07 Pragas Do Milho Safrinha

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Tecnologia e Produo: Milho Safrinha e Culturas de Inverno 2009

077.1. Introduo

Pragas do Milho SafrinhaRicardo Barros1

Dezenas de espcies de insetos esto associadas cultura do milho, mas relativamente poucas apresentam caractersticas de uma praga-chave, como regularidade de ocorrncia, abrangncia geogrfica e potencialidade para causar danos economicamente significativos. Os prejuzos provocados economicamente por insetos na cultura do milho materializam-se, em boa parte, devido dificuldade de acesso s informaes sobre as tecnologias disponveis para o seu controle. Sendo assim, esta publicao tem como principal objetivo suprir uma parte desta carncia.

7.2. Lagarta-elasmo Elasmopalpus lignosellusA lagarta-elasmo uma das principais pragas do milho em condies de campo. Tem sido observado que esta praga ocorre com maior frequncia em solos arenosos sob vegetao de cerrado e em perodos secos aps as primeiras chuvas, sobretudo no primeiro ano de cultivo. Descrio e biologia A forma adulta da lagarta-elasmo uma pequena mariposa medindo cerca de 20 mm de envergadura, apresentando colorao cinza-amarelada. A postura feita nas folhas, bainhas ou hastes de plantas hospedeiras, onde ocorre a ecloso das larvas, num perodo varivel, de acordo com as condies climticas. A larva inicialmente alimenta-se das folhas, descendo em seguida para o solo e penetrando na planta altura do colo, no qual faz uma galeria ascendente que termina destruindo o ponto de crescimento da planta. As larvas completamente desenvolvidas medem cerca de 15 mm so de colorao verde-azulada com estrias transversais marrons, purpreas e pardo escuras (Figura 7.1). O perodo larval dura em mdia 21 dias, as larvas transformam-se em crislidas, prximo haste das plantas ou nas proximidades desta no solo, e aps 8 dias, aproximadamente, emergem os adultos.

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Figura 7.1. Lagarta-elasmo Elasmopalpus lignosellus.

Identificao no campo Os maiores prejuzos para a cultura do milho so causados nos primeiros trinta dias aps a germinao. Devido ao Figura 7.2. Orifcio e Lagarta-elasmo Elasmopalpus lignosellus. ataque, ocorre primeiramente a morte das folhas centrais, cujo sintoma denominado 'corao morto'. Sendo puxadas com a mo, as folhas secas do centro destacam-se com facilidade. Junto ao orifcio de entrada encontra-se um tubo construdo pela lagarta, com terra, teia e detritos vegetais, dentro do qual ela se abriga (Figura 7.2). Uma caracterstica importante desta praga que as larvas so bastante ativas e saltam quando tocadas.1

Eng. Agr. M.Sc. (CREA/MS 10602/D) Pesquisador da FUNDAO MS.

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7.2.1. Mtodos de controle da lagarta-elasmo

a) Controle natural Esta praga pouco afetada pelos inimigos naturais, pois est sempre protegida dentro da planta ou no interior do abrigo j referido. b) Uso de prticas agronmicas Sistema de plantio direto: sua incidncia tem sido mais frequente e severa em perodos de estiagem nos sistemas de plantio convencional. No sistema de plantio direto, que propicia melhor conservao da umidade no solo, tem sido observada a menor incidncia da praga, pois a mesma no est adaptada aos solos midos. Neste sentido, uma boa cobertura com palha se torna imprescindvel para o manejo desta praga. Coberturas de solo: algumas coberturas de solo, geralmente cultivadas durante o inverno, podem ser mais atrativas para oviposio pelas mariposas, dentre as principais constam os restos culturais do trigo e sorgo, devendo-se haver maior precauo quando do cultivo de milho sobre estes dois tipos de palhada, principalmente em perodos de veranico. No caso da safrinha, como geralmente a semeadura realizada sobre restos culturais de soja, os fatores mais determinantes para a ocorrncia de infestaes severas de elasmo so os perodos de estiagem e a textura de solo. Irrigao: a irrigao pode se constituir de um fator de controle, desde que economicamente vivel. c) Controle qumico Tratamento de sementes: atualmente o tratamento de sementes com inseticidas tecnologia consagrada no manejo de pragas da cultura do milho safrinha. No caso da lagarta-elasmo, este tratamento pode ser realizado com produtos do grupo qumico dos carbamatos (tiodicarbe, carbofuran, furatiocarbe) ou finil-pirazis como o fipronil. Pulverizaes: vlido lembrar que em condies extremamente favorveis a esta praga (solos leves, estiagem prolongada aps a emergncia e plantio convencional), o tratamento de sementes isoladamente se torna pouco eficiente, tendose ainda que utilizar pulverizaes com inseticidas de contato e ao de profundidade (por exemplo, clorpirifs, Tabela 7.1) realizadas durante a noite e com alto volume de calda.

Tabela 7.1. Inseticidas* recomendados para o controle da Largarta-elasmo Elasmopalpus lignosellus. Compilado por Degrande & Lopes (2007) a partir de informaes do Ministrio da Agricultura.

