A Terapia Da Linha Do Tempo

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    24-Nov-2015

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<p>A Terapia da Linha do Tempo Parte I O Inconsciente e a Organizao das MemriasVoltar</p> <p>George Vittorio SzensziCriada pelo norte americano Tad James, Ph.D., a Terapia da Linha do Tempo tem sido um marco entre as modernas terapias orientadas para resultados. A srie de artigos que iniciamos nesse nmero vai mostrar alguns aspectos da teoria e da prtica dessa terapia inovadora.Na primeira vez em que Rute veio me ver para terapia, comecei a prepar-la para o uso da linha do tempo. Expliquei o que iria acontecer e exemplifiquei com uma emoo hipottica de raiva. Quando comecei a falar dos procedimentos da Terapia da Linha do Tempo, Rute ficou com o olhar parado, olhando para mim com aquele jeito de quem parece prestar ateno ao que voc diz, e ao mesmo tempo est ausente. Quando lhe perguntei alguma dvida?, ela mexeu a cabea de um lado para o outro como que para acordar e comentou: Puxa, quando voc falou em raiva e em voltar no tempo, comecei a me lembrar de coisas que no me lembrava h anos. Revi momentos de raiva. Cheguei at a ver o dia em que fiquei louca de raiva de minha me que queria me bater. Eu tinha 9 anos e nem me lembrava disso.Um processo ainda pouco compreendido que a mente inconsciente realiza organizar de certas maneiras todas as memrias que temos arquivadas em nossa estrutura mental. Nossas memrias no esto soltas e desconectadas em nossa mente. De maneira interessante e muito til, elas aguardam certas ligaes e conexes entre si. Sem essa rede de ligaes, os atos de pensar, refletir e criar no seriam possveis. O tempo, enquanto experincia subjetiva, no existiria. Viveramos num eterno agora, sem histria nem aprendizado.No nosso dia a dia estamos cheios de exemplos dessas ligaes entre as memrias. Se voc comear a falar de momentos engraados na sua vida, voc vai notar que uma memria puxa outra e provavelmente de maneira muito natural voc vai se lembrar de outros momentos engraados. O mesmo acontece quando uma tristeza traz a lembrana de outras tristezas, ou quando numa briga de casal cada um dos lados desfia seu rosrio de queixas: Que nem naquele dia em que voc apareceu depois do jantar e no outro em que chegou atrasado no aniversrio do menino. sempre igual! O sempre igual nos mostra que todas essas histrias esto reunidas num nico pacote com um mesmo rtulo. Elas so todas semelhantes em relao a alguma coisa, provavelmente a emoo que trazem esposa queixosa.O que voc est encontrando aqui a interconexo de todas as memrias que possuem algo em comum. Este ponto em comum pode ser um tema: a histria profissional, as frias, as viagens, os encontros amorosos, por exemplo. Ou podem ser sentimentos e emoes: as memrias de tristeza, de medo, de desconfiana, as memrias de alegria ou as de prazer. Como na memria de um computador, cada ideia ou sensao pode identificar um arquivo. Dentro dele voc encontra todas as memrias e experincias que se relacionam com o mesmo tema.Tad James, criador da Terapia da Linha do Tempo, chama de gestalt a cada conjunto de experincias ligadas pela mesma emoo. Cada gestalt pode ser representada como um colar de contas. Cada conta uma memria com seus fatos, e o fio que as une a emoo.Cada vez que voc sente uma emoo desagradvel de uma experincia, na realidade voc est ativando a rede neurolgica de todas as experincias em que aquela emoo esteve presente. Cada experincia, cada conta do colar, atravs da emoo se liga a outra experincia, outra conta do colar. Quando voc passa por uma experincia que lhe traz tristeza intensa, voc est inconscientemente passando por vrias outras experincias anteriores de tristeza. Voc est repetindo emoes antigas. E portanto no