ArmAzenAmento do milho SAfrinhA - core.ac.uk .ArmAzenAmento do milho SAfrinhA ... nocivas aos seres

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1Eng. Agr., pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuria (Embrapa), Centro Nacional de Pesquisa de Soja (Embrapa Soja). Rodovia Carlos Joo Strass Sn - Distrito de Warta, Caixa Postal 231, CEP86001 970 Londrina, PR . E-mail: lorini@cnpso.embrapa.br

ArmAzenAmento do milho SAfrinhA

Irineu Lorini1

1. introdUo

A produo Brasileira de milho que chegou a 58.652,3 milhes de toneladas na safra 2007/08, est estimada em 50.110,50 milhes de toneladas para a safra 2008/09, havendo portanto uma reduo de 14,5% do total produzido no pas (Tabela 1). Esta reduo de produo est acontecendo em maior percentagem na safra, com 15,8%, do que na safrinha que apresenta 11,9% de reduo. Esta reduo acontece praticamente em todas regies do pas, onde cada Estado reduz sua produo, como pode ser visto no RS, SC, PR, GO, MS, MT e MG (Tabela 1).

Perdas quali /quantitativas devido a contaminantes, que comprometem a segurana e qualidade de gros como arroz, milho, trigo e soja, uma realidade nacional. Em especial, observa-se a perda por rejeio e/ou condenao do produto final e sub-produtos, que leva dificuldade em exportar devido ao potencial risco de contaminao. Estes contaminantes so as pragas de gros armazenados, fungos, micotoxinas, resduos de pesticidas e sujidades, que podem ocorrer desde a fase de produo e armazenagem, seguindo por toda a cadeia de gros e chegando mesa do consumidor. Estes problemas podem ser reduzidos ou at eliminados com a preveno e o manejo integrado que deve envolver toda a unidade armazenadora (Lorini, 2005), que usa mtodos de controle adequados (Lorini, 1992; Lorini & Schneider, 1994), que caracteriza a resistncia pragas aos inseticidas (Pacheco et al., 1990; Sartori 1993; Guedes et al., 1995; 1996; Lorini 1997; Sartori & Lorini 1999; Lorini et al., 2002; Lorini & Galley 1999; 2000; 2001; Beckel 2004; Beckel et al., 2006; Lorini

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X Seminrio Nacional de Milho Safrinha

et al. 2007), e que prope solues para cada praga encontrada. As pragas nos gros ocasionan aumento da umidade e da temperatura, desenvolvendo fungos e micotoxinas. As principais micotoxinas so aflatoxinas, tricotecenos, zearalenona, fumonisina e ocratoxina A, com ameaas a sade humana e na produtividade nos animais (FAO, 2003). O risco potencial de novos contaminantes nos gros, presentes no pas e ou no, so ameaas a competitividade do setor gros no agronegcio brasileiro (Lorini et al., 2002).

tAbelA 1. Produo brasileira de milho por safra, por regio e estados. Valores em mil toneladas. Agosto de 2009.