Nome Tcnico Carbaril Carbofurano

Nome Comercial Carbaryl Fersol 75 DP Carboran Fersol 350 SC Diafuran 50 GR Fenix 250 FS Furadan 350 SC Furadan 350 TS Furadan 50 GR Furazin 350 FS Marzinc 250 DS Lorsban 480 BR EC Vexter 480 EC Promet 400 CS Cropstar SC Cruiser 350 FS Futur 300 SC Semevin 350 SC

Dose** (g i.a.ha-1)

Dose produto comercial (kg ou l.ha-1)

Intervalo de segurana (dias) entre aplicao e colheita

Clorpirifs Furatiocarbe Imidacloprido+Tiodicarbe(150+450) Tiametoxam Tiodicarbe

1125 a 1500 15 a 20 700 2/100kg 1500 30 600 a 700 2,4 a 2,8/100kg 1050 a 1400 3 a 4/100kg 700 a 1050 2 a 3/100kg 1050 30 787,5 2,25/100kg 500 2/100kg 480 1 480 1 640 1,6/100kg (45+135) a (135+157,5) 0,3 a 0,35 210 0,6/100kg 600 2/100kg 700 2/100kg

14 30 30 30 2 21 21 -

* Antes de emitir indicao e/ou receiturio agronmico, consultar a relao de defensivos registrados no Ministrio da Agricultura e cadastrados na Secretaria de Agricultura de seu Estado. ** g i.a.ha-1 = gramas de ingrediente ativo por hectare.

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7.3. Cor ou po-de-galinha Liogenys suturalis, Diloboderus abderus, Phyllophaga cuyabanaDescrio As larvas desse besouro so de colorao brancoleitosa e apresentam trs pares de pernas (Figura 7.3). Mesmo no seu mximo desenvolvimento, cerca de 25 mm de comprimento, tm formato arredondado e posicionam-se em forma de C, quando em repouso. Os adultos (besouros) medem cerca de 13 15 mm, e ventralmente so de colorao marrom-escura brilhante. A revoada dos adultos ocorre durante os meses de outubro e novembro, quando acasalam e efetuam a postura no solo a ser cultivado no vero.FUNDAO MS

Figura 7.3. Cor-do-milho.

Danos Nas condies de Mato Grosso do Sul, os danos de cors tm sido mais frequentes a partir do ms de maro e abril,poca de cultivo do milho safrinha. Isto porque neste perodo as larvas destes insetos j atingiram seu mximo desenvolvimento, passando com isto a ter uma capacidade de consumo bastante elevado.

7.3.1. Mtodos de controle do cora) Controle Biolgico Alguns agentes de controle biolgico natural atuam sobre as larvas de 'cors', como, por exemplo, nematides, bactrias, fungos (especialmente Metharrizium e Beauveriae sp.), no entanto, o sistema de cultivo utilizado na regio de produo de milho safrinha de Mato Grosso do Sul, baseado na sucesso soja no vero e milho no inverno, o que oferece alimento s larvas durante praticamente todo ano, propicia condies de sobrevivncia desta praga alm daquelas da capacidade dos agentes de controle natural de manter as populaes de cor abaixo dos nveis de dano econmico. b) Uso de Prticas Agronmicas O preparo do solo com implementos de disco tem sido sugerido como uma alternativa de controle das larvas. Alm do efeito mecnico do implemento, as larvas ficam expostas na superfcie do solo sob a ao da radiao solar e de inimigos naturais, especialmente os pssaros. No entanto esta alternativa implica, pelo menos num primeiro momento, no abandono do sistema de plantio direto, que tantos benefcios tem proporcionado em termos de meio ambiente e produtividade. c) Controle Qumico O uso de inseticidas qumicos em tratamento de sementes tem se apresentado como alternativa de controle, no entanto sua utilizao isolada insuficiente para a supresso desta praga. Sendo assim, algumas alternativas de produtos para tratamento de sementes so apresentadas na Tabela 7.2.

Tabela 7.2. Inseticidas* registrados no Ministrio da Agricultura para tratamento de sementes de milho visando o controle de cor.

Ingrediente Ativo Tiodicarbe Tiodicarbe Fipronil Bifentrina

Produto Comercial Futur 300 SC Semevin 350 SC Standak 250 SC Capture 120 FS

Dose por 100 kg de sementes g i.a.** 600 700 25 - 50 120 - 180 p.c. (kg ou l)*** 2,0 l 2,0 l 0,1 - 0,2 l 1,0 - 1,5 l

* Antes de emitir indicao e/ou receiturio agronmico, consultar a relao de defensivos registrados no Ministrio da Agricultura e cadastrados na Secretaria de Agricultura de seu Estado. ** g i.a. = gramas de ingrediente. *** p.c.(kg ou l) = produto comercial.

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7.4. Percevejo barriga-verde Dichelops furcatus e D. melacanthus

Os percevejos barriga-verde (Figura 7.4) (Hemiptera: Heteroptera) so insetos sugadores, isto , alimentam-se introduzindo o aparelho bucal (estiletes) nas plantas hospedeiras retirando destas a seiva para sua nutrio. Eles introduzem uma saliva que ir se solidificar, formando a chamada bainha alimentar ou flange. Aps, injetam uma saliva aquosa, contendo enzimas digestivas e toxinas, que pr-digerem o alimento, ocorrendo ento a ingesto. Descrio H duas espcies de percevejos conhecidos por barriga-verde na cultura do milho safrinha Dichelops furcatus (F.) e Dichelops melacanthus (Dallas). Elas so muito semelhantes. D. furcatus maior e os espinhos dos ombros (pronoto) so da m