A LEITURA POR VIR - ?· vertigens de criação estética e deleite inquietante da palavra literária…

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAR

CAMPUS UNIVERSITRIO DO TOCANTINS/CAMET

PROGRAMA DE PS-GRADUAO EM EDUCAO E CULTURA

CURSO DE MESTRADO ACADMICO

JESS PINTO CAMPOS

A LEITURA POR VIR: Melodias poticas do aprender-ensinar nas travessias do texto-leitor

Camet-PA

2018

JESS PINTO CAMPOS

A LEITURA POR VIR: Melodias poticas do aprender-ensinar nas travessias do texto-leitor

Dissertao de Mestrado apresentada ao

Programa de Ps-Graduao em Educao e

Cultura da Universidade Federal do Par,

Campus Universitrio do Tocantins/Camet,

Linha de Pesquisa Educao, Cultura e

Linguagem, como requisito parcial para a

obteno do ttulo de Mestre em Educao e

Cultura.

Orientadora: Prof. Dr. Gilcilene Dias da

Costa.

Camet-PA

2018

Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP) Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Par

Gerada automaticamente pelo mdulo Ficat, mediante os dados fornecidos pelo(a) autor(a)

C198l Campos, Jess Pinto A Leitura Por Vir : Melodias poticas do aprender-ensinar nas travessias do texto-

leitor / Jess Pinto Campos. 2018 131 f.

Dissertao (Mestrado) - Programa de Ps-graduao em Educao e Cultura

(PPGEDUC), Campus Universitrio de Camet, Universidade Federal do Par, Camet, 2018.

Orientao: Profa. Dra. Gilcilene Dias da Costa

1. Leitura. Por vir. Devorao. Experincia literria. Aprender-ensinar. I. Costa, Gilcilene Dias da, orient. II. Ttulo

CDD 370

A LEITURA POR VIR:

Melodias poticas do aprender-ensinar nas travessias do texto-leitor

Dissertao de Mestrado apresentada ao Programa de Ps-Graduao em Educao e Cultura da

Universidade Federal do Par, Campus Universitrio do Tocantins/Camet, Linha de Pesquisa

Educao, Cultura e Linguagem.

Banca Examinadora:

_____________________________________________

Prof. Dr. Gilcilene Dias da Costa

(Orientadora PPGEDUC/UFPA)

_____________________________________________

Prof. Dr. Karyne Dias Coutinho

(Avaliadora Externa Instituio PPGED/UFRN)

_____________________________________________

Prof. Dr. Lus Heleno Montoril Del Castilo

(Avaliador Externo ao Programa PPGL/UFPA)

_____________________________________________

Prof. Dr. Jos Valdinei Albuquerque Miranda

(Avaliador Interno PPGEDUC/UFPA)

_____________________________________________

Prof. Dr. Cezar Lus Seibt

(Suplente Interno PPGEDUC/UFPA)

Data da Defesa: 27 de maro de 2018. Hora: 18:00. Local: Sala 1 do PPGEDUC

Camet-PA

2018

Dedico leveza e ao amor dos meus pais e aos

tenros sorrisos dos meus amigos ao longo da

caminhada.

Agradecimentos

A caminhada repousa no momento tnue, aps o voo leve desta escrita. A escrita

em seu papel de esculpir novas tbuas dana nas emoes do voo, onde no se voou

solitrio. A alegria da caminhada segue as melodias doces dos sorrisos, do virar da

pgina, do cair das folhas, da leveza do tempo, das tempestades, do mar, dos rios, do

amor e da emoo. Agradeo as coisas nfimas da caminhada, o som dos pssaros, os

dias de sol, os dias nublados, as pausas das viagens, as intensas travessias nos livros e

lugares que revisitei ao longo do tempo subjetivo desta pesquisa. A escrita foi se

tecendo nos desvios da imaginao criadora, nas escutas dos mundos e dos outros

ouvidos, por mais angstia ou dvida que tivesse encontrei reconforto de outra alma a

ouvir e me aconselhar, agradeo. Agradeo CAPES pelo fomento da caminhada, com

este fomento para a pesquisa pde navegar nos livros, nas poesias do pr do sol, nos

cantos das sereias, nas melodias da felicidade clandestina, nas tormentas de Homero,

nos encontros martimos de Foucault e Blanchot, no fora da palavra literria e suas

ausncias, experincias e vazios, entre outras melodias vividas e propiciadas pelo apoio

imprescindvel da instituio e do Programa de Ps-Graduao em Educao e Cultura

onde me experimento pesquisador.

