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Universidade Estadual de Campinas Instituto de Filosofia e Cincias Humanas

Departamento de Sociologia

Diego Jair Vicentin

A Mobilidade como Artigo de Consumo Apontamento sobre as relaes com o aparelho celular.

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A Mobilidade como Artigo de Consumo Apontamento sobre as relaes com o aparelho celular

Diego Jair Vicentin

Dissertao de mestrado apresentada ao departamento de Sociologia do Instituto de Filosofia e Cincias Humanas da Universidade Estadual de Campinas, sob orientao do Prof. Dr. Laymert Garcia dos Santos.

Banca examinadora:

Prof. Dr. Laymert Garcia dos Santos IFCH-UNICAMP (orientador)

Prof. Dr. Ruy Sardinha Lopes EESC-USP

Prof. Dr. Gilda Figueiredo Portugal Gouva IFCH-UNICAMP

Prof. Dr. Pedro Peixoto Ferreira CTeMe-UNICAMP (suplente)

Prof. Dr. Josu Pereira da Silva IFCH-UNICAMP (suplente)

Agosto de 2008

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RESUMO

A dissertao de mestrado que ora se apresenta pretende tratar do

consumo de um objeto tcnico que penetrou de maneira to incisiva na vida

dos homens contemporneos que, em pouco tempo, t-lo consigo tornou-se

praticamente inescapvel. Trata-se do aparelho de telefone celular.

Para examinar o consumo deste gadget, seguimos em duas frentes de

investigao. Na primeira, decidimos verificar a maneira como se constri uma

de suas qualidades mais festejadas: a mobilidade. Nessa investigao,

partimos do enlace entre as tecnicidades do aparelho e as expectativas que

nutre. Ou seja, tanto as prerrogativas tcnicas do aparelho e da rede em que

se insere, quanto as significaes que carrega e as expectativas que gera a

partir de seu funcionamento ideal (ou idealizado), servem de base para

pautarmos os limites e possibilidades daquilo a que nomeamos como

mobilidade celular.

A segunda frente de pesquisa refere-se diretamente concepo de

consumo. Fizemos uma breve (e necessariamente incompleta) reviso sobre o

tema que perpassa trs diferentes perspectivas tericas e sugere a existncia

de um trajeto que parte do mundo da natureza em direo subjetividade

humana, passando pelas lutas simblicas por poder e distino. Esse exerccio

nos levou a uma noo de consumo operatria na subseqente abordagem do

aparelho celular.

Resulta, no captulo final, uma discusso acerca do modo como se

consome a mobilidade celular. Explorando algumas das transformaes que a

relao de consumo opera tanto em sujeito quanto em objeto, e as motivaes

que ensejam tal relao, inclusive, percorrendo zonas de sombra entre

produo e consumo.

- vi -

ABSTRACT

This present work intends to analyze the consumption of a technological

object that got so deeply embedded in the contemporary way of life that, in

little time, not having it became almost impossible; this object is the cellular

phone.

To examine the consumption of this gadget, we've followed two

investigation fronts. In the first one, we decided to study the way its most

praised quality is constructed: the mobility. In this investigation, we built upon

the entwinement of the object's technological aspects and the expectations

nourished by it. So, the technological prerogatives of the gadget and the

network in which it works, along with the meanings carried by it and the

expectations brought by its ideal (or idealized) functioning served as a base to

set the limits and possibilities of what we called cellphone mobility.

The second front of this research deals directly with the conception of

consumption. We made a brief (and necessarily incomplete) review about the

subject that intertwines three different theoretical perspectives, and suggests

the existence of a path that goes from the "world of nature" to the human

subjectivity, passing by the symbolical struggles for power and distinction. This

exercise took us to a notion of consumption that was operational in the

following approach of the cellular phone.

And in the final chapter we arrive at a discussion about the way the

cellphone mobility is consumed, exploring some of the changes that this

consumption relationship works in the agent and also in the object, and the

motivations that foster this relationship, passing also by gray zones between

production and consumption.

- vii -

Para Jair Vicentin e Edna Biazon, e casa na rua MontAlverne.

