Alessandra Mara Franzin Imunobiologia das infestações de bovinos

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    Alessandra Mara Franzin Imunobiologia das infestaes de bovinos pelo carrapato

    Rhipicephalus (Boophilus) microplus: estudo dos correlatos imunes

    de resistncia e de susceptibilidade

    Tese apresentada a Faculdade de Medicina de

    Ribeiro Preto da Universidade de So Paulo

    para obteno de ttulo de Doutor em Cincias

    rea de Concentrao: Imunologia Bsica e Aplicada

    Orientao: Prof Dr Isabel K. F. de Miranda Santos

    Ribeiro Preto-SP 2009

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    AUTORIZO A REPRODUO E DIVULGAO TOTAL OU PARCIALMENTE

    DESTE TRABALHO, POR QUALQUER MEIO CONVENCIONAL OU

    ELETRNICO, PARA FINS DE ESTUDO E PESQUISA, DESDE QUE CITADA A

    FONTE.

    Franzin, Alessandra Mara

    Imunobiologia das infestaes de bovinos pelo carrapato Rhipicephalus (Boophilus) microplus: Estudo dos correlatos imunes de resistncia e de susceptibilidade. Ribeiro Preto, 2009.

    134p. ; 30cm

    Tese de Doutorado, apresentada Faculdade de Medicina de

    Ribeiro Preto/USP. rea de concentrao: Imunologia Bsica e

    Aplicada

    Orientador: De Miranda Santos, Isabel Kinney Ferreira.

    1. Carrapato. 2. Bovinos. 3. Resistncia. 4. Suscetibilidade. 5. Pele.

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    DEDICATRIA

    O nosso verdadeiro lugar de nascimento

    aquele no qual, e pela primeira vez,

    lanamos um olhar inteligente e consciente

    sobre ns mesmos.

    Desconhecido

    Por esse motivo eu humildemente dedico essa tese Ps-graduao em Imunologia

    Bsica e Aplicada, Faculdade de Medicina de Ribeiro Preto e Universidade de So

    Paulo. Agradeo solenemente a maravilhosa oportunidade de ter estudado num dos

    melhores programas de ps-graduao.

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    AGRADECIMENTOS AOS FAMILIARES

    minha querida famlia, cujos integrantes so meus companheiros nessa vida,

    compartilho feliz com vocs o meu bem mais precioso. Aquele pelo qual eu luto todos os

    dias e que foi presente da minha me Lourdes: a vida. Com os irmos Ricardo e Vanessa,

    tambm presenteados com a vida pela nossa querida me, compartilho a irmandade do

    parentesco e do amor incondicional. Com a Eneida, Josiane e Thamara eu compartilho

    mutuamente as alegrias e as tristezas dessa vida que so vivncias que s as famlias

    cultivam. Assim como a saudade deixada pelo padrinho Nelson e pela Elenise,

    compartilhada por todos.

    Aos queridos Ricardo Nelson, Rubens, a todos vocs meus familiares e ao meu

    pequeno Frederico eu digo com a alegria de quem est viva: obrigada, emocionante

    compartilhar a minha vida com vocs.

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    AGRADECIMENTOS

    minha orientadora Professora Doutora Isabel K. F. de Miranda Santos, por me

    orientar, por confiar a mim este trabalho e pelos sbios conselhos que contriburam para o

    meu amadurecimento profissional e pessoal.

    Professora Doutora Beatriz Rossetti Ferreira, pelo auxlio e sugestes que

    contriburam para o desenvolvimento do meu trabalho e pela compreenso a um

    temperamento complicado.

    Ao Professor Doutor Joo Santana da Silva, por permitir o desenvolvimento deste

    trabalho em seu laboratrio e por ser um dos principais construtores do Programa de Ps-

    graduao em Imunologia Bsica e Aplicada. Sua obra no conhece fronteira, ela espalha

    suas sementes pelo mundo todo, disseminando atravs destas o conhecimento.

    Ana Cristine por sua participao imprescindvel na construo do Programa de

    Ps-graduao em Imunologia Bsica e Aplicada, no existe um ex-aluno deste programa

    que no se recorde da Aninha com alegria e saudades.

    Ao professores doutores Julio Aliberti e Monica Zini, ex-alunos do Programa de Ps-

    graduao em Imunologia Bsica e Aplicada, por despertarem em mim o interesse pela

    Imunologia quando eu ainda era aluna do curso de graduao.

    Aos meus colegas do grupo do carrapato, Daniela, Carlo, Sandra, Gustavo, Elen e

    Wanessa, pela colaborao no desenvolvimento deste trabalho e por compartilhar o

    interesse cientfico dentro da mesma linha de pesquisa.

    minha querida irmzinha Daniela Mor, a quem tive a satisfao em conhecer, de

    compartilhar sua generosa amizade e a de seus to estimados familiares. Vocs despertaram

    em mim o amor compartilhado entre familiares, foi quando percebi que poderia voltar para

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    a minha famlia e compartilhar o que havia sido despertado. Seu Carlos e tia Cida, vocs

    so exemplos de pais, com vocs eu aprendi a ser filha. Fernanda e Luis Fernando, vocs

    so exemplos de alegria e esperana. Ao Diego, o mais novo integrante da famlia, que

    trouxe consigo carinho e musicas novas.

