“A questão da Indumentária em obras de Sandro Botticelli”

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    INSTALAO: EFEMERIDADE E MEMRIA Luciana Bosco e Silva Doutoranda da Escola de Belas Artes-UFMG e Mestre em Esttica e Histria da Arte pelo Programa de Ps-Graduao Interunidades em Esttica e Histria da Arte da USP e Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Santa rsula. Professora do Departamento ACR da Escola de Arquitetura da UFMG Resumo Este trabalho produto de uma pesquisa terico e crtica sobre as questes da histria e da memria no caminho percorrido pela Instalao, fazendo uma reflexo histrico-crtica sobre o fazer artstico da Instalao, problematizando a questo da efemeridade da obra, de sua mutabilidade. A reflexo aqui apresentada se d no dilogo entre o objeto de arte e o observador, que no caso da Instalao agente ativo como complemento vivo da prpria obra, onde a fruio do mesmo essencial para a prpria existncia da obra em inmeros casos. Objeto, Instalao, Espao, Vazio e Tempo Palavras-chave: Instalao, Efemeridade e Memria Abstract The object of this research is a theoretical and critical reflection about the historical issues and the memory through Installation Art; as well a reflection on different aspects of Installation Art as its ephemeral and mutant characteristics. The reflection that this work intends to do, its based on the dialogue between the art object and the observer, witch is, in the case of Installation art, an active agent in the complement of the work itself, where the joy of the pure essence of the work its, in many cases, absolutely necessary for the real existence of it. Object, Installation, Space, Emptiness and Time Key Words: Installation, Ephemerality and Memory

    A instalao por-em-obra a verdade, enquanto acontecer em espao, em localidade, em lugar autntico, permitindo a espacializao (NUNES, B., 1999, p. 141).

    assim que Benedito Nunes em seu livro Introduo Filosofia da Arte

    define a Instalao. Partindo desse princpio pode-se questionar o que verdade em arte, seriam as relaes histricas do objeto em questo com a arte como um todo; sua relao de objeto enquanto memria, como linguagem, como

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    conceito de arte, como imagem, ou ento como processo criativo dentro de uma dimenso crtica da prpria arte por meio do objeto. Pode ser ainda visto como objeto de participao poltica e at mesmo ter no pblico seu elemento formador final.

    Para levar a cabo as questes acima, prope-se aqui uma anlise da Instalao, como objeto artstico, partindo de preceitos histricos e sua relao com a memria sem, no entanto, desprezar as demais vias de acesso obra. Para tanto, podemos dizer que a instalao a construo de uma verdade espacial em lugar e tempo determinado, ao mesmo tempo em que passageira, presena efmera que se materializa de forma definitiva apenas na memria. O sentido de tempo, no caso da fruio esttica da Instalao o no-tempo, onde esta fruio se d de forma imediata ao apreciar a obra in-loco, mas permanece em sua fruio plena, como recordao, tendo esta um tempo prprio, o da memria.

    INSTALAO E MEMRIA

    O conceito de memria como recordao remete-se memria da prpria obra. A Instalao como forma artstica se apresenta como presena efmera, a qual tem em seu prprio tempo a memria. A questo do tempo na Instalao se remete aos seus vrios tempos: seja o tempo da Instalao como evento, seja como obra efmera que se autofinda, seja o tempo histrico em que ela se apresenta, seja o tempo da recordao.

    Instalao: um evento (Ereignis), um acontecimento e a obra de arte abre seu prprio mundo. A obra instala um mundo quando no seu evento, permitindo a espacializao, e pe-em-obra a verdade, no a verdade da metafsica, mas inaugura mundos histricos. (MARCONDES, N., 2002, p. 107).

    A Instalao inaugura mundos novos a cada nova recriao; sim, porque

    ela , de fato, recriada em cada nova montagem, em cada novo local, em um novo tempo. Esses universos particulares so mutveis a partir de cada nova montagem. Nesse sentido a Instalao surge como obra em constante criao, se remodelando atravs do tempo, em cada novo espao.

    O espao, o tempo e a relao com o outro, se colocam definitivamente como atores complementares da Instalao em uma relao eterna. Mutvel, porm eterna. As questes pertinentes ao tempo e ao espao so primordiais para a compreenso da Instalao. Ambos se apresentam na essncia da obra: A instalao, por sua temporalidade paradoxal, exige um tempo progressivo, ligado ao frasear do discurso. Seu conceito se conquista no desdobramento dos