- viii -

SUMRIO

AGRADECIMENTOS .......................................................................... ix

INTRODUO ................................................................................. 1

1. CELULAR: EXPECTATIVAS E ENCANTAMENTO ................................... 11

2. A MOBILIDADE CELULAR ........................................................... 33

2.1 PRINCPIO DA REDE CELULAR. ............................................... 36

2.2 A ESTRUTURA IMVEL DA MOBILIDADE .................................... 42

2.3 A ECONOMIA CELULAR DOS ESPAOS E DA POPULAO ................. 48

2.4 ACELERAO DO FLUXO. ...................................................... 58

2.5 MOBILE........................................................................... 72

3. CONSUMO: UM PERCURSO COMO CATEGORIA DE PENSAMENTO .............. 77

3.1 OBJETO DO MUNDO NATURAL................................................. 83

3.2 SMBOLO, DISTINO E LUTA ............................................... 88

3.3 IDENTIDADE E SUBJETIVIDADE .............................................. 94

3.4 CONSUMO: COSTURANDO UMA DEFINIO ................................ 99

4. O CONSUMO DE POTNCIA E A POTNCIA DO CONSUMO................... 105

4.1 O CONSUMO COMO INVESTIMENTO ....................................... 108

4.2 CONSUMO/INVESTIMENTO EM POTNCIA ............................... 116

4.3 CELULAR: RECIPIENTE DE POTNCIA..................................... 122

4.4 O CONSUMO EM XEQUE ..................................................... 129

4.5 A POTNCIA DO CONSUMO ................................................. 137

BIBLIOGRAFIA............................................................................ 145

- ix -

AGRADECIMENTOS

Gostaria de agradecer CAPES pela bolsa que possibilitou minha dedicao ao

trabalho dessa pesquisa. Agradeo tambm ao Instituto de Filosofia e Cincias

Humanas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na figura de seus

professores, funcionrios e alunos, que acolheram muito bem o retorno deste

campineiro.

Devo um agradecimento especial ao orientador desta dissertao, o Prof. Dr.

Laymert Garcia dos Santos. No s por ter aceitado orientar meu trabalho de

pesquisa, ou por ter apostado no potencial do tema, mas, sobretudo porque

influenciou de maneira positiva e determinante em seu andamento, indicando

leituras e formas de abordagem de meu objeto que, at ento, me eram

absolutamente desconhecidas.

Agradeo Prof Dr Gilda Figueiredo Portugal Gouva, que muito antes de

fazer parte da banca de avaliao desta dissertao j contribua pesquisa

com sua acuidade de leitura, seu interesse e tima disposio. Agradeo

tambm ao Prof. Dr. Ruy Sardinha Lopes, por seu aceite em compor a mesma

banca, e pelas crticas e comentrios que vir a fazer.

Sou imensamente grato Prof Dr Isleide Arruda Fontenelle por suas

contribuies a este trabalho. Em primeiro lugar, pela participao valorosa no

exame de qualificao desta pesquisa e pela interlocuo que mantivemos

desde ento. Mas, ainda antes disso, por ter escrito o livro que serviu de

inspirao intelectual aos primeiros passos que me conduziram ao tema do

consumo, e, conseqentemente, ao projeto de pesquisa que me levou ao

mestrado.

Com relao ao processo de concepo da pesquisa, devo meno e

agradecimento especial s professoras da FFLCH-USP: Nadya Arajo

Guimares e Maria Helena Oliva Augusto. A paixo e competncia com que

ministram suas aulas algo digno de reverncia. Por isso, tenho que agradec-

las no s pela ateno e amparo que me dispensaram durante o perodo

crtico em que eu pensava e escrevia meu projeto de pesquisa, mas tambm

- x -

por serem exemplos para quem, como eu, pretende assumir a carreira

docente.

Agradeo aos colegas do grupo de pesquisa CTeMe (Conhecimento, Tecnologia

e Mercado), com especial nfase a Marta Kanashiro, Osvaldo Lpez-Ruiz, Pedro

Peixoto Ferreira, Rafael Alves da Silva, Ceclia Diaz-Isenrath e Fbio Candotti.

As conversas, leituras, dicas, discusses e a prpria convivncia foram

determinantes nos caminhos que esta dissertao tomou.

Agradeo ainda aos amigos uspianos: Pedro Meira, Joo Marcelo, Otvio

Albuquerque, Dalila Vasconcellos, Ariadne Natal, Sarah Nery, Giana Guelfi,

Raquel Tivelli e Luiz Henrique. Todos estiveram sempre muito prximos e

ajudaram no caminhar desta pesquisa cada um sua maneira, com suas

habilidades e peculiaridades, mas tambm enquanto grupo, juntos, como

amigos que so. Sou grato tambm ao amigo Roberto Ravena, pelas conversas

e leituras, e ao amigo Mateus Tozelli, que em alguns momentos mais parecia

uma mquina virtual de sp