    Aos meus amigos Luis Henrique, Neto, Everton, Alan e Camila, a amizade sincera

    que compartilhamos um dos meus bens mais preciosos que j tive. Cuido de nossa

    amizade com cuidado e muito carinho, pois quem tem amigos nunca est sozinho.

    Sara, pela feliz descoberta de todos os dias que compartilhamos. As nossas

    diferenas e igualdades, presentes em seres to humanos, que se completam e de tal

    maneira que acabam se esquecendo do mundo ao redor.

    Aos meus amigos e colegas do Departamento de Bioqumica e Imunologia e da Ps-

    graduao em Imunologia Bsica e Aplicada, pela satisfao de compartilhar o agradvel

    convvio de tantos anos.

    s agncias de fomento, pelo financiamento deste trabalho e, em especial a CAPES,

    pela concesso da bolsa que possibilitou a realizao desta tese.

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    De tudo, ficaram trs coisas:

    A certeza de que estamos sempre comeando...

    A certeza de que precisamos continuar...

    A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar....

    Portanto, devemos

    Fazer da interrupo um caminho novo....

    Da queda um passo de dana....

    Do medo, uma escada...

    Do sonho, uma ponte...

    Da procura, um encontro...

    Ao ler essa poesia de Fernando Pessoa, eu descobri que os cientistas e os poetas

    tm em comum: o amor pelo trabalho e a perseverana de nunca desistir de uma idia.

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    RESUMO

    A pele dos vertebrados alvo da maioria das 15.000 espcies de artrpodes hematfagos

    existentes e pouco se sabe sobre as estratgias imunolgicas utilizadas pelos hospedeiros para

    expulsar esse tipo de ectoparasitos. fato que carrapatos, como artrpodes hematfagos, so

    capazes tambm de induzi-las. Entre a grande variedade de hospedeiros, os bovinos, que

    apresentam fentipos variveis de resistncia ao Ripicephalus (Boophilus) microplus, constituem o

    nico modelo no qual possvel correlacionar as respostas imunolgicas entre os fentipos

    contrastantes na mesma espcie hospedeira. Para tal, as populaes celulares do infiltrado induzido

    na pele pelo carrapato foram quantificadas nos bovinos resistentes, Bos taurus indicus e nos

    suscetveis, Bos taurus taurus. Como esperado, o carrapato induziu inflamao cutnea local nos

    bovinos estudados e a composio celular do infiltrado apresentou diferenas que variaram entre os

    fentipos contrastantes de infestao. A pele resistente apresentou maior nmero de basfilos em

    comparao a pele suscetvel infestada pelo carrapato adulto (P < 0,05) o que sugere a participao

    desse tipo de granulcito na resposta imune, prejudicando a hematofagia do carrapato. Eosinfilos

    no foram observados na pele nave, mas sim na pele normal e infestada, apresentando maiores

    quantidades (P < 0,05) na pele resistente infestada por ninfa e por adulto. Esse granulcito tambm

    se mostrou importante para a aquisio de resistncia a carrapatos, a cintica observada na pele dos

    animais sugere um efeito sistmico de eosinfilos na infestao. J mastcitos se mostraram

    reduzidos de forma semelhante na pele resistente e suscetvel infestada por ninfa e adulto em

    comparao a pele no infestada das mesmas (P < 0,05), sugerindo desgranulao induzida pela

    saliva do carrapato. As citocinas e mediadores inflamatrios liberados por mastcitos poderiam

    desencadear e at modular as respostas imunes de contra o carrapato. Neutrfilos estavam em

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    quantidades semelhantes na pele infestada de ambas as raas, apresentando maior quantidade na

    fase de adulto em relao fase de ninfa (P < 0,05). Esse fato sugere que a saliva da ninfa expressa

    desintegrinas contendo RGD, que possivelmente so especficas para esse granulcito. Em

    contrapartida, as clulas mononucleares foram mais abundantes na pele resistente e suscetvel

    infestadas por ninfa em relao s infestadas por adulto (P = 0,001). Entre as populaes

    mononucleares fenotipadas, as clulas T CD3+ foram recrutadas em maior nmero na pele

    resistente infestada por ninfa e adulto que na pele suscetvel nas mesmas fases (P < 0,05),

    indicando sua importncia na regulao da resposta imune de resistncia ao ectoparasito. Clulas

    CD4+ foram mais numerosas na pele resistente infestada por adulto que a pele suscetvel infestada

    pela mesma fase (P < 0,05); j as clulas CD8+ estavam em maior nmero na pele resistente

    infestada por ninfa do que na pele suscetvel na mesma fase de infestao (P < 0,05). Clulas T

    /WC1+ foram mais abundantes (P < 0,05) na pele resistente infestada por adulto que a mesma

    no infestada, indicando que esses linfcitos podem desempenhar papel importante na aquisio de

    resistncia. J os linfcitos B estiveram em nmero reduzido na pele suscetvel infestada por ninfa

    e por adulto em comparao mesma no infestada (P < 0,05). Entretanto, na pele resistente

    infestada por adulto, o nmero desses linfcitos foi maior (P &lt