est vivendo integralmente o momento presente.Considere agora uma gestalt de emoes. Se voc pensar na gestalt como uma coleo de memrias que possuem um tema ou uma emoo em comum, voc pode conceber que cada gestalt nem sempre existiu. Houve sempre um perodo na vida das pessoas em que uma determinada emoo ou circunstncia ainda no havia sido experimentada. Um perodo em que a pessoa ainda no sabia o que era um medo ou uma raiva; ou ainda no tinha decidido ser insensvel s emoes ou dedicar-se mais ao lazer do que ao trabalho. o mais comum que estes perodos, antes de uma primeira experincia emocional, tenham ocorrido em pocas mais ou menos remotas na vida de cada pessoa. O que importante compreender aqui que houve um momento em que uma determinada emoo aconteceu pela primeira vez e antes dele essa emoo no existia na vida da pessoa.Coisas semelhantes acontecem com todas as emoes desagradveis. Houve uma primeira vez em que voc sentiu tristeza, uma primeira vez em que sentiu medo, uma primeira vez em que sentiu culpa, uma primeira vez para cada nova emoo desagradvel de sua vida.Estes primeiros eventos das gestalts abrem caminhos novos em sua neurologia. A partir da esses caminhos sero percorridos toda vez que experincias e emoes semelhantes forem evocadas em sua vida.O primeiro evento de uma gestalt chamado causa-raiz, por que l que nasce a histria emocional de cada emoo. A Terapia da Linha do Tempo lida com causas-raizes. O pressuposto que todo problema emocional tem uma causa-raiz. E esta, via de regra, no um evento traumtico. A Terapia da Linha do Tempo no busca os traumas na origem dos problemas pessoais. E no busca traumas por que as causas-raizes so anteriores aos traumas. So em geral eventos de pouca intensidade emocional, mas extremamente importantes porque foram os pontos de partida para o que mais tarde viriam a ser os problemas da vida de cada um. So os eventos que criaram os palcos para as cenas traumticas que se desenvolveriam mais tarde.Na Terapia da Linha do Tempo momentos dolorosos e difceis no precisam ser revividos. Quando as causas-raizes so tratados de maneira automtica e inconsciente aqueles momentos so tambm reestruturados e aliviados. Esta uma das razes pelas quais a Terapia da Linha do Tempo suave e eficaz. Vai s origens mais remotas de cada problema.No prximo artigo vamos comentar a maneira com que sua mente pode lev-lo s causas-razes.Artigo publicado na Revista Conhecimento, 1999.A Terapia da Linha do Tempo Parte II As Linhas do TempoVoltar</p> <p>George Vittorio SzensziH muitas dcadas vrios autores de fico cientfica vem deliciando seus leitores com histrias sobre viagens pelo tempo. O cinema e a TV j nos apresentaram filmes e seriados que vm mexendo com a imaginao e aguando as esperanas fantasiosas de duas geraes. Muita gente j quis mudar sua histria, modificar seu passado e criar um futuro feito sob medida. Refugiando-se nas pginas e nas telas coloridas, esperam pela mquina de seus sonhos. Um artefato tecnolgico ou uma caixa mgica que mude sua vida. No importa.O que a maioria das pessoas no sabe que cada um de ns possui sua prpria mquina interna do tempo. Uma mquina que pode nos permitir mudar o passado e criar um futuro grandioso. Sem tecnologia nem chips qunticos. Que j vem instalada e ligada. Mas que s mais recentemente seus comandos foram descobertos. Seu software se vale de um programa bsico chamado linha do tempo.A linha do tempo uma estrutura subjetiva que voc usa para guardar sua histria passada e registrar o que voc hoje j tem de histria futura seus projetos e objetivos conscientes e os eventos inconscientes j decididos. Na realidade, isto quer dizer que a linha do tempo certo local onde suas memrias esto guardadas antes de voc pensar sobre elas. Fisiologicamente, suas memrias esto