Editora HUCITEC,1990.BOAL, Augusto. 200 exercicios e jogos para o ator e no ator com vontade de dizer alo atraves BOAL, Augusto. Teatro do oprimido e outras poticas polticas. Rio deJaneiro: Civilizao Brasileira, 2012.CHESNEY LAWRENCE, Luis. Las teoras dramticas de Augusto Boal.Caracas: Cuadernos de postgrado Facultad de Humanidades y educacin UCV, 1997.CHESNEY LAWRENCE, Luis. Teatro popular latinoamericano (1955 1985). Caracas: UCV, 1995.