    IV ENCONTRO DE HISTRIA DA ARTE IFCH / UNICAMP 2008

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    INSTALAO: EFEMERIDADE E MEMRIA Luciana Bosco e Silva Doutoranda da Escola de Belas Artes-UFMG e Mestre em Esttica e Histria da Arte pelo Programa de Ps-Graduao Interunidades em Esttica e Histria da Arte da USP e Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Santa rsula. Professora do Departamento ACR da Escola de Arquitetura da UFMG Resumo Este trabalho produto de uma pesquisa terico e crtica sobre as questes da histria e da memria no caminho percorrido pela Instalao, fazendo uma reflexo histrico-crtica sobre o fazer artstico da Instalao, problematizando a questo da efemeridade da obra, de sua mutabilidade. A reflexo aqui apresentada se d no dilogo entre o objeto de arte e o observador, que no caso da Instalao agente ativo como complemento vivo da prpria obra, onde a fruio do mesmo essencial para a prpria existncia da obra em inmeros casos. Objeto, Instalao, Espao, Vazio e Tempo Palavras-chave: Instalao, Efemeridade e Memria Abstract The object of this research is a theoretical and critical reflection about the historical issues and the memory through Installation Art; as well a reflection on different aspects of Installation Art as its ephemeral and mutant characteristics. The reflection that this work intends to do, its based on the dialogue between the art object and the observer, witch is, in the case of Installation art, an active agent in the complement of the work itself, where the joy of the pure essence of the work its, in many cases, absolutely necessary for the real existence of it. Object, Installation, Space, Emptiness and Time Key Words: Installation, Ephemerality and Memory

    A instalao por-em-obra a verdade, enquanto acontecer em espao, em localidade, em lugar autntico, permitindo a espacializao (NUNES, B., 1999, p. 141).

    assim que Benedito Nunes em seu livro Introduo Filosofia da Arte

    define a Instalao. Partindo desse princpio pode-se questionar o que verdade em arte, seriam as relaes histricas do objeto em questo com a arte como um todo; sua relao de objeto enquanto memria, como linguagem, como

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    conceito de arte, como imagem, ou ento como processo criativo dentro de uma dimenso crtica da prpria arte por meio do objeto. Pode ser ainda visto como objeto de participao poltica e at mesmo ter no pblico seu elemento formador final.

    Para levar a cabo as questes acima, prope-se aqui uma anlise da Instalao, como objeto artstico, partindo de preceitos histricos e sua relao com a memria sem, no entanto, desprezar as demais vias de acesso obra. Para tanto, podemos dizer que a instalao a construo de uma verdade espacial em lugar e tempo determinado, ao mesmo tempo em que passageira, presena efmera que se materializa de forma definitiva apenas na memria. O sentido de tempo, no caso da fruio esttica da Instalao o no-tempo, onde esta fruio se d de forma imediata ao apreciar a obra in-loco, mas permanece em sua fruio plena, como recordao, tendo esta um tempo prprio, o da memria.

    INSTALAO E MEMRIA

    O conceito de memria como recordao remete-se memria da prpria obra. A Instalao como forma artstica se apresenta como presena efmera, a qual tem em seu prprio tempo a memria. A questo do tempo na Instalao se remete aos seus vrios tempos: seja o tempo da Instalao como evento, seja como obra efmera que se autofinda, seja o tempo histrico em que ela se apresenta, seja o tempo da recordao.

    Instalao: um evento (Ereignis), um acontecimento e a obra de arte abre seu prprio mundo. A obra instala um mundo quando no seu evento, permitindo a espacializao, e pe-em-obra a verdade, no a verdade da metafsica, mas inaugura mundos histricos. (MARCONDES, N., 2002, p. 107).

    A Instalao inaugura mundos novos a cada nova recriao; sim, porque

    ela , de fato, recriada em cada nova montagem, em cada novo local, em um novo tempo. Esses universos particulares so mutveis a partir de cada nova montagem. Nesse sentido a Instalao surge como obra em constante criao, se remodelando atravs do tempo, em cada novo espao.

    O espao, o tempo e a relao com o outro, se colocam definitivamente como atores complementares da Instalao em uma relao eterna. Mutvel, porm eterna. As questes pertinentes ao tempo e ao espao so primordiais para a compreenso da Instalao. Ambos se apresentam na essncia da obra: A instalao, por sua temporalidade paradoxal, exige um tempo progressivo, ligado ao frasear do discurso. Seu conceito se conquista no desdobramento dos

    IV ENCONTRO DE HISTRIA DA ARTE IFCH / UNICAMP 2008

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    atos, seguindo a linha de resistncia dos objetos dispostos. (HUCHET, S. 2006, p. 37).

    A questo do tempo crucial na Instalao, fazendo com que a mesma seja um espelho de sua histria, questionando assim o homem de seu tempo e sua interao com a obra. A verdade da mesma se d a partir de sua relao com o outro, seu espectador-experimentador, e nesta relao que a obra assimilada, permeando a forma de agir e sentir de todos aqueles que interagem com ela. Uma obra de arte nunca uma coisa em si, fora da realidade humana; ela sempre requer uma interao com um espectador. Descobrimos o significado de uma obra de arte; mas tambm lhe doamos um significado. (FISCHER, E., 1959, p. 162). A Instalao se revela por fim uma poesis em constante mu