armazenadas por toda sua neurologia. Mentalmente, elas esto organizadas ao longo de sua linha do tempo, em direes e sentidos que com freqncia partem de seu corpo para o espao sua volta.Voc j ouviu pessoas dizendo Tenho um futuro brilhante minha frente ou O tempo est ao meu lado. No so frases de retrica. So experincias concretas. Quando voc pergunta a uma pessoa Se eu pedisse para voc apontar a direo do seu passado, que direo voc apontaria?, ela poder apontar com o dedo para alguma direo volta de seu corpo. Da mesma forma, se a pergunta para apontar a direo do futuro, ela provavelmente ir apontar outra direo sua volta. A maioria das pessoas capaz de fazer isso. A unio dessas duas direes numa linha o que chamamos de linha do tempo.A linha do tempo uma representao mental. Quando voc pensa em algo do seu passado, essa memria sai de seu lugar na linha do tempo, o lugar onde ela mantida em algum ponto sua volta e vem para aquele lugar que muitos chamam de tela mental. Vem para o espao de sua mente onde voc v ou imagina seu pensamento, ouve seus sons e palavras e sente as sensaes e emoes. O mesmo acontece em relao ao seu futuro. Um objetivo ou algo que voc pensa que v acontecer desloca-se da linha e vai para sua tela mental. na tela mental que voc tem conscincia do que est pensando. Enquanto as memrias esto na linha do tempo e voc est no aqui e no agora, elas esto inconscientes.Cada pessoa possui suas direes para o passado e para o futuro, e elas variam de pessoa para pessoa. Existe um nmero enorme de tipos de linhas do tempo.No entanto, dois tipos clssicos de organizao do tempo tm caractersticas peculiares. So as linhas denominadas No tempo e Atravs do tempo. De maneira bem interessante, cada linha define um tipo de personalidade ou de padres comportamentais.Pessoas com linha clssica No tempo tm a linha do futuro bem sua frente e o passado atrs de si, com o agora posicionado dentro do corpo. uma linha nica que vai do passado, localizado atrs do corpo, ao futuro, situado sua frente.Pessoas com linhas No tempo tipicamente vivem os momentos do aqui e do agora. Elas esto dentro da corrente do tempo. No se interessam muito pelo futuro e o passado algo que j passou, ficou para trs, literalmente. Normalmente impontuais e avessas a planejamentos, preferem lidar com a vida do modo com que ela vai se apresentando. Sua tendncia se adaptarem ao ambiente e s circunstncias. Se voc j encontrou algum que faz vrias coisas ao mesmo tempo e se sente confortvel com isso, voc est diante de algum No tempo.A linha clssica Atravs do tempo uma linha horizontal, totalmente frente dos olhos da pessoa. O futuro est de um lado, o passado de outro e o agora sua frente.Pessoas com linhas Atravs do tempo vivem fora da corrente do tempo. Com os acontecimentos guardados sua frente, elas vo com facilidade do passado ao futuro. Tendem a viver menos intensamente os sentimentos e as sensaes. So mentalmente observadoras das coisas que esto acontecendo com elas, e por isso tendem a parecer mais frias e distantes das outras pessoas. Criam um ambiente em torno de si que seja estruturado, agendado, planejado e controlado. Para elas, situaes indefinidas ou ambguas so condies mais difceis de lidar. Uma agenda sempre um presente bem recebido por quem Atravs do tempo.A maioria dos brasileiros No tempo, especialmente a esmagadora maioria das regies centrais, norte e nordeste. E agora voc entende por que a maioria dos brasileiros deixam suas coisas para ltima hora, inclusive a entrega da declarao do Imposto de Renda. Para os No tempo, o futuro algo bem impreciso, e acontece daqui a pouco. Eles tem pouca viso de futuro a longo prazo. Voc poder encontrar um nmero um pouco maior de pessoas Atravs do tempo na Regio Sul do pas, de educao mais europia. ao longo das linhas do