As emoes continuam a voar e a fora do voo sustentada pelo carinho dos

meus pais, pessoas essencialmente singulares que me proporcionaram cus e terras,

tempo e liberdade. O dia inteiro passara a escrever mergulhado na leitura e escrita dos

ensaios, sem hora, meus pais interrompiam o estudo para me lembrar como viver no

amor de uma famlia. noite ficava acordado a estudar e podia sentir a torcida deles a

me fortalecer. Agradeo imensamente o apoio nas horas difceis e os sorrisos nos cafs

da manh, nos almoos, em todos os outros momentos em que estamos juntos. Na

caminhada sempre de mo dadas estava com a fora de vocs, com sua fora poderia

sair a voar pelo mundo e alcanar solos desconhecidos. Em seu ninho, sempre aprendi a

liberdade do voo em seus riscos e perigos, os voos impulsionados por meus pais, e por

mais difcil que a caminhada se fazia, l estava a mo deles a me apoiar e me erguer

para o voo.

O voo segue a me ensinar lies valiosas, pouso, e comea a andar. Na

caminhada acadmica avisto uma mulher, uma mulher com alma de menina, era

possvel ver em seu sorriso uma inocncia leve. A mulher se transfigurou em menina,

sua leveza contagia todos que com ela caminham. A menina ensinou lies de

inocncia, leveza, amor, pacincia, empatia. A menina sempre estava a sorrir para o

mundo, sorria at mesmo na tempestade, quando a tempestade cai, dana na chuva sem

medo, em seu estado de liberdade. A menina se transfigurou na mulher devoradora e a

transfigurao pouco mudou sua alma, seu estado de infncia sempre a acompanhara em

suas transfiguraes, a menina-mulher comeou a me ensinar a leveza da pesquisa em

educao, segui sua orientao, na busca de uma leitura por vir e suas melodias e

travessias, lies valiosas. Os ensaios foram tecidos no rumor da profecia desta menina-

mulher, desde longo tempo, desta forma, segui seus passos na busca de me perder no

caminho. Suas pegadas ainda me ensinaram a danar a leveza do mundo, melodias e seu

por vir, algo que agradeo e sempre devorarei comigo em outras jornadas.

A menina-mulher trouxe em seus rastros outros andarilhos, com eles aprendi

outras lies que gostaria de agradecer. Ao andarilho Valdinei, agradeo, suas

contribuies formais e informais a esta pesquisa, e ainda, as aulas sempre valiosas, os

comentrios sempre provocantes nos eventos, a disponibilidade de uma conversa de

corredor, em suma, agradeo sua amizade tecida ao longo desses bons anos. Ao

andarilho Lus Heleno, agradeo os comentrios tecidos no momento da qualificao, os

quais me instigaram a equilibrar ordem e caos nos movimentos da escrita dos ensaios,

na tentativa de experimentar o apolneo e o dionisaco. Karyne Coutinho, partcipe

errante que ora se encontra com os movimentos desta escrita, compondo outros olhares.

O sol nasceu mais um dia e a caminhada convida a desenhar uma possibilidade

desconhecida de uma vontade de aventura. Foi na pulso pelo desconhecido que os

ensaios foram tecidos... A cada desvio um desafio mortal se desenhava, os desafios

compartilhei com outros andarilhos, os meus amigos foram importantes para cada

vitria. Nas horas em que estava perdido, perdia-me junto com eles, e logo mais a

profundeza encontrava. Agradeo aos meus amigos o sorriso afvel, as histrias

engraadas construdas juntas, a leveza da vida, o abrao acolhedor, a torcida, a luz, as

memrias, tempos e devoraes tecidas nos entremeios dessa caminhada. Agradeo!

A linguagem em que fala a origem

essencialmente proftica. Isso no significa

que ela dita os acontecimentos futuros; isso

quer dizer que ela j no se apoia sobre o

que quer que seja, nem sobre uma verdade

em curso, nem sobre a nica linguagem j

dita ou verificada. Ela anuncia, por que

comea. Indica o porvir...

(Maurice Blanchot, Uma voz vinda de

outro lugar)

Resumo

A leitura e o por vir so as melodias de devorao tecidas no ensaio desta escrita. As

melodias por vir, o canto das sereias, os ritos canibais, os abismos, as transfiguraes, a

experincia literria, a poesia... ressonam travessias do texto-leitor. Um sorriso afvel.

A potncia da tempestade. A fora e a leveza do vento. O mar e suas profundezas e

mars. As melodias inauditas devoram o leitor e os sentidos da leitura, deixando em

aberto a palavra literria nas melodias do aprender-ensinar. Um canto por vir e um

abismo sedento por transfigurao e devorao. O mpeto devorador o motor da

travessia. A leitura por vir navega na desterritorializao de sentidos usuais do texto-

leitor, entoa um canto por uma leitura primitiva da entrega e da liberdade, uma

navegao deriva, sem rumo e no rumor da superfcie da palavra literria e suas

profundezas. A leitura por vir escorrega nos abismos, transfigurao e devorao do

livro por movimentos de devires, incompletudes, vivncias, afeces (des)encontros do

texto-leitor. A leitura por vir experimenta a desterritorializao do espao literrio e

dana na liberdade da palavra e do silncio onde encontra a poesia, e na poesia abraa

outro aprender-ensinar na criao. As leituras contidas nos ensaios que compem a