REGIO/UF Safra Safrinha Total

2007/08(1) Previso

2008/09(2) Previso

2007/08 (1) Previso

2008/09 (2) Previso

2007/08 (1) Previso

2008/09 (2) Previso

NORTE 1.251,0 1.084,0 121,8 142,3 1.372,8 1.226,2 RR 12,8 12,8 - - 12,8 12,8 RO 305,1 216,7 78,8 89,4 383,9 306,1 AC 42,0 44,2 - - 42,0 44,2 AM 35,2 30,0 - - 35,2 30,0 AP 2,4 3,0 - - 2,4 3,0 PA 622,8 565,2 - - 622,8 565,2 TO 230,7 212,1 43,0 52,9 273,7 264,9 NORDESTE 3.895,6 4.171,4 500,3 461,9 4.396,0 4.633,3 MA 490,4 504,1 - - 490,4 504,1 PI 322,9 495,4 - - 322,9 495,4 CE 752,5 645,2 - - 752,5 645,2 RN 53,8 43,0 - - 53,8 43,0 PB 128,5 166,3 - - 128,5 166,3 PE 185,6 212,1 - - 185,6 212,1 AL 44,4 46,6 - - 44,4 46,6 SE 451,3 515,4 - - 451,3 515,4 BA 1.466,2 1.543,3 500,3 461,9 1.966,6 2.005,2 CENTRO-OESTE 5.458,1 4.480,5 11.228,2 10.223,7 16.686,2 14.704,1 MT 790,4 530,7 7.016,5 6.691,0 7.806,8 7.221,7 MS 626,4 501,8 2.897,9 1.810,1 3.524,3 2.311,9 GO 3.764,1 3.202,0 1.267,0 1.696,9 5.031,1 4.898,9 DF 277,2 246,0 46,8 25,7 324,0 271,6 SUDESTE 10.239,2 9.783,1 1.178,4 1.059,4 11.417,6 10.842,5 MG 6.412,8 6.298,1 216,3 152,9 6.629,1 6.451,0 ES 95,3 96,9 - 95,3 96,9 RJ 19,8 20,4 - 19,8 20,4 SP 3.711,3 3.367,7 962,1 906,5 4.673,4 4.274,2 SUL 19.120,2 14.125,7 5.659,4 4.578,6 24.779,7 18.704,4 PR 9.708,8 6.522,1 5.659,4 4.578,6 15.368,3 11.100,8 SC 4.089,4 3.354,8 - - 4.089,4 3.354,8 RS 5.322,0 4.248,8 - - 5.322,0 4.248,8 NORTE/NORDESTE 5.146,6 5.255,4 622,1 604,2 5.768,8 5.859,5 CENTRO-SUL 34.817,5 28.389,3 18.066,0 15.861,7 52.883,5 44.251,0 BRASIL 39.964,1 33.644,7 18.688,1 16.465,9 58.652,3 50.110,5

(1) Dados Preliminares: sujeitos a mudanas (2) Dados Estimados: sujeitos a mudanas

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Perdas de gros por pragas em armazns, presena de resduos qumicos nos gros comercializados, presena de fragmentos de insetos nos subprodutos alimentares, deteriorao da massa de gros, contaminao fngica, presena de micotoxinas, efeitos na sade humana e animal, dificuldades para exportao de produtos e subprodutos brasileiros por potencial de risco, so alguns dos efeitos que a ineficiente armazenagem traz para a sociedade brasileira. As perdas mdias brasileiras, estimadas pela FAO e pelo Ministrio da Agricultura Pecuria e Abastecimento (Brasil, 1993), so de aproximadamente, 10 % do total produzido anualmente. Muitos dos contaminantes hoje conhecidos precisam de estratgias de preveno e manejo para que no afetem a qualidade do produto final, assim as pragas so um dos grupos mais importantes de contaminantes na cadeia de ps-colheita de gros. A resistncia das pragas aos inseticidas o principal problema que afeta a qualidade, porque a sua presena na unidade armazenadora pode levar a dois tipos principais de contaminantes, como a presena de pragas nos gros comercializados e a de resduos dos pesticidas no alimento pelo excesso de aplicao. A hermeticidade dos silos e armazns essencial para se fazer um expurgo das pragas. A inexistncia desta no pas leva a contaminao dos estoques, uma vez o controle das pragas com o expurgo exige a hermeticidade para evitar a perda do processo e conseqente presena dos contaminantes. Os resduos dos pesticidas empregados na ps-colheita de gros tm uma velocidade de degradao muitas vezes incompatvel com o desejado no produto consumido e precisam ser determinados.

Tecnologias limpas precisam ser implementadas com o desenvolvimento de mtodos alternativos aos qumicos no controle de pragas de produtos armazenados permitindo a produo de alimentos isenta de resduos qumicos. Outro grupo de contaminantes de relevada importncia so os fungos e conseqentes micotoxinas nocivas aos seres vivos e que esto presentes nos produtos armazenados, esta relao de prejuzos precisa ser estabelecida e qualidade tecnolgica avaliada, bem como o efeito dos seqestradores de micotoxinas. Existem as ameaas de novos contaminantes virem a se inserir no complexo gros brasileiro, como o caso de pragas na soja armazenada, considerada isenta at ento. A praga Lasioderma serricorne o exemplo disso, pois j foi identificada furando gros no armazm, bem como outros colepteros so ameaas ao milho armazenado. O padro de iseno ou minimizao de contaminantes internacional e o pas ou o armazenador que no atender a normativas no ter mais acesso ao mercado arcando com prejuzos.

2. PrinciPAiS PrAgAS

O conhecimento do hbito alimentar de cada praga constitui elemento importante para definir o manejo a ser implementado na massa de gros. Segundo esse hbito, as

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pragas podem ser classificadas em primrias ou secundrias.a)