tempo, particularmente na direo do passado, que as pessoas vo encontrar as causas razes de seus problemas. Localizadas precisamente em certos pontos ao longo do contnuo do passado, as memrias que ns chamamos de causas razes das vrias emoes e das vrias crenas limitantes que empobrecem suas vidas, esto aguardando por um aprendizado que as liberte.No prximo artigo vamos comentar sobre o significado das emoes desagradveis na histria pessoal e na linha do tempo de cada um. E vamos abordar o papel da aprendizagem no processo de reestruturao da vida emocional.A Terapia da Linha do Tempo Parte III A Funo das Emoes DesagradveisVoltar</p> <p>Lembre-se de um momento de sua vida em que voc teve um desentendimento com algum, mas agora esse desentendimento j no o incomoda mais. Pense no que aconteceu.Um paciente teve uma histria dessas. Mdico, integrava a equipe de cirurgies de um hospital. Em uma reunio dos mdicos com a administrao houve uma discusso sria entre ele o Diretor Administrativo a respeito de medidas para conteno da infeco hospitalar. Em palavras rspidas um ofendeu o outro, mas logo foram cortados e acalmados pelos colegas. Mas a coisa no morreu ali. Ele saiu magoado, bastante ofendido com o Diretor. Nas duas semanas seguintes ficou remoendo os fatos. Durante quase dois meses mal se falaram.Nesse meio tempo, o mdico comeou a pensar mais friamente sobre o que aconteceu naquela tarde. Lembrou-se de que j fora reunio de mau humor devido a acontecimentos na famlia. Lembrou-se tambm de reunies anteriores onde o Diretor j havia falado de suas dificuldades para resolver alguns problemas. Alguns poucos colegas da turma do deixa disso vieram falar com ele mostrando as possveis conseqncias desastrosas da continuao daquele mal estar. Um colega, o mais reservado do grupo, chegou e perguntou: O que voc aprendeu com essa experincia? Durante mais um ms ele pensou sobre o que havia feito, compreendeu seu descontrole e as razes de descontrole do Diretor. Ao final desse tempo, permanecera apenas a lembrana de que o fato havia acontecido e as relaes entre ele e o Diretor foram voltando ao normal.Isto no lhe parece familiar? possvel que voc tenha passado por alguma experincia semelhante. Uma briga ou uma frustrao de expectativas. Algum tempo depois da ocasio voc ainda se sentia mexido, ressentido ou triste. Mas houve um momento em que voc comeou a olhar para a experincia com outros olhos. Talvez voc tenha compreendido o que o levou a agir da maneira com que agiu, ou que na hora poderia ter agido de outra forma mais prpria. Talvez tenha at descoberto que a outra pessoa reagiu daquele jeito em funo da prpria maneira com que voc agiu. Quem sabe em funo disso voc a desculpou e assumiu sua prpria responsabilidade no caso? Ou ento voc entendeu as razes dela. Voc pode tambm ter conversado com ela mais tranqilamente, acertando as diferenas com outras compreenses. O fato marcante que agora os sentimentos desagradveis que vinham associados lembrana j se foram. Voc resolveu a experincia e dela ficou apenas um fato da vida. Quem j no passou por algo assim?As experincias so os exerccios que a vida nos traz para aprendermos suas lies. Algumas experincias do certo e nos sentimos bem. Elas so incorporadas ao nosso acervo da vida e crescemos um pouco mais com cada uma. Outras do um resultado diferente do esperado. Se voc pensar que uma experincia no deu certo, voc tem duas opes. Considere primeiro a noo de um fracasso. Agora, pense no que um fracasso. Considere o fracasso como uma noo subjetiva, como o resultado de um julgamento que se faz frente premissa de que as experincias tm que dar o resultado esperado. Porm o fracasso em si no existe como experincia direta. O que existe so resultados e feedback. Existe o resultado que voc obtm daquilo...</p>